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1009 | II Série A - Número 033 | 12 de Outubro de 2002

 

de Argel. Em Abril, e Mayo do presente ano de 1754. Noticia certa participada por varias pessoas da mesma terra, e outras de Ilho. Escrita por Joam de Santiago Froel; informa que os argelinos apanharam 14 lanchas de pescadores, das quais nenhuma trazia menos de 17 homens.
"Nos meados do século passado, o literato ovarense Licínio Fausto Cardoso de Carvalho compôs o drama marítimo, Os Hallas, ainda inédito, cuja figura central é um dos membros da companha do Halla, raptado pelos argelinos na praia do Furadouro, por uma noite de S. João". (Miguel de Oliveira, Idem).
Este drama, parte do qual foi publicado no Jornal de Pardilhó em 1930 e cujo manuscrito foi legado ao Museu de Ovar em 1970, compõe-se de 4 actos, intitulados A costa do Furadouro, A Nau do Corsário, A Ermida de Entráguas e A Noite de S. João. Numa noite de S. João, os piratas argelinos raptaram um membro da família Halla, nome duma companha de pesca da praia do Furadouro - a companha dos Alas ou Arte Velha, que trabalhou, pelo menos, entre 1785 e 1820, na costa do Furadouro. Este cativo tornou-se muçulmano, o que não causou espanto aos piratas dado o seu nome ser semelhante ao de Allah, nome aquele que ia gravado nas suas roupas. Fugindo mais tarde e regressando a Ovar pretendeu casar-se catolicamente e, para o conseguir, recorreu ao bispo D. Diogo Lobo, que morava junto à capela de N.ª Sr.ª de Entráguas.
O drama Os Hallas foi levado à cena no Teatro de Camões; a 10 de Março de 1855, sendo o papel de Solisa desempenhado por Júlio Dinis.

9- A Capela Velha do Mar (1766-1936). A festa do mar ou dos pescadores

A primitiva Capela do Furadouro, a Capela Velha do Mar (1766-1939), da invocação do Senhor da Piedade, que substituíra uma ermida de madeira erguida em 1759, situava-se na continuação da Avenida Central de Furadouro, voltada para o oceano, e tinha a forma de oratório ou pequeno forno.
Esta capela, a que tinha sido aditado, em 1935, pela Junta de Turismo do Furadouro, um varandim, veio a ser derrubada pelo mar em 1939.
A festa do Mar ou dos Pescadores é o nome dado à conhecida e popular romaria do Senhor da Piedade, na praia do Furadouro.
No ano de 1954, a Câmara solicitou que fosse considerado feriado concelhio a 2.ª feira imediata ao 3.º domingo de Setembro, isto é, o dia em que se realizava a Festa do Mar na praia do Furadouro.
A romaria do Furadouro e a romaria de S. Paio da Torreira, eram as duas grandes festas marítimas do distrito de Aveiro.
Os festejos que atraíam à praia do Furadouro inúmeros forasteiros, realizavam-se (ainda hoje se realizam) num domingo de Setembro: no sábado anterior os andores dos santos padroeiros das companhas, conduzidos por pescadores, chegavam ao Furadouro provenientes de Ovar; no Domingo a procissão percorria a beira-mar e as principais ruas das povoações, parando em frente à capela do Senhor da Piedade para o abade lançar a benção ao mar. Quando passava junto aos armazéns das companhas eram lançadas numerosas girândolas e foguetes; à noite havia arraial, iluminações, bandas de música e fogo.
De 1961 a 1976 não se realizaram as festas do Furadouro, mas em Setembro de 1977 as festas profanas e religiosas voltaram a animar a praia. De 1981 a 1991 houve novo interregno (11 anos sem festas).
Em 1992 a Comissão de Melhoramentos do Furadouro, retomou e mantém a sua realização.

10 - A pesca no Furadouro - João Pedro Mijoule e a "fábrica do estrangeiro" (1776) de conserva de sardinha e extracção do sal, as artes, as artes grandes ou de xávega (1776-1968); a companha do senhorio ou do terço (1776-1905), o sistema de um único barco (1776-1838, pelo menos), o direito de primazia (1776-1861), barcos à fateixa, as redes tiradas à mão (1776-1884)

A partir de 1750, segundo nos elucida Francisco López Capont (El desarollo industrial pesguero en el siglo XVIII. Los salazoneras catalanes Ilegan a Galicia. 1998), começaram a chegar às rias do Sul da Galiza (inicialmente na Ria de Arosa), os primeiros salazoneros da Catalunha, com uma nova tecnologia da salazón, da salgadura ou salga.
Em 1751, o Bou de Arraste; enorme xávega puxada por bois, já está popularizada em Sanlúcar de Barrameda; em 1754, viria a ser proibida em França o Boeuf (Buey; rede de arrasto), que tinha sido copiada pelos catalãos.
A denominada emigração catalã dos Fomentadores, com um novo delineamento empresarial, com a melhoria dos meios de captura da sardinha (designadamente com a xávega, nova rede de arrasto), com novos métodos de salgadura ou salga, veio modificar a situação da pesca na Galiza, que era de quase subsistência, nitidamente familiar, sem nenhuma organização industrial.
No mesmo sentido, escreveu Valentim Paz - Andrade (Sistema económico de la pesca er Galicia, 1958): - Alguns fomentadores catalães cujo negócio languescia por escassez de pesca na costa do Mediterrâneo, transferiram-se para portos mais favorecidos pela abundância, na costa galega". Estes catalãos, que chegaram em meados do século XVIII, "acabaram dominando a indústria da sardinha, especialmente na fase da semi-conservação por salmoura. No segredo do seu triunfo entraram vários ingredientes. Alguns, de ordem técnica, como a introdução dos aparelhos com sacos - o bou e a xávega" ou "como a implantação do prensado para reduzir o coeficiente gorduroso da sardinha salgada, aproveitar o azeite como produto e melhorar a qualidade do artigo. Os catalãos, além disso, trouxeram o espírito de empresa. Antes da sua chegada, a pesca e a salgadura na Galiza eram puramente artesanas, familiar ou gremial".
Em 1776, um quarto de século após a chegada dos catalãos à Galiza, o comerciante francês João Pedro Mijoule, natural do Languedoc, registou na Câmara Municipal de Ovar a carta de privilégio que lhe tinha sido concedido pelo rei D. José.
Com alguns catalãos, conhecedores de novos métodos de conserva de peixe e de um novo processo de pesca, a xávega, Mijoule veio habitar para Ovar no início do último quartel do século XVIII.
Entre os reduzidíssimos palheiros e recoletas que, então, existiam no Furadouro, levantou uma fábrica de conserva de sardinha e extracção do sil ou óleo de peixe, que veio a ser denominada por fábrica do estrangeiro.
Mijoule, com os catalãos que trouxe consigo, foi o iniciador nas costas de Ovar, principalmente na costa do Furadouro, das artes grandes ou de xávega, das fábricas de salga e moura da sardinha, e do espírito de empresa, isto