I SÉRIE — NÚMERO 42
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dezenas de milhões de euros ao Banco ostente uma riqueza pública, passeando-se por hotéis de luxo,
acompanhados por um membro deste Governo e por altas personalidades políticas!
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente (Ferro Rodrigues): — Queira fazer o favor de concluir, Sr. Deputado.
O Sr. Basílio Horta (PS): — Termino já, Sr. Presidente.
Não me parece que os portugueses, que se sentem defraudados em milhares de milhões de euros,
possam estar tranquilos sem sentirem uma revolta surda pelo que aconteceu e pelo que ainda pode vir a
acontecer no caso do BPN.
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente (Ferro Rodrigues): — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado João Semedo,
do BE.
O Sr. João Semedo (BE): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: O que o PS nacionalizou, o PSD e o CDS
privatizaram.
Parece diferente mas, na realidade, não é. Tudo ficou na mesma: o prejuízo continuou público e sempre a
crescer. A diferença é que o prémio, esse, foi direitinho para outros banqueiros, agora privados, neste caso do
BIC, um banco de capitais luso-angolanos,…
Protestos do PSD.
… a quem o Governo vendeu por 40 milhões um banco limpinho e pronto a operar no mercado, depois de
ter gasto quase 1000 milhões de euros para o conseguir vender por escassos 40 milhões de euros.
O problema do BPN ficou exatamente na mesma, como o Governo do PS o deixou: um gigantesco buraco
nas contas públicas, próximo dos 4000 milhões de euros, que podem ultrapassar os 6500 milhões de euros e
que os contribuintes portugueses, todos nós e cada um de nós, estamos e vamos continuar a pagar.
O PSD nunca quis este inquérito, mas, contrariado, não teve outro remédio que não fosse aceitá-lo.
O Sr. Hugo Velosa (PSD): — Isso não é verdade!
O Sr. João Semedo (BE): — Cedo se percebeu ao que vinha o PSD — e também o CDS. O PSD viu no
inquérito uma oportunidade de ouro para massacrar o PS pela péssima gestão do processo BPN e o CDS uma
oportunidade para prosseguir a sua cruzada anti-Constâncio.
Neste inquérito, PSD e CDS impuseram duas teses, politicamente convenientes ao Governo: a primeira,
que o Governo resolveu o problema do BPN; a segunda, que não havia alternativa à venda do BPN por 40
milhões, nem no preço, nem no momento e, como tal, sendo o negócio possível, foi uma boa e acertada opção
do Governo.
Sr.as
e Srs. Deputados, do ponto de vista do Bloco de Esquerda, uma e outra tese são falsas. O Governo
não resolveu o problema do BPN, o Governo resolveu, sim, o problema do BIC, porque quis e não porque não
houvesse outras soluções.
O Sr. Pedro Filipe Soares (BE): — Muito bem!
O Sr. Hugo Lopes Soares (PSD): — Que soluções?
O Sr. João Semedo (BE): — E quis por razões políticas bem ilustradas pela intervenção do próprio
Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, junto do Ministro angolano Carlos Feijó, a quem pediu os seus bons
ofícios para que o negócio se pudesse concluir como, aliás, acabou por acontecer.