I SÉRIE — NÚMERO 10
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A Sr.ª Teresa Anjinho (CDS-PP): — O senhor não está de acordo com nada!
O Sr. Jorge Lacão (PS): — Sabe, Sr.ª Deputada, não estou agora, nem estava antes.
A Sr.ª Teresa Anjinho (CDS-PP): — Agora é que nos vem dizer isso?!
O Sr. Jorge Lacão (PS): — Ó Sr. Deputada, agora sou eu que estou a responder.
A Sr.ª Teresa Anjinho (CDS-PP): — Tem razão!
O Sr. Jorge Lacão (PS): — A última resolução do Governo a que a Sr.ª Deputada aludiu sobre as
orientações da justiça, permita-me que lhe leia, dizia o seguinte: «o alargamento…» — o alargamento, repare
— «… às comarcas de Lisboa e da Cova da Beira do regime do novo mapa judiciário, aproveitando as lições
da sua aplicação com êxito em Lisboa Noroeste, Baixo Vouga e Alentejo».
A Sr.ª Deputada sabe o que é que isto significava? Significava, de facto, a prudência dos governantes em
compreenderem que uma reforma estrutural teria de ser gradualmente implementada para não se criar o risco
de ela trazer a paralisia dos nossos tribunais.
Protestos do PSD.
O que é que os senhores fizeram? Exatamente o contrário disto! E o que é que os senhores trouxeram com
essa atitude contrária? Trouxeram a paralisia do funcionamento da justiça em Portugal, afetando os direitos
das pessoas, afetando os interesses legítimos, afetando a normalidade da atividade económica que careça de
tutela judicial, afetando o prestígio de Portugal relativamente àqueles que queiram ver no Estado português um
Estado a funcionar em condições de regularidade.
A Sr.ª Teresa Anjinho (CDS-PP): — Presunção e água benta…!
O Sr. Jorge Lacão (PS): — Sr.ª Deputada Teresa Anjinho, eu acharia que a Sr.ª Deputada já tinha os
ensinamentos bastantes para poder aqui reconhecer que erraram. Não reconhecer que erraram, desculpe-me
que lhe diga, é um duplo erro, e é exatamente em nome desse duplo erro que os responsáveis da justiça não
podem continuar impunemente a errar no nosso País.
Aplausos do PS.
A Sr.ª Teresa Anjinho (CDS-PP): — Tenho medo do PS do futuro…!
A Sr.ª Presidente: — Concluída a declaração política do PS, a próxima, e também a última, deste conjunto
de declarações políticas cabe ao CDS-PP pelo Sr. Deputado Raúl de Almeida.
Tem a palavra, Sr. Deputado.
O Sr. Raúl de Almeida (CDS-PP): — Sr.ª Presidente, Sr.as
Deputadas e Srs. Deputados: Deixem-me
começar por invocar Mark Twain: «Manifestamente, precipitaram-se todos aqueles que anunciaram a minha
morte!»
Falo-vos hoje do serviço público de rádio e de televisão em Portugal: falo-vos da RTP.
Os últimos três anos foram de intensa turbulência e especulação à volta da RTP. Mal o Governo anunciou,
no início da Legislatura, a reforma necessária e imprescindível da empresa logo se apressaram as vozes da
oposição a prever o seu desaparecimento.
As oposições não pararam e todos os dias lançavam a suspeita de um novo cataclismo. O terror lançado
sobre todos os trabalhadores da empresa, a política de tudo pôr em causa, a permanente dúvida lançada
sobre a RTP só contribuiu para prejudicar a própria RTP e para minar a sua credibilidade junto dos
portugueses.