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25 DE ABRIL DE 1957 763

Como tive ensejo de afirmar, há grande carência de padres portugueses na América do Norte, não só por as dioceses nacionais não disporem de muitos para dispensar alguns, mas também, o sobretudo, por as autoridades eclesiásticas americanas - e não o Estado, que não hostiliza a religião católica - se oporem, por meios directos ou indirectos, à entrada dos nossos sacerdotes; semelhante atitude, aliás, verifica-se para com os padres católicos de outras nações não nascidos nos Estados Unidos, exceptuados os irlandeses - que constituem a mais vasta e melhor organização católica local, e quo por isso pretende ser orientadora da Igreja, arrogando-se mesmo o direito de representar a verdadeira igreja católica norte-americana, porventura devido ao facto tradicional de os Irlandeses, ao pisarem o solo deste território do Novo Mundo, se tornarem automaticamente cidadãos americanos.
Os Estados Unidos da América formam um grande e poderoso pais, resultante de diversas comunidades nacionais, quase todas ainda nitidamente definidas - «um mar imenso de raças, línguas e costumes diferentes», como apropriadamente lhe chamou o Sr. Cardeal Matriarca de Lisboa.
Após a Independência e principalmente a partir do último quartel do século passado, foram chegando, livremente e em número considerável, emigrantes católicos de todos os continentes, especialmente irlandeses, franceses e
franco-canadianos, portugueses, italianos, polacos, lituanos, alemães e outras gentes de ritos latino e oriental, pertencentes a vários países e grupos étnicos.
Nos nossos dias, e pelo menos na Nova Inglaterra, a colónia irlandesa é a mais numerosa, seguindo-se a italiana e a franco-canadiana, e, se os 500 000
luso-americanos não aparecem como um dos maiores agregados populacionais, tão-pouco pertencem a uma comunidade das mais pequenas.
Não obstante, com frequência e até entre católicos estrangeiros categorizados, consciente ou inconscientemente, se olvida a antiguidade e mesmo a posição actual dos Portugueses na América do Norte; o livro The Catholic Catholic
U.S. 1.. colectânea de estudos publicada por uni sacerdote católico, no capítulo referente à Nova Inglaterra, não contém uma só palavra sobro a colónia
luso-americana! E, no entanto, nas cidades de Nova Bedford - «a capital dos Portugueses da América do Norte» - e de Fall River e em outros centros urbanos de Rhode Island. Conecticut, Nova Jérsia e Califórnia vive a maior parte dos emigrados portugueses, em quem, a par do amor da Pátria, perdura e revive a fé dos seus antepassados!
Sr. Presidente: com a promulgação da Constituição Ersul Familia - de que dei um pequeno resumo no Diário das Sessões do 13 deste mês -, Sua Santidade Pio XII, depois de prestar justíssima homenagem ao carinho dispensado aos emigrantes poios seus insignes predecessores, deu novas normas e actualizou outras, inteiramente conformes com as necessidades do nosso século, no amplo e importante campo do apostolado quo é a emigração europeia, em crescimento indomável, encaminhando-se para todo o resto do Mundo, mormente para a América do Norte.
A Ersul Família mostra do modo brilhantíssimo quão grandes e notáveis obras se devem aos papas Leão XIII beato Pio X. Bento XV, Pio XI e Pio XII, iniciativas tanto de feição puramente religiosa como de índole instrutiva e beneficente, criadas para protecção moral e material dos emigrantes e de seus descendentes originários do Velho Continente - mais particularmente os Italianos, Suíços, Alemães, Franceses e Polacos. Foi na Itália e em terras estrangeiras para onde embarcaram seus filhos que a assistência espiritual e económica floresceu mais pujantemente e produziu melhores frutos, quer preparando clero diocesano e regular para acompanhar e conviver com os emigrados nos Estados Unidos, quer dispensando auxilio de toda a ordem aos Italianos e sons dependentes, sob a protecção de madre Francisca Xavier Cabrini, justamente cognominada «mãe dos emigrados italianos» na América do Norte.
Reconheceu-se, contudo, que os institutos religiosos europeus não preparavam número suficiente do sacerdotes e religiosos para ocorrer às exigências dos emigrados nos Estados Unidos; por seu lado os padres norte-americanos continuavam a contrariar a presença do clero católico de outras nacionalidades e não nascido nos Estados Unidos.
Sob o pontificado do beato Pio X - o grande organizador das obras católicas de assistência aos emigrantes de todo o Mundo - uma inspiração felicíssima levou à criação, em 1904, de um seminário, no estado de Nova Iorque, para os filhos de italianos aspirantes ao sacerdócio: um tão providencial empreendimento
lançavam-se as bases da poderosa influência que os Italianos viriam a desfrutar na América do Norte.
O maior, e aparentemente invencível, obstáculo à existência de sacerdotes católicos estrangeiros não poderia subsistir para os Italianos; tão bela tarefa serviria de modelo, no tempo de Bento XV, aos Mexicanos, incitando-os a fundar um seminário em Baltimore, destinado aos seus descendentes candidatos à vida sacerdotal.
E, com o generoso auxilio do Governo Italiano o dos filhos de Itália na América do Norte, não tardou de se edificassem numerosas igrejas, paróquias e conventos e se erigissem colégios e escolas de instrução primária e secundária junta ou dependentes das canas religiosas; à frente destes estabelecimentos de ensino estão padres e religiosos italianos de origem e outros de sangue italiano nascidos e criados nos Estados Unidos.
Mas foi-se mais longe: muitos sacerdotes, religiosos o estudantes dos seminários, italo-americanos naturais dos Estados Unidos, têm ido completar a sua bagagem religiosa e intelectual em Roma ou em outras Universidades da Itália; deste modo, com a formação adequada ao sou ministério sacerdotal, os filhos dos Italianos podem ampliar e consolidar o amor à pátria dos seus maiores - pelo estudo da língua e da gloriosa história romana, pela contemplação das belezas naturais e monumentais da Itália, pelo contacto com o povo e intelectuais e com as manifestações do seu progresso actual.
Por isso, agora, na América do Norte, a grande maioria dos católicos italianos tem assistência espiritual, dada por padres o bispos do seu sangue; nas escolas dirigidas pelo clero diocesano e regular italiano todos os seus jovens patrícios aprendem a falar correntemente a língua-mãe, instruem-se o educam-se convenientemente, impregnando-se, enfim, da cultura e das tradições italianas.
Antigos alunos destas casas de formação continuam a ser qualificadas individualidades da política norte-americana: ilustres governadores - como La Guardiã, tão operoso e estimado que o seu nome apelida um dos maiores aeródromos de Nova Iorque -, deputados, senadores, professores universitários, cientistas, homens de letras e artistas, economistas, financeiros, industriais, comerciantes e agricultores.
A alta e merecida consideração de que goza a colónia italiana na América do Norte provém em grande parte da influência espiritual o intelectual destas obras dos sacerdotes e religiosos italianos emigrados ou nascidos lá; da projecção de tamanho prestigio têm advindo as mais benéficas consequências para a Itália, entre as quais se evidenciam o aumento da quota de emigração e mais favoráveis tratados comerciais.
Os Franco-Canadianos avançam na Nova Inglaterra em mancha de azeite, acompanhados dos seus sacerdotes,