I SÉRIE — NÚMERO 63
12
O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): — Diga qualquer coisa do PS acerca do salário mínimo! Perca a
cabeça! Diga qualquer coisa do PS!
A Sr.ª Mariana Aiveca (BE): — Palavra de troica é palavra para ser cumprida e o Governo pouco se
importa que tenhamos pessoas, em Portugal, que vivem abaixo do limiar da pobreza, e estamos a falar de
direitos humanos.
O Sr. Pedro Filipe Soares (BE): — Muito bem!
A Sr.ª Mariana Aiveca (BE): — Não estamos apenas a falar daquilo que o Sr. Deputado Artur Rêgo disse,
que era a justa compensação pelo trabalho.
O Sr. Artur Rêgo (CDS-PP): — Fale com o PS, Sr. Deputada! Eles é que assinaram o Memorando da
troica!
A Sr.ª Mariana Aiveca (BE): — Para isso, Sr. Deputado, também lhe perguntaria se acha justo que jovens
licenciados e qualificados sejam colocados pelo valor do salário mínimo nacional, desempenhando tarefas de
grande complexidade. Nem aí o Governo que o Sr. Deputado sustenta tem feito coisa alguma!
O que temos aqui, hoje, é a urgência de resolver a falta de dignidade com que vivem trabalhadores e
trabalhadoras, empobrecendo mesmo a trabalhar.
Todas as entidades que lidam com o fenómeno da pobreza em Portugal alertam-nos para esta
circunstância e o Governo não ouve ninguém, não ouve a Caritas e o seu presidente, não houve as
organizações sociais da igreja, não ouve aqueles e aquelas que têm de fornecer refeições a pessoas que
estão em absoluta carência, mesmo trabalhando, e temos obrigação — é uma questão de dignidade, de
respeito e de direitos humanos — de cumprir o que foi o acordo de concertação social com que os senhores,
hoje, tanto enchem a boca.
O Sr. Artur Rêgo (CDS-PP): — Fale com o PS! Já falou com o PS?!
A Sr.ª Mariana Aiveca (BE): — Em 2011, o salário mínimo deveria ser 500 €. Estamos em 2013 e temos
um Primeiro-Ministro que vem dizer que, se calhar, é preciso baixar o salário mínimo, face ao desemprego.
Aplausos do BE.
A Sr.ª Presidente: — Para pedir esclarecimentos, tem a palavra a Sr.ª Deputada Heloísa Apolónia, de Os
Verdes.
A Sr.ª Heloísa Apolónia (Os Verdes): — Sr.ª Presidente, Sr.ª Deputada Mariana Aiveca, os brutais níveis
de desemprego com que o País se confronta hoje remetem-nos necessariamente para um alargamento
extraordinariamente preocupante da bolsa de pobreza em Portugal.
Mas a Sr.ª Deputada tem razão naquilo que diz, pois não são só os desempregados que caem na pobreza.
Fundamentalmente, quando 50% dos desempregados não recebe qualquer apoio social, designadamente o
subsídio de desemprego, de facto, em Portugal empobrece-se a trabalhar, sendo-se supostamente
remunerado pelo trabalho.
Isto deve remeter-nos também para a preocupação de já se ter percebido, neste País e face à situação em
que nos encontramos, que este drama do combate ao desemprego não é objetivo do Governo — já nem
dizemos prioridade, Sr.ª Deputada, dizemos que o combate ao desemprego não é objetivo deste Governo.
Sr.ª Deputada, uma política de baixos salários, afinal, contribui ou não para estes brutais níveis de
desemprego? Era importante percebermos a lógica de como tudo isto se encadeia, de modo a entendermos
que a tomada de decisão sobre algumas coisas se reflete, necessariamente, noutras coisas
extraordinariamente preocupantes.