20 DE MARÇO DE 2019
43
acordos anteriores —, tendo em conta as consequências que isso terá a nível de alterações climáticas e da
dificuldade que vai acrescer a este combate, que é muito necessário e que nunca passou à prática?
Aplausos do BE.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — A próxima intervenção cabe ao Sr. Deputado Pedro Mota Soares,
do CDS-PP.
Faça favor, Sr. Deputado.
O Sr. Pedro Mota Soares (CDS-PP): — Sr. Presidente, Sr. Primeiro-Ministro, Srs. Membros do Governo,
Sr.as e Srs. Deputados: Sr. Primeiro-Ministro, a agenda do próximo Conselho Europeu, nesta semana, vai ser
essencialmente marcada por três temas, a saber: o tema do Brexit, o tema do Semestre Europeu e o tema das
relações externas.
Começo exatamente por este último, destacando o facto, já referido pelo Sr. Primeiro-Ministro no debate
anterior em resposta a uma pergunta da Sr.ª Deputada Assunção Cristas, de Portugal, no âmbito da União
Europeia, ir desenvolver os seus melhores esforços para podermos ajudar não só bilateralmente mas também
multilateralmente Moçambique, num momento muito difícil da vida interna deste país. Nesse sentido, tem o apoio
desta bancada, e queria destacá-lo.
Ainda em matéria de relações exteriores, Sr. Primeiro-Ministro, gostava de perguntar-lhe que tipo de
mecanismos políticos é que Portugal vai defender, no quadro do Conselho, que sejam aplicados à Venezuela,
para poder levar o regime de Nicolás Maduro a convocar eleições livres e democráticas, o que seria efetivamente
o fim da crise que, neste momento, o regime da Venezuela está a viver.
Um segundo tema, Sr. Primeiro-Ministro, é o Brexit. Estamos a 10 dias do dia 29 de março, que é o prazo
final para uma saída. Todos nós esperaríamos que, nesta altura, já tivesse sido alcançado um acordo, nem que
fosse um acordo quanto aos termos da própria saída, mas a verdade é que ainda não temos esse mesmo
acordo. Nesse sentido, era muito importante para nós percebermos qual vai ser efetivamente a posição do
Governo português no Conselho.
Sr. Primeiro-Ministro, no dia 13 de dezembro, o senhor afirmou, aqui, neste Parlamento, que só com uma
intervenção divina é que se justificaria a renegociação do acordo com o Reino Unido. Em janeiro, o Sr. Ministro
dos Negócios Estrangeiros, que está aí sentado ao seu lado, já veio dizer, e cito, que «preferível seria adiar o
Brexit para termos tempo de revisitar tudo».
Por isso mesmo, Sr. Primeiro-Ministro, é legítimo que lhe pergunte qual vai ser a posição do Governo
português. O Governo português é favorável a um adiamento do acordo, para se poder renegociar com o Reino
Unido — que é, um bocadinho, a posição defendida pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros —, ou é favorável
a que seja adiada a data do Brexit, para dar mais tempo aos britânicos de aprovarem o acordo que já
estabeleceram com o Reino Unido, o que, como sabe, nos termos constitucionais internos do próprio Reino
Unido, não é fácil?
Gostava que nos explicasse, efetivamente, qual vai ser a posição do Governo português. Que posição é que
o Governo português vai defender?
Já agora, também relativamente a esta extensão do prazo, o que é que o Governo português vai defender?
Vai defender que a extensão seja por três meses, até junho, que seja por nove meses, até ao final do ano, que
passe para 2020, ou, eventualmente, para 2021?
A terceira pergunta, Sr. Primeiro-Ministro, é sobre o Semestre Europeu.
Uma das coisas que verificamos nas recomendações a Portugal é que, mais uma vez, a Comissão Europeia
diz que o momentum reformista em Portugal parou. Portugal deixou de fazer reformas estruturais e isso dificulta,
como é óbvio, o nosso crescimento futuro. Basta olharmos para o que está a suceder, neste momento, no
investimento direto estrangeiro em Portugal, que em 2018 perdeu 2000 milhões de euros face a 2017.
Por isso mesmo, não posso deixar de lhe voltar a fazer a pergunta que a Deputada Assunção Cristas já aqui
lhe fez hoje mas a que o Sr. Primeiro-Ministro não respondeu, relativamente à declaração do Secretário de
Estado da Internacionalização, do seu Governo, que, muito recentemente, respondeu o seguinte, a um jornal
nacional, sobre a reforma do IRC: «Podia baixar». Não é podia, devia baixar. Sabemos que não baixou porque
esse Secretário de Estado, quando era Deputado, votou contra essa mesma redução.