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I SÉRIE — NÚMERO 22

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O Sr. Bruno Dias (PCP): — Sr. Presidente, desejaria ainda intervir sobre este artigo, se for possível.

O Sr. Presidente: — Faça favor. Ainda sobre o artigo 138.º-A, tem a palavra o Sr. Deputado Bruno Dias, do

PCP.

O Sr. Bruno Dias (PCP): — Sr. Presidente, o Chega acaba de, mais uma vez, demonstrar a forma como

olha com desprezo…

Protestos do Deputado do CH Filipe Melo.

… para o drama de milhares e milhares de famílias que vivem em tendas, pessoas que não estão

desempregadas, trabalham, mas não conseguem pagar as rendas absolutamente especulativas, não de uma

casa, mas de um quarto!

Temos notícia hoje de famílias sinalizadas pelas CPCJ (comissões de proteção de crianças e jovens), em

que as crianças não conseguem ir às escolas porque andam de saco às costas, de casa em casa, de pensão

para hostel.

O Sr. Duarte Alves (PCP): — É verdade!

O Sr. Bruno Dias (PCP): — E de tudo isto que aqui foi dito, o que mais nos choca é que o PS continue a dar

a mão a esta direita e a votar contra as propostas para proteger os inquilinos.

Aplausos do PCP.

O Sr. Pedro dos Santos Frazão (CH): — Nunca mais é março!

O Sr. Presidente: — Passamos agora à proposta 940-C, de aditamento de um artigo 138.º-C — Ajuda à

compra da primeira casa para habitação própria permanente.

Tem a palavra o Sr. Deputado Rui Tavares, do Livre.

O Sr. Rui Tavares (L): — Sr. Presidente, Caras e Caros Colegas, Sr.as e Srs. Membros do Governo, Caros

Concidadãos nas galerias, um dos aspetos mais sérios da crise da habitação que estamos a viver tem a ver

com a fratura social e geracional que estamos a deixar que se crie na propriedade de habitação própria

permanente.

Se há gerações que puderam ter acesso a casa própria — e aqui na Assembleia da República, em que a

idade média é de cerca de 50 anos, boa parte das pessoas que aqui estão, que são Deputados e Deputadas,

tiveram essa possibilidade em períodos em que havia juros bonificados, em que havia juros baixos, certamente,

em que havia incentivos estatais à compra de casa própria —, agora, se um jovem for ao banco e quiser comprar

a sua casa, ter acesso à sua primeira habitação própria permanente, evidentemente não conseguirá ter acesso

ao crédito porque não tem entrada para dar, para sinalizar a compra da sua habitação própria permanente. A

mesma coisa se passa mesmo naqueles que, já não sendo jovens, são de classe média ou classe média-baixa.

Sempre que tivemos este diálogo aqui, nesta Câmara, do lado do Governo tivemos um Primeiro-Ministro que

nos disse que houve excesso de acesso ao crédito em gerações anteriores, e que não deveríamos estar a

favorecer o acesso ao crédito, ou seja, ao endividamento. Não deveríamos estar a favorecer a especulação,

aumentando a procura de casa para compra — a aquisição de casa própria permanente —, e que, de certa

forma, no meio deste tsunami da habitação que estamos a viver, um dos efeitos que ele considerava que não

era assim tão mau é que tinha diminuído a procura pela casa própria permanente e tinha diminuído a procura

por crédito para aquisição dessa casa.

Considero que isto é um enorme erro de perspetiva sobre o que se está a passar. Não podem pagar os justos

pelos pecadores e pelo excesso de endividamento e os excessos que a banca cometeu e levou pessoas a

cometerem, no passado. Não podemos estar a dizer aos jovens de hoje e às classes média e baixa de hoje que