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1 SÉRIE - NÚMERO 93

o plano quinquenal de 1983-1987 previa um aumento de 140 000 camas. 15to diz bem da importância e prioridade do sector naquele país e do muito que há a mudar e a fazer em Portugal.
A promoção é cara e terá de ser adequada aos sectores e estratos económicos e sociais que mais interessam a Portugal.
Presentemente, os 700 000 contos para promoção correspondem apenas a 0,5 % das divisas entradas, enquanto internacionalmente se recomenda que essa verba ronde os 3,5 elo a 5 %. Mas, para lá da criação de estruturas de entretenimento, é indispensável que nas zonas de veraneio se ponha fim aos cães vadios, se eliminem os barulhos ensurdecedores das motorizadas e a que a qualidade e a limpeza sejam rigorosas, havendo de ter a coragem de fechar os estabelecimentos que reincidam em não cumprir as regras estabelecidas.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Daí que o Plano Nacional de Turismo possa e deva ser aprovado com urgência, já que está elaborado em bases aceitáveis.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Quanto ao incremento das relações turísticas com os países de expressão portuguesa, em particular os do continente africano, considero-o imperativo e conveniente. Imperativo, pelos especiais laços históricos que temos para com esses povos podendo e devendo colaborar em tudo o que nos for possível. Conveniente, porque as nossas principais empresas turísticas, à semelhança do que já se verifica com a Estoril-Sol Internacional, em Moçambique, poderão pôr a sua experiência no domínio da construção e gestão ao serviço desses países, com vantagens recíprocas.
Do mesmo modo, se terá de reforçar o intercâmbio no domínio da formação profissional, de que é exemplo o bom trabalho desenvolvido pelo Instituto Nacional de Formação Turística.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Frequentemente passamos o tempo a lamentar o que não temos e não exploramos convenientemente o que temos. O turismo é um desses exemplos.
As potencialidades do País são enormes. E se se fala mais do Algarve, Madeira ou Estoril é porque são os mais conhecidos. Por mim, defendo mais o Algarve, por um lado porque sou deputado eleito por esse círculo, mas também por que entendo que o Algarve, sendo a «porta de entrada» do turismo internacional em Portugal, tanto pela boa qualidade de alguns alojamentos, como por comportar cerca de metade do número de camas hoteleiras do País, pode beneficiar todo o País através de uma boa imagem. O Algarve tem sobretudo as praias, mas noutras regiões, além de haver também praias, há ainda grandes potencialidades gastronómicas, culturais, históricas, artesanatos, bebidas, caça, paisagem, que se podem e devem desenvolver.
O desafio está aí. Saibam os Portugueses, e em particular os mais responsáveis, assumi-lo.

Aplausos do PSD.

O Sr. Presidente: - Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Lucas Pires.

O Sr. Lucas Pires (CDS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: A actual .situação política tem aspectos muito estranhos e deve ser motivo de séria interro-

gação para os Portugueses. Porque se há ainda uma útil função parlamentar, ela não pode deixar de consistir, neste momento, pelo menos, no maior esclarecimento e transparência desta crise aberta pela acção dos dois maiores partidos portugueses.
O primeiro facto estranho é este: Como é que depois da revisão constitucional uma crise política continua a circular apenas entre as direcções partidárias e o Palácio de Belém, sem que a Assembleia da República tenha sequer a possibilidade de um debate geral sobre ela? Como é que depois da revisão constitucional que limitou os poderes do Presidente da República, os partidos que desencadeiam a crise deixam inteiramente nas mãos do seu «adversário» histórico a solução da crise, ao ponto de ser visível que ambos conscenderiarn mesmo com um governo presidencial, ainda que de transição?
Ligada a esta, está uma segunda linha de pensamento também estranha: Como é que um governo que nasceu no Parlamento, e não directamente nas umas, não veio ainda aqui explicar a esta Câmara porque é que caíu? Porque é que um governo que nasceu do Parlamento anda a transformar numa campanha eleitoral a sua própria ruptura, em vez de começar por vir aqui explicar as razões pelas quais já não consegue governar Portugal.

O Sr. Narana Coissoró (CDS): - Muito bem!

O Orador: - 1á vimos todos os líderes do Partido Socialista - dois, pelo menos -, todos os líderes do Partido Social-Democrata - dois, pelo menos - na televisão e em reprise (num abuso até «eventualmente chocante»), mas a este Parlamento ainda não chegou nenhuma explicação autêntica do malogro deste Governo. O Governo, que nascera aqui, vai morrer a outro lado - some-se no ar como substância volátil, acaso inalcançável para os representantes legítimos do povo português.

Vozes do CDS: - Muito bem!

O Orador: - Continuamos sem saber sequer a razão pela qual o IX Governo Constitucional, nada menos do que o nono, acaba de sucumbir e receamos que nem sequer aqui possa ser feita a sua « autópsia».
E qual foi afinal a razão da crise? As nove medidas? É pouco, é pouco para quem invocou tão patrióticos empenhos no bloco central, para quem sacrificou tanto com o bloco central. É pouco, porque apesar de tudo não chega a uma medida por ministério, num Governo que tinha quinze ... As presidenciais? Aí, é demais. E demais para quem, depois de ter falado nas presidenciais, vem dizer ao País que quer legislativas antecipadas e para quem jurara compromissos até 1987, apesar dessas presidenciais. O medo da integração na CEE? É tarde para invocá-la, quando o que é necessário hoje em Portugal não é o medo da integração mas a coragem das reformas concretas para enfrentar essa mesma integração.
Não se sabe qual foi a razão. Sabe-se apenas que um novo round entre uma social-democracia agora «à alemã» e um socialismo ainda «à portuguesa», ou os insondáveis desígnios do «fado» e do «destino» que conduzem certos partidos, «levaram ao chão» mais um governo de Portugal. É pouco, muito pouco, para um governo que começou com a invocação de razões pa-