30 DE SETEMBRO DE 2016
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É esta a nossa postura. Não temos dúvidas nenhumas sobre isso.
Sr. Deputado Jorge Costa, acho que todos temos a responsabilidade de nos envolvermos nesta questão.
Todos, Sr. Deputado: o Governo português, de acordo naturalmente com as suas responsabilidades; a
Assembleia da República, que também tem tido uma intervenção muito importante nesta matéria; e todos os
cidadãos portugueses e todos os autarcas, que, unidos, podem manifestar-se nos mais diversos palcos
relativamente a esta questão. Isto porque a voz do povo português é, naturalmente, uma forma de pressão sobre
o Governo português e sobre o Governo espanhol que acho ser extraordinariamente importante, de acordo até
com os nossos direitos de participação aos mais diferentes níveis.
Sr. Deputado Bruno Coimbra, é verdade que na terça-feira tivemos aquela conversa com o Sr. Ministro e que
o Sr. Ministro nos deu a novidade de que tinha pedido uma reunião urgente a Espanha. Mas, Sr. Deputado,
convenhamos que, independentemente da cor dos governos que se têm alternado, dos partidos que se têm
alternado no Governo, o Sr. Deputado sabe que eu tenho razão quando afirmo que tem havido uma passividade
e um silêncio quase ensurdecedores quanto a esta matéria. E a força da convicção, relativamente ao
encerramento da central nuclear da Almaraz e aos perigos que ela comporta para Portugal e, designadamente,
para o rio Tejo, não tem sido vincada pelos diversos governos portugueses junto de Espanha, e nós julgamos
que é tempo de isso acontecer. Por isso, nós, evidentemente, vamos estar vigilantes em relação ao que o Sr.
Ministro do Ambiente lá vai dizer, porque ele deve explicações ao Parlamento e, por isso, tem de cá vir, depois,
contar o resultado da iniciativa que tomou.
Sr.ª Deputada Luz Rosinha, só há uma garantia de que nada virá a acontecer se houver o encerramento da
central nuclear de Almaraz e o seu desmantelamento. A partir daí podemos respirar de alívio.
Aplausos de Os Verdes.
A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Srs. Deputados, vamos prosseguir com as declarações políticas.
Para o efeito, tem a palavra a Sr.ª Deputada Ângela Guerra.
A Sr.ª Ângela Guerra (PSD): — Sr.ª Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: 713 milhões de euros — repito, 713
milhões de euros! — é o montante dos pagamentos em atraso dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde,
apurado no mês de agosto. Um aumento de 262 milhões de euros desde que o atual Governo tomou posse: 32
milhões de euros por mês; 1 milhão por dia. Em termos homólogos, comparando agosto de 2015 com o de 2016,
os pagamentos em atraso do SNS aumentaram 244 milhões de euros, e comparamos aqui apenas o que é
comparável. Como é possível, então, que em tão pouco tempo o Governo tenha aumentado desta forma a dívida
hospitalar?
Mas, em termos de dívida total do SNS, a situação é ainda mais grave. A dívida total a fornecedores deverá,
neste momento, ultrapassar já os 1500 milhões de euros, um aumento superior a 20% em menos de um ano.
Sr.as e Srs. Deputados, só no que se refere a medicamentos, a dívida subiu para 820 milhões de euros. Até
quando, esta esquerda, irresponsável, continuará a desbaratar o enorme esforço que os portugueses fizeram
para salvar o SNS?
Resulta da última síntese de execução orçamental, divulgada esta semana pela Direção-Geral do Orçamento
(DGO), que, em agosto deste ano, o saldo do SNS se situou em menos 20 milhões de euros, representando
uma deterioração de 2,6 milhões de euros, face ao período homólogo. É a própria DGO a reconhecer que as
coisas não vão bem! E aqui, Srs. Deputados, temos de ser muito claros: todos fizemos nos últimos anos
demasiados sacrifícios para que a história se repita de novo.
O Serviço Nacional de Saúde é uma realização demasiado importante para que a irresponsabilidade
financeira de um governo social-comunista possa acabar por pôr em causa o regular funcionamento dos serviços
públicos de saúde e, com isso, o próprio acesso dos cidadãos aos cuidados de saúde. E quem o diz não é
apenas o PSD.
Os últimos relatórios internacionais referem igualmente uma crescente preocupação com a derrapagem nas
contas da saúde. De facto, é lamentável vermos a Comissão Europeia, no seu recente relatório da quarta missão
do pós-Programa de Assistência, depois de reconhecer que a sustentabilidade do sistema de cuidados de saúde
melhorou notavelmente desde 2011,constatar que as dívidas que estão por pagar há mais de 180 dias têm