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3500 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 139

à estruturação geral cio turismo de modo a abranger todo o País.
Só assim se poderá evitar que os excedentes turísticos que as outras regiões privilegiadas não possam comportar sintam a amarga desilusão de não encontrar alojamentos convenientes e procurem o ponto de saída mais próximo na fronteira para obterem no país vizinho aquilo que não lhes podemos fornecer.
Em 1962 construíram-se em Portugal 37 hotéis, com a capacidade de 822 quartos, e iniciou-se a construção de mais 18 unidades, com 1259 quartos. A publicação donde extraí estes números não diz a localização desses hotéis, mas estou em crer que do Mondego para norte se terão construído, quando muito, três ou quatro.

O Sr. António Santos da Cunha: - V. Ex.ª dá-me licença?

O Orador: - Faz favor.

O Sr. António Santos da Cunha: - Poderá V. Ex.ª ter mais uma certeza: que a quase totalidade desses quartos foram construídos na cidade de Lisboa.

O Orador: - Muito obrigado pela informação, que, veio confirmar aquilo que afirmei.
Ora, um estudo cuidado do problema e das possibilidades turísticas das regiões do Norte do País levaria, com certeza, ao estímulo de iniciativas que levassem à construção de hotéis em localidades de mais representação e que encabeçassem uma região turística.
E não seria necessário construir palaces com preços proibitivos; como em tempos se pensou nos organismos responsáveis pelo turismo, tanto mais que, segundo o relatório já citado, «se verifica que a maioria dos turistas tende para os hotéis de categoria média».
Além da construção de hotéis asseados e acolhedores, ainda se impõe a necessidade de dotar as regiões do interior com parques de campismo destinados, principalmente, aos desportistas desta modalidade e ao turista menos abonado, pois todos eles têm direito a receber a assistência mais adequada ao seu modo de ser e ais suas possibilidades.
Este facto não passou despercebido no relatório que se comenta, pois ali se diz que:

O aumento nos preços dos hotéis e o aumento dos automóveis empregados pelos turistas leva a criar o aumento da popularidade dos campes de campismo e férias no campo.

Começa a esboçar-se no interior do País esse movimento da criação de parques de campismo.
A frequência notada pelos turistas paia certas áreas turísticas traz a necessidade de formar novos centros de turismo, para evitar a superlotação nas férias.

Em Portugal, segundo relatórios oficiais, estão a ser criados novos centros que oferecem maiores possibilidades aos turistas.

Assim se terá processado para o Sul do País, mas a verdade é que ainda não descortino para o Norte qualquer movimento válido em tal sentido. A lei prevê a criação de diversos tipos de organismos turísticos, com acção em diferentes áreas do turismo.
A iniciativa, neste caso, é dada aos órgãos administrativos locais e terá de correr a via-sacra da burocracia para que se consiga o objectivo em vista, a menos que as petições formuladas fiquem esquecidas um qualquer gaveta da secretária do qualquer funcionário menos expedito.
Ora, para uma boa estruturação da campanha turística, havia necessidade da ordenação de um mapa do território onde se assinalassem as possibilidades turísticas de cada região, englobando os seus panoramas, os seus monumentos, as vias de acesso, o seu folclore, a cozinha regional, etc.
E, verificados todos os pressupostos, o organismo responsável pelo turismo tentaria fazer a respectiva cobertura turística dessa região, criando os seus órgãos directivos, tornando-a conhecida através de uma propaganda eficaz.
Tanto bastava para que algumas regiões ignoradas até ao presente viessem à primeira linha das actividades turísticas e colhessem os benefícios dessa mesma actividade.
Estou confiado em que será cumprida a afirmação do Sr. Subsecretário de Estado da Presidência do Conselho quando promete o estudo e planificação do desenvolvimento turístico no País e muito me satisfaz também a informação de que «iria ser considerado o equipamento hoteleiro, praticamente inexistente em algumas zonas».
Com o interesse natural e bem justo que todas as regiões alimentam de ver valorizadas as suas possibilidades turísticas, não faltará ao ilustre estadista responsável pelos problemas do turismo nacional o apoio decidido de todos os habitantes dessas mesmas regiões, porque, trabalhando para o seu engrandecimento e progresso, contribuem, de igual forma, para o progresso e engrandecimento do País.
Quanto a mim, para o efeito de se poder exercer uma acção coordenadora mais eficaz, julgo que dos diferentes organismos previstos na lei a região de turismo será o mais recomendável.
Ela evitaria a dispersão de esforços das pessoas interessadas, concentraria mais receitas e evitaria que os pequenos orçamentos das comissões municipais de turismo, juntas de turismo e zonas de turismo fossem quase que absorvidas por ordenados.
Não podem estes organismos abalançar-se a qualquer iniciativa de vulto por lhe faltarem as disponibilidades financeiras necessárias.
Ora uma região de turismo que congregue vários concelhos, com representação nos respectivos corpos directivos, poderá com mais eficácia elaborar o seu plano de actividades em ordem a um mais perfeito equipamento turístico e cobertura dessa região.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Quem acompanhar os orçamentos destes diferentes organismos poderá chegar à fácil conclusão de que assim é.
Os dirigentes da região, mais conhecedores das suas possibilidades turísticas, seriam os melhores colaboradores do Secretariado respectivo, elaborando roteiros turísticos com vista aos monumentos e panorâmica da região, às zonas de caça e pesca, aos locais onde o folclore e o artesanato mais se distinguirem, àqueles em que existam especialidades culinárias regionais, etc.
Seriam eles os mais aptos para sugerirem o local mais apropriado para a construção de hotéis, parques de campismo e piscinas.
Ainda poderiam eles próprios tomar a iniciativa da construção de pequenos paradeiros em pontos privilegiados das estradas onde o turista poderia gozar as maravilhas do panorama e as delícias de uma bebida refrescante enquanto repousava dos quilómetros andados.
Trata-se, efectivamente, de um órgão turístico mais robusto e com mais capacidade de acção, susceptível de ser um auxiliar precioso no planeamento nacional do turismo.