25 DE ABRIL DE 1957 767
conferências ou cursos especiais por individualidades estrangeiras de renome.
Somaram 186 as escolar, institutos, laboratórios e centros de estudos e agrupamentos científicos subsidiados pelo Instituto de Alta Cultura até 1905: 40 no Porto, 40 em Coimbra e 1U6 em Lisboa, tendo-se gasto com eles 13 800 contos.
Dos 31 centros de estudo criados, 8 foram no Porto, 7 em Coimbra e 16 em Lisboa, todos dotados de boas instalações, aparelhagem, material e suficientes elementos bibliográficos, e o número das respectivas publicações já excede um milhar.
A partir de 1944, o Instituto de Alta Cultura colabora com a Fundação Rockefeller, concede subsídios o reforça os legados Assis Vaz e Nobre, estos administrados pela Faculdade de Medicina do Porto.
O Instituto de Alta Cultura criou em 1937 o serviço de inventariação da bibliografia científica existente em Portugal, hoje denominado Centro de Documentação Científica; um serviço de microfilmes e fotocópias, instalado em 1949, permite a leitura dos seus materiais e empresta aparelhos de leitura a diversos centros, dando Também assistência técnica e orientação aos diferentes serviços de microfilmes em organização.
O Centro de Documentação Científica tem distribuído a bibliotecas portuguesas e estrangeiras muitos milhares de volumes de publicações portuguesas, periódicos, separatas, duplicados, etc., e, por seu lado tem recebido vários milhares de publicações estrangeiras de interesse para as suas actividades próprias ou destinadas a bibliotecas; a este sector cabe também desenvolver os serviços de bibliografia, normalizar a documentação e o respectivo ensino.
lia quo exaltar a acção do Instituto de Alta Cultura operada no sentido de facilitar a realização dos estágios regulamentares dos alunos de Engenharia e Indústrias Têxteis, inexistentes ou muito atrasados entre nós, mas do maior interesse para a metrópole e ultramar; para tal fim, promoveu a filiação de Portugal na Associação Internacional para Trocas de Estudantes, contando-se já muitos dos nossos alunos finalistas de Engenharia que foram subsidiados para realizar os seus estágios em centros especializados estrangeiros.
Também a educação artística mereceu a atenção do Instituto de Alta Cultura, havendo concedido até 1955 cerca de 1200 contos anuais em bolsas de estudo, dentro e fora do Pais. a artistas plásticos, de artes gráficas e de música, a estudos de cerâmica e de coreografia; alem destas actividades, criou centros de estudo, subsidiou a publicação de livros de arte ou de cultura artística, organizou exposições, conferências e reuniões e dou assistência aos conservatórios, academias, sociedades corais, institutos de música, orquestras filarmónicas, etc. De 1929 a 1905 o número de bolseiros de música foi de 120.
Sr. Presidente: cabe ao Instituto de Alta Cultura a responsabilidade do intercâmbio e expansão da cultura portuguesa e a representação em congressos e outras missões científicas. Para tal efeito, abriu cátedras, leitorados, ensino nas principais Universidades da Europa, aulas em que passaram a ministrar-se ensinamentos da língua portuguesa: criou seminários, centros ou institutos de português nas Universidade!) de Inglaterra (Londres, Oxónia, Liverpul e Leeds), França (Paris e Instituto Católico de Paris. Tolosa, Bordéus, Mompilher, Poitiers, Aix-en-Provence, Estrasburgo, Beiras, Argel e Centro Universitário de Nice), Alemanha (Berlim, Hamburgo, Colónia, Bona, Heidelberga, Munique e Lipsia), Espanha (Madrid. Barcelona, Salamanca e Santiago de Compostela). Itália (Itoma e Nápoles), Holanda (Amsterdão), Polónia (Lwow), Bélgica (Bruxelas), Suíça (Zurique) e União Sul-Africana (Joanesburgo).
As cátedras e leitorados estão providos de bibliotecas especializadas e a sua actividade cultural, com o labor docente, promove a organização de leituras, recitais de poesia, concertos de música clássica e popular, ciclo de conferencias, etc.
O nosso prestigio cultural em França-sempre crescente após a presença dos nossos primeiros bolseiros, entre os quais figurava o actual e ilustre Ministro da Educarão Nacional, Prof. Leite Pinto- levou à inclusão, a partir de 1946. da língua portuguesa nas licenciaturas de Filologia Românica das Faculdades de Letras; nas Universidades de Paris, Poitiers, Mompilher, Aix-on-Proveneo, Argel, líeims, Estrasburgo e Tolosa o português entra nas provas de bacharelato desde 1950. Muito» professores e estudantes estrangeiros recebem do Instituto bolsas de estudo para virem a Portugal frequentar os cursos de férias.
Com este notável trabalho de integração da civilização portuguesa no âmbito espiritual do mundo da cultura D o Instituto de Alta Cultura despendeu até 1955 mais de 23222 contos.
Sr. Presidente: como já afirmei, patrocinaram-se ainda as iniciativas culturais das comunidades portuguesa do Norte de África, dos Estados Unidos da América e do Extremo Oriente; organizaram-se exposições de livros portugueses em Berlim, Paris, Roma e Madrid; criou-se a Sala de Portugal na Exposição Permanente do Bureau International d'Éducation, de Genebra, e pelos seus serviços o Instituto de Alta Cultura colaborou no I Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros de Washington, em 1950.
A acção do Instituto tem-se revelado com eficiência nos centros culturais de maior projecção; muitas têm sido as teses de doutoramento ou de concurso, os trabalhos e estudos sobre história, literatura e outros temas portugueses que nos últimos anos foram apresentados às Universidades e institutos estrangeiros.
O Instituto do Alta Cultura organizou até 1955 cerca de quarenta congressos nu manifestações internacionais de cultura, com os quais se despenderam para cima de 5000 contos.
O Instituto vem concedendo todos anos subsídios às Faculdades de Letras de Lisboa e de Coimbra para auxílio das despesas com a organização de cursos de férias destinados a estrangeiros.
Com base no Acordo de Cooperação Intelectual entre Portugal e o Brasil, o Instituto criou, em regime de reciprocidade, cadeiras de estudos portugueses nas Universidades do Rio de Janeiro e de S. Paulo; organizou em S. Paulo uma exposição de livros portugueses; estabeleceu um entendimento com o Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro: promoveu-se o intercâmbio de professores universitários, a fim de realizarem conferências, e de bolseiros - portugueses para procederem a investigações no Brasil e brasileiros para realizarem estudos em Portugal. As verbas gastas com a execução deste acordo somam mais de 1000 contos».
Sr. Presidente: além do magnífico labor que sumariamente apontei, outro campo ocuparia as atenções do Instituto de Alta Cultura: os estudos da energia nuclear.
«Em 1952 o Instituto de Alta Cultura encarregou-se de concretizar as providências necessárias ao aproveitamento racional da energia nuclear; para isso criou-se a Comissão Provisória de Estudos de Energia Nuclear, que iniciou os seus trabalhos por: montagem de um laboratório de física, em Lisboa; apetrechamento de duas secções de física, no Porto e em Coimbra; aquisição de aparelhagem para três secções de um laboratório de química e metalurgia do urânio e para duas secções de geologia e minerologia; criação de um laboratório de electrónica, e concessão de bolsas de estudo,