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156 I SÉRIE - NUMERO 6

Nesse preciso sentido, o 25 de Novembro não representa apenas a contenção militar de um golpe totalitário, representa sobretudo um forte movimento nacional, democrático e patriótico.
Cremos que reter daquela data uma visão predominantemente militar seria erro e simplificação grosseira.
Não nos esquecemos da participação popular em Monte Real, em Cortegaça, em Rio Maior, noutros pontos do Pais.

Vozes do PSD: -- Muito bem!

O Orador: - Não nos esquecemos da acção de muitos militantes e quadros dos partidos democráticos como o PSD, o PS, o CDS e o PPM na contenção daquele golpe.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

O espirito que então nos uniu é uma certeza para o futuro de que, se a independência nacional perigar, ou quando a consolidação do regime democrático for requerida, os democratas saberão o lado onde se deverão encontrar.
O 25 de Novembro não pertence, pois, a ninguém em particular, mas ao Pais e à democracia em geral.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador - Traduziu um consenso democrático, e não a acção de vanguardas. Representou uma cooperação de esforços entre o povo e as suas forças armadas.
Esse é para nós o sentido histórico do 25 de Novembro.
O mesmo não diremos do 26 de Novembro.
Alas, parece uma constante dos golpes político-militares a distinção que se torna necessário fazer entre os dois dias que se seguem a esses acontecimentos. Assim foi no 11 e 12 de Março. Assim é no 25 e 26 de Novembro.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - De ambos os acontecimentos não se fez ainda a sua história militar e política. Não estão esclarecidas as condições de Intervenção de alguns.
Há mesmo contradições vindas à luz do da quanto a estas intervenções. Aquelas não foram devidamente analisadas e o julgamento está por fazer. Em certa medida, o 25 de Novembro foi mesmo silenciado.
Existe uma cortina de silêncio à averiguação e à responsabilização pelo que se passou. Nunca que os democratas desejassem a extinção de algumas forças políticas, mas tão-somente o conhecimento e a responsabilização da sua eventual intervenção no golpe totalitário.

O Sr. Pedro Roseta (PSD): - Muito bem!

O Orador: - Em democracia não há extinção; há, isso sim, responsabilizações. Quem pretende extirpar a responsabilização da democracia limita o sentido da própria democracia.
Sabemos apenas que em momentos seguintes ao 25 de Novembro, o PC era quase ilibado, pela voz do actual presidente da Comissão Constitucional.
Essa a vertente nebulosa daquela data. Essa a face que é perceptível, mas de que se não conhecem elementos suficientes para a sua análise e compreensão. Essa ainda a vertente que torna incompreensíveis declarações certamente avalizadas por aqueles que assumiram organicamente a chefia da parte militar do movimento depois dessa data.
Como dissemos, o 25 de Novembro pertence à democracia, ao País. Não pertence a ninguém em particular. Se alguém pretender, pois, assumir como sua a liderança desse movimento, obviamente terá de o fazer na dupla vertente da libertação e do compromisso com as forças políticas que estiveram na origem do golpe totalitário ou que o levaram a cabo.
Assume, pois, a contradição, assume as duas faces da realidade e não só aquela que momentaneamente mas lhe possa convir.
Nesse sentido, as referências do Sr. Deputado Jaime Gama ao Sr. General Ramalho Eanes vêm acentuar essa dupla circunstância, essa contradição, assumida liminarmente.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador. - Não fomos nós que as fizemos; foi o Partido Socialista, pela voz de um seu porta-voz autorizado.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Este ano a data do 25 de Novembro é celebrada em momento de eleições para a Presidência da República. Há candidatos que se consideram como vencedores militares do 25 de Novembro. Há um candidato que se considera derrotado no 25 de Novembro. Outro há que silencia essa data, o que é compreensível face à sua lógica e objectivos políticos. Alas, e em rigor, não é de um candidato que se trata, mas de um catalisador de votos para outro candidato.

Vozes do PSD e do CDS: - Muito bem!

O Orador: - Outro ainda retém daquela data a noção de um movimento libertador e democrático, fruto de uma cooperação estreita e manifesta nesse momento entre os democratas portugueses civis ou militares, fardados ou não.
Estamos com ele e com os que assim pensam.
Não deixa de ser aparentemente paradoxal que os leaders das forças democráticas que sentiram o 25 de Novembro como uma salvação para a construção da democracia não estejam hoje solidários no campo político com o Sr. General Ramalho Eanes, então considerado como leader militar desse movimento.
Mais aparentemente paradoxal se torna o facto de o PC, então considerado como derrotado, apoiar hoje politicamente o Sr. General Ramalho Eanes.

Vozes do PSD e do CDS: - Muito bem!

O Orador: - As opções políticas são com certeza ponderadas e conscientes. Representam uma adequa-