44 | I Série - Número: 110 | 7 de Setembro de 2007
dar a este debate. Isto porque quem verdadeiramente se escondeu atrás das forças de segurança, quem usou as forças de segurança para não ficarmos a perceber neste debate qual é o verdadeiro grau de responsabilidade e de quem não foi a GNR, foi o Sr. Ministro. Foi o Sr. Ministro que esteve 5 minutos a gritar sem nos explicar se no dia 17 de Agosto houve intervenção, se é que houve alguma, nesta sequência de acontecimentos peripatéticos,…
O Sr. Luís Marques Guedes (PSD): — Exactamente!
O Orador: — … que fez uma única vítima: a autoridade do Estado.
Ao contrário do que outros tentaram aqui fazer crer, o ambiente não foi, com certeza, vítima disto. Depois de se ver as fotografias do estado em que ficou aquele acampamento da Ecotopia, ninguém confunde este grupo de indivíduos…
O Sr. Luís Marques Guedes (PSD): — Vândalos!
O Orador: — … que andaram a vandalizar a propriedade alheia com questões ambientais. Isto, de resto, dá muito jeito ao Governo para que não se note, entre outras coisas, o opróbrio deste fim-de-semana: o País que tem a presidência da União Europeia reunir um conselho informal de ministros e ver rechaçada a única proposta de directiva que fez.
Que não se fale de ambiente neste país convém ao Governo, mas esta não foi sequer uma vantagem que tenha tirado do Verde Eufémia!
O Sr. Luís Marques Guedes (PSD): — Muito bem!
O Orador: — Da segunda alegada vítima também não vale a pena falar, porque a intervenção do Bloco de Esquerda revelou tudo. A segunda vítima foi a credibilidade do Bloco de Esquerda, que, num dia, achava que os portugueses estavam informados e, no outro, entendia que não; num dia, era solidário com a acção e, no outro, já não era solidário com a acção.
O Sr. Luís Fazenda (BE): — Isso é falso!
O Orador: — Mas o Bloco de Esquerda tem uma diatribe com o Governo que, esta sim, Sr. Deputado Luís Fazenda, é falsa, porque os senhores estão de mão dada com o Governo!
O Sr. Luís Fazenda (BE): — Isso é falso!
O Orador: — Quando vêm dizer que os cidadãos têm o direito à indignação contra estas normas que acham injustas — e, pelos vistos, podem praticar a indignação desta maneira —, a vossa divergência com o Governo é nenhuma, porque o Sr. Ministro da Administração Interna entende adequado e proporcional que as forças policiais cruzem os braços perante um crime de dano perpetrado, seja qual for o adjectivo que quiser, em frente aos seus olhos!
O Sr. Luís Marques Guedes (PSD): — Muito bem!
O Sr. Luís Fazenda (BE): — Isso é falso!
Protestos do PS.
O Orador: — É sobre isto que é preciso falar, Sr. Ministro! É preciso falar sobre isto por uma razão simples: porque não percebemos — volto a repetir e talvez o Sr. Ministro agora, com 10 minutos, nos possa esclarecer — qual foi o seu papel nesta cadeia de comando.
Vou fazer-lhe uma pergunta que alguém em abstracto já fez mas que ainda não o ouvi responder.
Sr. Ministro, tenho duas hipotecas e estou irritadíssimo com a subida das taxas de juro.
O Sr. Ministro dos Assuntos Parlamentares: — Isso não fomos nós!
O Orador: — É uma determinação de Bruxelas, como esta maldita determinação de deixar que se plantem transgénicos e de acautelar, depois de muita discussão sobre o princípio de precaução, que se plantem transgénicos. Estou verdadeiramente furioso com esta decisão, da subida das taxas de juro, é uma decisão legal mas que me penaliza imenso, por isso estou indignado. Sr. Ministro, posso ir amanhã ao banco espancar o meu gerente de conta?