O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

440 I SÉRIE - NÚMERO 13

não se pode, levianamente, escolher o local para uma incineradora em Estarreja quando os ventos dominantes vão trazer as partículas venenosas, intoxicantes - os furanos e as dioxinas - directamente para Aveiro, cidade com uma população assinalável.
Também não se pode escolher Vagos para aterro tóxico, pois trata-se de uma zona húmida e com níveis friáticos muito elevados, situada perto da ribeira do Pontão, que conduz as águas a outros locais, bem como de um canal da ria de Aveiro que importa preservar.
Esta é, pois, uma intervenção perigosa que não pode ser assumida leviana, precipitada e amadoristicamente, como tem estado a ser feito.
Outra crítica que faço prende-se com o facto de se ter consentido nos anúncios que têm passado na televisão e nos outros órgãos de comunicação social sobre o problema dos lixos e dos aterros, pois trata-se de uma propaganda realmente viciada, desonesta e inaceitável.
Para terminar, gostaria de vos dizer que a população da região está preocupada e activa, esperando que todo este processo seja revertido ao início, de forma a ser programado e conduzido segundo as normas correctas e de modernidade.
Com efeito, a incineradora e o aterro tóxico que querem implantar, cujas técnicas já foram a última palavra, estão manifestamente desactualizados, desusados e postos em crise por esse mundo mais evoluído e, tecnicamente, mais actualizado.

O Sr. Álvaro Viegas (PSD): - Aponte uma solução!

O Orador: - Tenho elementos, mas não vale a pena estar a enunciá-los...

O Sr. Silva Marques (PSD): - Vale, vale!

O Orador: - Vale a pena? Então, eu digo!

O entendimento da OPCA com a France Dechets, que depois deu origem a duas outras companhias semimajestáticas, ou seja, a Ecotredi para o aterro e a Sigal para a incineradora - a Tecninvest é outra conversa e já lá irei!
Com efeito, a France Dechets está a impingir-nos técnicas que já não têm actualidade na Europa mais evoluída, ou seja, está a seguir o esquema de exportar para o Terceiro Mundo as sobras e as técnicas que estão démodées, para usar a expressão francesa!

O Sr. Silva Marques (PSD): - O que é que propõe?

O Orador: - Estamos a ser tratados como um país do Terceiro Mundo, como o Magreb e o Norte de África, sem desprimor para esses povos.
Por outro lado, o tal «polvo» ou «pequeno polvozinho», tem a ver com o seguinte: a Tecninvest, empresa que fez o estudo de impacte ambiental, é um heterónimo da OPCA, ou seja, é a mesma coisa com outro nome! Isto tem laivos de desonestidade e deve ser denunciado e é o que estou a fazer hoje e farei sempre, ao lado do povo simples da minha terra, bem como de algumas individualidades notáveis que também se disponibilizaram a vir à Assembleia da República.
O povo, a nobreza e, já agora, também o clero - na medida em que S. Ex.ª o Bispo de Aveiro vai tomar uma posição pública dentro de poucos dias - estão juntos nesta causa.

O Sr. Silva Sr. Deputado?

(PSD): - E os servos da gleba,

O Orador: - Os servos acabaram, pelo menos, do meu ponto de vista! Já não há servos da gleba nem escravos e o Sr. Deputado sabe, tão bem como eu, que assim é! Aliás, também comparticipou para que assim passasse a ser.

O Sr. Silva Marques (PSD): - Não estou seguro!

O Orador: - Não participou? Penso que sim!

Como dizia, o clero, a nobreza e o povo daquela região estão solidários- não são bem os estudos gerais ou os estados gerais, mas é quase! - na resistência a leviandades, a precipitações, a abusos e a iniquidades, cada um à sua maneira e eu ao lado de todos, aqui e onde for preciso! Aqui, através da denúncia, como hoje, destas situações; no terreno, usando todos os expedientes legais e aqueles que não sejam ilegais - e há todo um campo - para que, nestas zonas, não venha a haver incineradora nem lixeira de produtos perigosos e, em vez disso, se estudem as técnicas modernas, como a pirólise de plasma e a bio-remediação, próprias dos países evoluídos. São essas que queremos cá!
Com efeito, somos um País suficientemente pobre para não nos podermos dar ao luxo de gastar brutalidades em investimentos com técnicas que estão ultrapassadas. Essa economia sai cara!

Aplausos do PS.

Temos, pois, de ultrapassar esse vício de miserabilismo aparente.
Estarei com a gente da minha terra, pois acredito que não vão ser instalados estes focos de morte na nossa terra.
Somos a favor do progresso, da modernidade, da evolução, da saúde e contra a poluição e a morte; somos a favor da vida para todos, mas também para nós! Vivam, então, as Sr.ªs e os Srs. Deputados e viva também V. Ex.ª, Sr. Presidente.
Adeus e até ao meu regresso. Voltarei quando for oportuno.

Aplausos do PS.

O Sr. Presidente: - Para pedir esclarecimentos, inscreveram-se os Srs. Deputados Silva Marques, Luís Peixoto, Olinto Ravara, André Martins, Casimiro de Almeida, João Rui de Almeida, Filipe Abreu e Manuel Queiró.
Tem a palavra o Sr Deputado Silva Marques.

O Sr. Silva Marques (PSD): - Sr. Presidente, Sr. Deputado Carlos Candal, pela consideração e pela amizade pessoal que lhe tenho, de há longa data, a sua intervenção não podia ficar sem resposta, porque a amizade impõe frontalidade.
Ora bem, o Sr. Deputado disse que nada presta, técnica e moralmente. O que é que presta? Ninguém? Nada? O Sr. Deputado? Tem obrigação de nos dar uma resposta.
Se a tecnologia prevista não presta, então, qual é a válida? A resposta a esta questão constitui uma obrigação imperativa, sob pena de o seu discurso ser uma simulação e não uma abordagem reflexiva e séria de um dos problemas mais graves com que se defronta o nosso país. Técnica e moralmente, repito, o que é que presta?
Sr. Deputado, esta é uma herança do anterior Governo, do anterior e de muitos anteriores! O que é que o Sr. Deputado fez, como cidadão e como Deputado, para que este problema tivesse uma resposta? Hoje, antes e há anos? Tem obrigação de nos dizer.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - No seu esboço tétrico de reflexão, o Sr. Deputado chegou a avançar com a seguinte questão: