DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 143 2612
padres missionários do Coração de Maria em boa hora fundaram.
Foi em 1950 que a Província Portuguesa desta Congregação comprou um terreno, no âmbito da Cidade Universitária, com a finalidade de ali construir um colégio e assim colaborar, positivamente, na solução do problema universitário português.
O projecto inicial foi pensado para 150 estudantes; no entanto, posteriormente, após mais reflexão e estudos, julgou-se conveniente, pêlos aspectos pedagógicos, reduzir o projecto para 110.
O projecto para a sua realização foi dividido em três fases. As obras da l.ª, para 60 estudantes, começaram, com a bênção da primeira pedra, em 29 de Agosto de 1955 e terminavam em 25 de Maio de 1957, data em que o então núncio apostólico em Lisboa, hoje cardeal D. Fernando Cento, grande amigo de Portugal, benzia a cripta da futura igreja e a casa para que, em Outubro desse mesmo ano, se enchesse a mesma com a primeira leva de estudantes.
Foram árduos os primeiros anos, pois foi preciso formar escola, criar mentalidade.
Ao fim de cinco anos comprovou-se que se tomava necessário caminhar para a construção da 2.ª fase, pois muitos pedidos deixavam de ser atendidos, e assim chegar ao número de 110 a 120 do projecto.
Com a subida do custo de mão-de-obra e das materiais foi muito difícil encontrar solução para o financiamento desta 2.ª fase, apesar de o então Ministro do Ultramar, Prof. Doutor Adriano Moreira, a quem som dúvida a iniciativa ficou a dever imenso, ter concedido um subsídio de 3000 coutos. No entanto, as obras começaram e em Agosto de 1963, pois a, vontade férrea de quem tem dirigido o Colégio todas os dificuldades soube vencer - refiro-me ao seu director, Rev.° P. Joaquim António de Aguiar -, o Colégio possuía já uma capacidade de 125 estudantes, com salas de convívio, salas de estudo, biblioteca, etc.
Uma das orientações fundamentais que o Colégio tem seguido é dar aos seus estudantes um sentido de responsabilidade que cabe à juventude de hoje no desenvolvimento da Pátria, assegurando, primeiramente, a integridade nacional, e assim o Colégio Universitário de Pio XII esteve sempre virado de alma- e coração para os problemas do ultramar e durante estes anos fez uma autêntica doutrinação no meio universitário. Segundo um recto critério, admitiu sempre uns 50 por cento de estudantes do ultramar, contribuindo desta forma paru uma verdadeira integração da juventude universitária ultramarina com a metropolitana, o que é muito de louvar.
Através deste processo, único que julgo válido, houve um mútuo enriquecimento: o universitário ultramarino recebe uma visão mais ampla e dinâmica da Pátria e recebe do metropolitano um sentido mais estável da Pátria, através de uma tradição multissecular.
Outro pilar do Colégio Universitário de Pio XII é a educação e vida cristã e familiar que se procura dar aos nossos estudantes por todos os processos e modos postos ao seu alcance. É essencial, é básico, para a educação da juventude este princípio.
O Colégio Universitário de Pio XII é considerado uma instituição de grande influência cultural no meio académico, com um grande hinterland no meio lisboeta. A vida cultural tem uma grande importância, pois todos os seus alunos estão integrados, através da sua inscrição totalmente livre, em cinco seminários o seis centros. Trabalham no Colégio com actividades a nível colegial e a nível externo os seminários de Ciências Jurídicas. Ciências Sociais, Políticas e Económicas, seminário de Cultura Religiosa- de Ciências Médicas e de Engenharia e os centros de Cultura Musical, Teatro, Cinema, Humanidade e Cultura Europeia, de Idiomas, Desportivo e Centro Ultramarino.
O Colégio tem realizado obra a nível internacional através dos Encontros Europeus de Universitários, realizados em 1965, 1966 e 1967, em Lisboa, e está preparado o IV Encontro a realizar este ano. Estes Encontros são de um alcance extraordinário, como tenho tido oportunidade de verificar pessoalmente. Constam de actividades culturais, jogos florais, colóquios, noites de teatro e actividades desportivas.
Tem sido possível congregar em Lisboa uns 200 universitários e interessá-los nestas actividades.
O Colégio Universitário de Pio XII precisa de desenvolver o seu plano inicial, isto a bem da Nação, e assim é urgente construir a 3.ª fase, que constará de um pavilhão para uns vinte diplomados, um ginásio e várias instalações desportivas. Na verdade, um recém-diplomado precisa de um amparo amigo nos primeiros anos da sua vida profissional e a direcção do Colégio Universitário de Pio XII quereria ter instalações próprias para os seus jovens diplomados e ajudá-los assim a vencer essas dificuldades iniciais. É uma obra de extensão universitária e seria a primeira a fazer-se entre nós. O Colégio continua a querer manter a sua posição do pioneiro.
Está já em organização a associação dos antigos alunos do Colégio Universitário de Pio XII, no intuito de se continuar, através dela, a acção e influência moral e cultural do Colégio.
Sr. Presidente: Ao salientar aqui, a traços largos, a obra meritória do Colégio Universitário de Pio XII desejo prestar a minha comovida homenagem à memória do grande Pontífice que é seu patrono, farol de luz a iluminar o Mundo o coração magnânimo debruçado sobre a humanidade, sofredora.
Na minha cidade natal foi erguido - orgulho-me dessa iniciativa - um monumento de bronze que representa a homenagem da arquidiocese e cidade primaz ao egrégio Pontífice que tantas e tão largas provas deu da sua carinhosa amizada por Portugal e de compreensão para a sua tarefa civilizadora em terras do ultramar e ainda de apreço pela acção dos seus governantes na nossa era.
Creio, no entanto, que o verdadeiro monumento que em Portugal está erguido à memória do saudoso Pontífice - monumento vivo que resplandece os cuidados do grande Pio XII pela educação das novas gerações - é o Colégio Universitário que tem o seu nome, instituição com larga influência em todo o sector universitário, como acima digo, e merecedora do carinho e respeito de todos os responsáveis pêlos problemas; da educação. Não admira, pois, que ele tenha o apreço do Episcopado Português, nomeadamente de Sua Eminência o Sr. Cardeal-Patriarca de Lisboa, contando também no número dos seus dedicados amigos o meu venerando prelado, S. Ex.ª Rev.ª o Sr. Arcebispo Primaz, que muito estima e considera a acção educativa desta grande instituição que bem serve a Igreja e a Pátria.
Sr. Presidente: Louvei, no início das considerações que estou fazendo, a preocupação do Ministério da Educação Nacional quanto aos lares e colégios universitários.
De facto, já em Junho de 1955 se prometeram providências quanto a estes assuntos; porém, somente em 11 de Janeiro de 1966 é que foi publicado o decreto que trata a fundo o problema. O decreto é precedido de um preâmbulo de seis números em que se assentam, além dos factos, os princípios que iriam orientar esta matéria.