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1256 I SÉRIE - NÚMERO 37

mados são capazes de decidir do futuro dos seus e da sua Pátria.
Creio, portanto, que seria essencial que a Assembleia da República (e se o faz pela minha voz não será isso o mais importante) não deixasse passar no silêncio este acontecimento, o qual, por ser o primeiro e por ser a primeira reunião dos jornalistas portugueses em congresso, mereceria uma palavra de saudação que daqui quero dirigir.

Vozes da ASDI e do PCP: - Muito bem!

O Orador: - Direi ainda, neste momento, que a realização desse congresso e desse reflectir sobre uma actividade reveste também um segundo grau de importância, dado que se situa no meio de uma crise que, por ser uma crise política, económica e social, também ela pressupõe o papel da informação, no sentido de elucidar as razões dessa crise, de esclarecer dos seus fundamentos e das suas motivações, de acompanhar a procura de soluções e de alicerçar, portanto, a busca de caminhos para o futuro. Creio que, também aqui, o papel de consciencialização dos cidadãos se torna indispensável não só para que eles possam escolher e optar, como também para que possam, em consciência e em liberdade, evitar ser perturbados por acontecimentos superficiais ou golpes de teatro, mas, ao invés, a verificarem a realidade das coisas, a transparência das atitudes, ou a sua falta de transparência, o assumir de responsabilidades ou a fuga a elas.
Se tratei de um tema sério e com toda a seriedade, seja-me permitido, Sr. Presidente e Srs. Deputados, que termine dizendo que há uma sabedoria popular evidente que acompanha todas as crises e todas as circunstâncias, mas que não é suficiente, embora seja útil, embora seja boa. Hoje, por exemplo, quando vinha a caminho desta Assembleia encontrei um meu colega de escola, agricultor em Almeirim, que me dizia: «nisto do governo que se vai formar há uma coisa que é preciso esclarecer - é que há melões que não é preciso abrir, há coisas que são parecidas com melões, mas que toda a gente sabe que são abóboras!»

Risos e aplausos da ASDI, do PS, do PCP, da UEDS e da UDP.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Mário Tomé.

O Sr. Mário Tomé (UDP): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Em primeiro lugar queria dizer ao Sr. Deputado Lemos Damião que não tenho nenhuma má vontade contra ele.

O Sr. Lemos Damião (PSD): - Pode ter!

O Orador: - Quando há bocado fiz um aparte foi só para o ajudar. Se tivesse tido em consideração esse aparte não iria dizer a asneira que disse, ou seja, que os nossos têxteis estariam «safos» com a entrada para a CEE. O meu aparte foi, exactamente, para sublinhar a sua afirmação de que os têxteis são uma indústria que, normalmente, existe nos países menos desenvolvidos. O que lhe disse foi só que, por sinal, eles são os que mais mal vestidos andam...

O Sr. Lemos Damião (PSD): - Mas o senhor anda bem vestidinho!

O Orador: - ... e isso dir-lhe-á alguma coisa acerca da nossa possível entrada para a CEE.

Sr. Presidente, Srs. Deputados, aproveitando estes breve minutos, queria fazer uma referência à FÉIS - Fábrica-Escola Irmãos Stefan -, que é uma fábrica antiga, fundada em 1769, e que já é centenária sobre, digamos assim, a direcção do Estado. É uma fábrica que tem formado dos mais magníficos artistas na indústria do vidro, que tem sido um exemplo e uma escola para a indústria vidreira e de onde têm saído centenas, senão milhares, de grandes artistas do vidro. Ora, esta fábrica encontra-se numa situação de pré-falência, de possível encerramento e de despedimento dos cerca de cinco centenas e meia de trabalhadores. E tudo isto perante a passividade, diria, do Governo e da AD, porque já desde 1980 que os trabalhadores alertam as entidades competentes, o Ministério da Indústria, o Secretário de Estado de então, Baião Horta, para aquilo que se tem estado a passar, para a degradação sucessiva e permanente da Fábrica Irmãos Stefan.
Eu disse «perante a passividade do Governo», mas isto não corresponde à verdade, porque o Governo não tem estado passivo. O Governo tem estado activo, mas essa actividade tem sido exactamente no sentido que não interessa aos trabalhadores, nem à escola, nem à fábrica, nem à indústria do vidro, nem ao País, nem a ninguém, é uma actividade permanente e buliçosa para liquidar tudo aquilo que não está nas mãos dos monopólios, tudo aquilo que não está nas mãos das famílias que dirigem, ou que querem dirigir, a economia. E isto da mesma forma que se pretende liquidar a Messa, etc, empresas de grande capacidade tecnológica e técnica, com grandes capacidades de encomendas do estrangeiro. O Governo tem levado a cabo, sistematicamente, uma política de liquidação dessas empresas. E é o que se passa também com a Fábrica Irmãos Stefan. Má gerência, dir-se-á! Só há má gerência quando se põem lá maus gestores. Mas não há só má gerência, há também corrupção nessa gerência, e o Governo nada quis saber. Foi posto um computador na Fábrica Irmãos Stefan e para o utilizar não foi preparado nenhum dos trabalhadores pertencentes à fábrica. O gestor que lá pôs esse computador, algum tempo depois tinha um computador em sua casa, deixando a gerência da fábrica. E agora, com esse computador, que é da mesma marca do que foi para a fábrica (e que está a trabalhar a 5% ou 10% da sua capacidade), está em casa a fazer trabalhos, possivelmente (não o posso garantir, mas é quase certo) para a pobre fábrica.
Esta é uma situação intolerável. Os próprios trabalhadores, para conseguirem falar com o Secretário de Estado, tiveram quase que acampar no Ministério e, assim, impor a sua presença. E depois os Srs. Deputados gritam: «ai da democracia», queixando-se que os trabalhadores tomam determinadas atitudes. Mas são as únicas que eles podem tomar e que lhes permitem, já não digo impor a sua vontade, mas apenas ter acesso aos órgãos longínquos e sobranceiros do poder e do Governo. Claro que ouviram a promessa de que tudo iria ser reposto e de que tudo se iria tentar! Há uma coisa que este Governo e a AD têm feito que é ir «enfiando bochechos» financeiros para dentro das empresas para as ir aguentando, para ir pagando os salários até aqui e até ali (sempre abaixo daquilo que devem pagar, deixando passar 1 mês, o 13.º mês, etc.), quando, com muito menos dinheiro que fosse investido na devida altura, teriam provocado o saneamento económico das empresas.