I SÉRIE — NÚMERO 27
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liberdades em alguns pontos, quando isso é essencial e indispensável para podermos garantir, com
proporcionalidade, com equilíbrio, medidas que assegurem a melhor proteção destes dois eixos: salvaguardar
o SNS e a sua capacidade de resposta e salvar vidas e, ao mesmo tempo, garantir que a economia continua
viva e que terá por onde recomeçar e por onde ser reforçada.
Mais uma vez, Sr. Deputado André Neves, também não é correto aquilo que disse quanto à não apresentação
de medidas. Efetivamente, só no período que estamos a descrever, do final do mês de novembro, um reforço
para dar capacidade de tesouraria às empresas no valor de 1,5 mil milhões de euros, que foi disponibilizado e
reforçado, tem de ser reconhecido como aquilo que a República pode mobilizar neste momento.
Aplausos do PS.
Bem sabemos que, a seguir, teremos oportunidade de beneficiar do esforço europeu para continuar a fazer
essa trajetória, mas, neste momento, as medidas existem. Obviamente, sabemos da grande dificuldade que
muitas empresas enfrentam, sabemos da grande dificuldade que o setor da restauração, em particular, enfrenta,
mas também temos de saber que não é uma arbitrariedade, que estas opções de restringir algumas atividades
não foram um capricho, porque se sabe — sabe-se com evidência científica — que há zonas em que o contágio
é superior.
O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): — Sabe-se…!
O Sr. Pedro Delgado Alves (PS): — Já agora, em relação ao seu aparte, Sr. Deputado João Almeida, quero dizer-lhe que o que sabemos é que não podemos simultaneamente validar, em abstrato, as medidas — como o
Sr. Deputado e o CDS fizeram em momentos anteriores — e, depois, não querer as consequências, em concreto,
da validação dessas medidas. Se reconhecemos, em abstrato, que há necessidade de proceder a restrições,
infelizmente temos de lidar com a dureza de sentir os efeitos dessas mesmas restrições. Também por essa
razão, não podemos concordar com o equilíbrio, dizer que preferimos medidas ajustadas, mas, depois, não
perceber que, obviamente, isto tem complexidade, é mais difícil de comunicar e pode não ser logo evidente num
primeiro momento.
Protestos do Deputado do CDS-PP João Pinho de Almeida.
É por estas razões que este é um esforço particularmente difícil, extraordinariamente difícil, e é por essa
razão que saúdo todos os grupos parlamentares que usaram da palavra, não querendo dividir onde a divisão
nada acrescenta.
O Sr. Presidente: — Sr. Deputado, tem de concluir.
O Sr. Pedro Delgado Alves (PS): — Há quem não falhe uma oportunidade para estar sempre ao sabor do vento, pedindo as mais duras das medidas e, depois, vindo criticar as consequências das medidas que, na
véspera, solicitava.
O Sr. Presidente: — Sr. Deputado, tem de concluir, por favor.
O Sr. Pedro Delgado Alves (PS): — Portanto, não é manipulando a comunidade nem manipulando a verdade que vamos alcançar algo. É, fundamentalmente, através do reforço do papel de todos na resposta à
pandemia que conseguiremos superar a dificuldade.
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente: — Para encerrar este debate, vão usar da palavra, em nome do Governo, a Sr.ª Ministra da Saúde e o Sr. Ministro da Administração Interna.
Tem a palavra, em primeiro lugar, a Sr.ª Ministra da Saúde.