I SÉRIE — NÚMERO 22
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Orçamento do Estado para a área da cultura, com um plano e com propostas que respondam às necessidades
estruturais do direito à cultura em todo o País. É forçoso dar resposta à situação dramática vivida pelos
trabalhadores da cultura.
Por isso, além de medidas gerais na área do trabalho e da segurança social, propomos um programa de
apoio ao trabalho artístico e cultural. Trata-se de um apoio direto, não concorrencial, a atribuir durante todo o
ano de 2021, independente dos apoios à criação existentes, compensando a diferença de custos de
apresentação em contexto pré-pandemia e durante a pandemia, fomentando a apresentação de mais trabalho
e promovendo a existência de melhores condições e de mais espaços de apresentação de trabalho artístico.
Além disso, propomos o reforço da DGArtes (Direção-Geral das Artes) em 6 milhões de euros, o apoio às
orquestras regionais, à atividade circense e às bibliotecas públicas. Propomos que sejam assumidas as
despesas de funcionamento e de projetos do ICA (Instituto do Cinema e do Audiovisual) e da Cinemateca,
financiando para além das taxas.
Propomos e defendemos o reforço dos planos nacionais das artes, do cinema e da leitura, o aumento das
bolsas de criação literária e a contratação de 250 trabalhadores para a Direção-Geral do Património Cultural
(DGPC) e para as direções regionais de cultura. Propomos compensar a quebra de receita própria dos museus
e dos monumentos da DGPC, reforçar o Programa de Apoio a Museus da Rede Portuguesa de Museus e reativar
o Plano Nacional de Trabalhos Arqueológicos, com uma verba digna de, pelo menos, 1 milhão de euros.
Por fim, defendemos que, em vez de uma raspadinha que incentiva ao jogo e que desresponsabiliza o Estado
das suas obrigações para com o património, seja afetada uma verba de 212 milhões de euros para intervenções
de salvaguarda do património público classificado ou em vias de classificação.
A cultura não pode continuar parada e não pode continuar em agonia.
Aplausos do PCP.
O Sr. Presidente (Fernando Negrão): — Para intervir acerca do artigo 174.º — Reforço de dotação do pessoal não docente na escola pública, agora, sim, Sr. Deputado António Cunha, do PSD, a palavra é sua. Faça
favor.
O Sr. António Cunha (PSD): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, Srs. Membros do Governo, a retórica deste Governo tem sido a da negação metódica do que se passa nas escolas públicas relativamente à falta
dramática de pessoal não docente. Dados oficiais do Ministério da Educação atestam que, de 2015 a 2019, a
escola pública perdeu 4654 funcionários.
É lamentável que anunciem o reforço de 5000 assistentes operacionais, quando se sabe que, na sua grande
maioria, são substituições de contratações temporárias por definitivas. É positivo para os trabalhadores, mas
não se trata de um reforço líquido de trabalhadores para as escolas.
Não cabe ao Governo lançar números para o ar, como bem lhe convém, com o apoio do PS, mas, sim, gerir
com seriedade e contratar com celeridade os recursos necessários às escolas.
O Sr. Afonso Oliveira (PSD): — Muito bem!
O Sr. António Cunha (PSD): — A nós, aqui, cabe-nos fiscalizar. Por isso, com os dados recolhidos do Sistema de Informação de Organização do Estado (SIOE), o PSD
propõe que o Governo publique trimestralmente uma síntese de movimentos de trabalhadores das
administrações central e local que exercem funções nas escolas, para que saibamos com clareza, por categoria
e por carreira de vínculo, os fluxos reais de entradas e de saídas de trabalhadores, para que seja possível a
esta Assembleia fiscalizar, como lhe compete, com base em indicadores fiáveis e não em fantasias.
Aplausos do PSD.
O Sr. Presidente (Fernando Negrão): — Para intervir sobre a proposta 199-C, do IL, de aditamento de um artigo 175.º-A — Portal da transparência do processo de execução dos fundos europeus, tem a palavra o Sr.
Deputado João Cotrim de Figueiredo, do Iniciativa Liberal.