I SÉRIE — NÚMERO 67
6
através do rastreamento de cadeias de infeção, isto é, na saúde pública; a arbitrariedade de medidas em relação
à restauração; ou os abusos com multas desproporcionais que se resolviam com muito mais pedagogia.
Falta ainda saber se o Governo aprendeu com esta crise e se percebeu a importância de reforçar as equipas
de saúde pública e ambiental ou se apenas tapou alguns buracos e rapidamente se esquecerá da importância
destas equipas.
Infelizmente, temos de dizê-lo, a incoerência das medidas do Governo prejudicou, em muito, a credibilidade
dos estados de emergência.
Já fora dos estados de emergência, mas reflexo das incoerências do Governo, temos a forma como o
Governo, em conjunto com a Câmara Municipal de Lisboa, não planeou devidamente os festejos em Alvalade e
desconsiderou as sugestões da PSP, que até apresentou propostas de atuação alternativas.
Gostaríamos de deixar claro que esta posição do Sr. Ministro revela uma total falta de respeito por quem está
no terreno.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Sr.ª Deputada, queira concluir, se faz favor.
A Sr.ª Bebiana Cunha (PAN): — Vou concluir, Sr. Presidente. Esta teimosia e falta de assunção de responsabilidades traz-nos consequências que não deviam ser
ignoradas.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Pedro Morais Soares, do CDS-PP.
O Sr. Pedro Morais Soares (CDS-PP): — Sr. Presidente, Srs. Ministros, Sr.as e Srs. Deputados: Mais de um ano e 15 estados de emergência depois, estamos hoje a discutir aquilo que o CDS e o País desejam
profundamente, ou seja, que estes sejam os últimos relatórios sobre o estado de emergência.
Desejamo-lo por diversos motivos, desde logo, e antes de mais, porque esperamos sinceramente que a
pandemia de COVID-19 esteja, finalmente, a ser controlada e que o número de infetados, de internados e de
mortos continue numa trajetória descendente. A este propósito, aproveito para, em nome do CDS, prestar uma
sentida homenagem a todos os que ficaram doentes, a todos os que partiram e às suas famílias. Aproveito
também para, mais uma vez, agradecermos profundamente a todos os que têm estado na linha da frente desta
batalha tão dura e tão desigual.
Se o Governo não soube estar à altura do que era exigido, em sentido oposto estiveram os profissionais de
saúde e as Forças Armadas, que foram um exemplo desde o início da pandemia, desde as missões de apoio
aos lares, de montagem de hospitais de campanha, às inúmeras missões de proteção civil, terminando no
honroso trabalho que o Vice-Almirante Gouveia e Melo está a desempenhar. Os profissionais de saúde e a
instituição militar foram um orgulho para o País — a eles o nosso «muito, muito obrigado».
O CDS também não pode deixar de fazer uma referência e de dizer «obrigado» a todos os homens e
mulheres das corporações de bombeiros, dos serviços da proteção civil e das forças de segurança, aos
colaboradores das instituições sociais, aos milhares de voluntários, de norte a sul e do interior ao litoral, sem
nunca esquecer as ilhas, e aos autarcas deste País pelo extraordinário apoio que deram e continuam a dar aos
que mais precisam de nós.
Em segundo lugar, esperamos que esta seja a última discussão destes relatórios, porque Portugal não
aguenta mais estados de emergência. A população tem de ser toda rapidamente vacinada e a economia tem de
se reerguer.
Finalmente, esperamos que esta seja a última vez, porque o País está saturado de ver trapalhadas atrás de
trapalhadas, que estes relatórios sempre camuflaram. E, infelizmente, os exemplos são inúmeros e transversais
a todas as áreas: desde a insuficiência do número de EPI (equipamentos de proteção individual), ao constante
atraso no pagamento dos apoios sociais às famílias e aos cidadãos que se viram impedidos de trabalhar, ou
que estavam em casa a acompanhar os filhos que não tinham aulas, passando pela proibição de circulação
entre concelhos aos fins de semana e, ainda, todas as restrições dos contactos familiares.