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10 DE ABRIL DE 1981 1945

O Sr. Rui Amaral (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Em nome do Grupo Parlamentar do PSD, vou protestar contra aquilo que não posso deixar de considerar como a hipocrisia política do PS, quando aqui vem defender direitos dos trabalhadores, quando aqui vem defender uma política contra os aumentos dei preces, porque, é sabido que o faz de uma forma perfeitamente preconcebida e preparada, pois, enquanto foi governo, foi o partido que mais reprimiu os trabalhadores depois do 25 de Abril, foi o partido que mais agravou as suas condições de vida.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - O PS não tem a mínima moral para invocar a defesa dos trabalhadores. O PS só é capaz de se pronunciar, aliás mais uma vez, a reboque do PCP.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM e protestos do PS.

O Sr. Presidente: - Para contraprotestar, tem a palavra o Sr. Deputado Gados Lage.

O Sr. Sousa Marques (PCP): - O Pedro Roseta até foi para a bancada do CDS! Sinal dos tempos!

O Sr. Carlos Lage (PS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Penso que o cúmulo da hipocrisia é não refutar a argumentação produzida e os factos aduzidos relativamente a uma situação que se vive (e que é actual) e a um problema candente que está em análise, mas, sim, invocar o passado, ainda por cima numa perspectiva distorcida, subjectiva e completamente falsa, para justificar aquilo que é injustificável. Isso é a hipocrisia. Aliás, é uma técnica permanente do PSD e da AD.
Relativamente à sua incapacidade governativa,...

O Sr. Manuel Moreira (PSD): - Não apoiado!

O Orador: - ... relativamente aos problemas que não são capazes de resolver, a AD utiliza o sistema de não negar que isso seja verdade ou de apresentar argumentos que justifiquem as suas soluções e as suas decisões. Mas dão um salto para o passado, fazem uma invocação de um passado, que ainda por cima analisam de uma maneira deformada e falsa. Isso ou é hipocrisia ou outra coisa ainda pior.
É esta a resposta que me merece o protesto do Sr. Deputado do PSD.

Vozes do PS: - Muito bem!

O Sr. Armando Teixeira da Silva (PCP): - Sr. Presidente, peço a palavra, para responder à pergunta colocada pelo Sr. Deputado Carlos Lage.

O Sr. Presidente: - O Sr. Deputado, eu dizia-lhe uma coisa: é que, como sabe, não lhe foi pedido esclarecimento nenhum, mas apenas uma manifestação de concordância.
Mas, porque a Mesa deferiu a intervenção do Sr. Deputado Carlos Lage a título de esclarecimento, tem V. Exa. a palavra, por três minutos, para responder ao pedido de esclarecimento do Sr. Deputado Carlos Lage.

O Sr. Armando Teixeira da Silva (PCP): - Sr. Deputado Caídos Lage, estou inteiramente de acordo com o seu protesto relativo as últimas intervenções feitas por ministros da AD, servindo-se de órgãos da comunicação social - que são pagos pelo povo - para atacar esse mesmo povo.
Dado que não houve perguntas das bancadas da AD, queria referir que a minha intervenção representa a realidade do que se passa neste momento no nosso país e é um sério aviso para aqueles que pretendem prosseguir com uma política antioperária e antipopular, como a que este governo está a fazer, de que os trabalhadores portugueses saberão manter-se firmes e determinados na luta pela defesa dos seus interesses, pela defesa da democracia e da Constituição da República Portuguesa.

O Sr. António Vitorino (UEDS): - Muito bem!

O Orador: - A AD perdeu já nas últimas eleições e certamente continua a perder. Hoje, são já muitos mais milhares de trabalhadores que vêem qual é a verdadeira face da AD através dá política que realiza no dia-a-dia.

Aplausos do PCP e do MDP/CDE.

O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, faltam quinze minutos para o encerramento do período de antes da ordem do dia, e a Mesa tem ainda por discutir e votar diversos votos, sendo alguns deles datados de há mais de um mês.
Ponho à Assembleia o problema de saber se os Srs. Deputados entendem mais oportuna a discussão desses votos ou que se prossiga com as intervenções, para as quais há inscrições. Parece realmente de interesse discutir e votar os votos que estão na Mesa.
Tem a palavra o Sr. Deputado Pedro Roseta.

O Sr. Pedro Roseta (PSD):-Sr. Presidente, nós sugerimos que se aplique, neste caso, uma justiça salomónica e se divida o número de votos existentes em duas ou três partes.
Não me parece que prestigie muito esta Assembleia votar, hoje ou noutro dia qualquer, cinco, seis, sete, oito votos numa única sessão. Isso é a desvalorização dessa actividade do período de antes da ordem do dia.
Sugerimos que se votem, num período a determinar nesta sessão, três ou quatro dos votos mais antigos, e não mais.
Portanto, sugeríamos que fosse dada a palavra ainda a mais um ou dois deputados para fazerem intervenções no período de antes da ordem do dia e que depois a Mesa seleccionasse os três ou quatro primeiros votos apresentados e deixasse os outros para amanhã.

O Sr. Presidente: - Então, Sr. Deputado Pedro Roseta, eu sugeria o seguinte: há um primeiro voto que está na Mesa, que foi justamente apresentado pelo seu partido, que foi entregue no dia 5 de Março e referente ao sindicalista brasileiro Lula. Penso que