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1952 I SÉRIE - NUMERO 51

solução que libertei as repúblicas da ameaça que sobre elas impende.

As repúblicas, independentemente do que possam significar pela sua tradição e cultura, valem também pela importante função social que inegavelmente desempenham. Com efeito, elas constituem a única solução económica viável que se oferece a muitos estudantes que, de outra maneira, teriam que abdicar da sua legítima vontade de prosseguir estudos universitários.
Assim aconteceria necessariamente aos jovens oriundos de famílias sem orçamento capaz de suportar os preços cada dia mais especulativos a que se alugam os quartos ou se pratica o regime de pensão completa em casas particulares.
Nas repúblicas, as despesas fazem-se de acordo com as disponibilidades colectivas e repartem-se segundo os princípios da equidade e da solidariedade. De forma idêntica, são distribuídas as tarefas e as responsabilidades do governo da casa. Deste modo, realizam os jovens uma vivência democrática e uma aprendizagem de vida comunitária que muito determinaram e determinam a sua formação cívica e humana; deste modo, realizam os jovens no seio dessa microssociedade que antecipa a sua entrada na vida macrossocial, uma importante e por vezes decisiva experiência de comparticipação responsável. Fruto directo dessa aprendizagem e dessa experiência pode dizer-se o papel representado pelas repúblicas de Coimbra no tempo da ditadura, nomeadamente no decurso dos anos sessenta. Reflexo dessa vivência democrática, as repúblicas foram um baluarte significativo da resistência ao fascismo e da luta pela autonomia universitária, pela liberdade de expressão e de reunião.
Acresce assim o valor formativo desta convivência doméstico-académica, geradora, por outro lado, de indestrutíveis laços de amizade e companheirismo. No plano afectivo, o saldo traduz-se, como não podia deixar de ser, numa indizível e persistente saudade que acompanha cada repúblico pela vida fora, saudade essa que apenas sossega nos breves reencontros ocasionados pelos alegres e típicos centenários que todos os anos se comemoram.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: As repúblicas correm o risco de se extinguir. Por isso, os estudantes apelam, e aqui me faço eco desse apelo, para todos os antigos repúblicos e para quem quer que seja sensível à sua tradição e à sua importância social e cultural.
Proponho, pois, em nome do Grupo Parlamentar do PCP, que a Comissão de Cultura e Ambiente estude e intervenha na questão procurando resolvê-la em colaboração com outras estruturas envolvidas ou potencialmente interessadas, como sejam a assembleia de repúblicas, solares e casas de estudantes, a Associação Académica de Coimbra, a Reitoria da Universidade e a Câmara Municipal de Coimbra.

Aplausos do PCP, do PSD, do PS, do CDS, do PPM, da ASDI, da UEDS. do MDP/CDE e da UDP.

O Sr. Oliveira Dias (CDS): - Peço a palavra, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Tenha a bondade.

O Sr. Oliveira Dias (CDS): - Sr. Presidente, nos termos regimentais e de acordo com as consultas que tive oportunidade de fazer aos restantes partidos, queria solicitar um intervalo de 30 minutos para uma reunião do meu grupo parlamentar.
Entretanto, e se V. Exa. me permitir, gostaria de, desde já, manifestar o apreço e o aplauso que merece ao Grupo Parlamentar do CDS a intervenção que acaba de ser feita por um deputado do Partido Comunista.

O Sr. Daniel Bastos (PSD): - Peço a palavra.

O Sr. Presidente: - Para que efeito, Sr. Deputado?

O Sr. Daniel Bastos (PSD): - Sr. Presidente, é para proferir uma intervenção de cinco minutos.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado, face ao requerimento que acaba de ser formulado, de momento não pode usar da palavra.
Defiro, portanto, o requerimento formulado pelo Sr. Deputado Oliveira Dias de suspensão dos trabalhos por 30 minutos aos quais acrescem outros 30 minutos correspondentes ao intervalo habitual e convoco os líderes dos grupos parlamentares para uma reunião a realizar de seguida no meu gabinete.

Está suspensa a sessão.

Eram 17 horas e 5 minutos.

Após o intervalo, assumiu a Presidência o Sr. Vice-Presidente José Vitoriano.

O Sr. Presidente: - Está reaberta a sessão. Eram 18 horas e 45 minutos.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Carlos Lage.

O Sr. Carlos Lage (PS): - Sr. Presidente, nós vamos utilizar os cinco minutos que nos cabem no prolongamento do período de antes da ordem do dia. No entanto, atendendo a que, após este período de prolongamento, teremos pouco tempo para o debate da matéria agendada para o período da ordem do dia, propomos aos restantes grupos parlamentares, através da Mesa, que esta sessão seja prolongada até às 20 horas e 30 minutos ou até às 21 horas a fim de podermos cumprir essa mesma agenda.
Gostaria que os outros grupos parlamentares se pronunciassem sobre esta proposta que penso ser indispensável para que esta sessão não fique reduzida ao período de antes da ordem do dia.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Mário Raposo.

O Sr. Mário Raposo (PSD): - Sr. Presidente, entendo que não há uma razão imperativa que determine um regime excepcional pelo que, em princípio, o Grupo Parlamentar do PSD é favorável a que os nossos trabalhos terminem à hora regimental.

O Sr. Presidente: - O prolongamento pedido pelo Sr. Deputado Carlos Lage só pode ser feito desde que haja consenso por parte da Câmara. Como não há...