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27 DE OUTUBRO DE 2022

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A política monetária das principais economias avançadas tornou-se mais restritiva em 2022. No conjunto

dos países do G20 e Estados-Membros da União Europeia, registaram-se cerca de 100 aumentos de taxas de

juro entre agosto de 2021 e agosto de 2022, traduzindo o movimento de agravamento mais expressivo desde,

pelo menos, 1990.

Até final de setembro de 2022, a Reserva Federal dos EUA aumentou a taxa de juro de referência em 300

pontos base, para o intervalo situado entre 3% e 3,25%, e o Banco de Inglaterra procedeu à subida da taxa de

juro oficial em 200 pontos base, para 2,25%.

Em consonância com o forte compromisso de cumprimento do respetivo mandato de manutenção da

estabilidade de preços e de assegurar o regresso da inflação ao objetivo de 2% a médio prazo, o Conselho do

Banco Central Europeu (BCE) aumentou em julho, pela primeira vez em 11 anos, as respetivas três taxas de

juro diretoras em 50 pontos base. Em setembro, face ao agravamento das pressões inflacionistas, o BCE

decidiu aumentar em 75 pontos base as três taxas de juro diretoras, o maior aumento na história do euro. O

forte incremento de subida das taxas de juro diretoras da área do euro também contribuiu para travar a forte

depreciação do euro face ao dólar, o qual tem evoluído abaixo da paridade com o dólar, tendo atingido, no

início de setembro, o nível mais baixo dos últimos 20 anos. Já em dezembro de 2021, dando início a um

processo de normalização da política monetária, o BCE havia anunciado o fim das compras líquidas do

programa de compra de ativos devido a emergência pandémica (PEPP, na sigla inglesa), com reinvestimentos

até final de 2024. Adicionalmente, em junho, procedeu ao anúncio do fim das compras líquidas do programa

de compra de ativos (APP). O BCE aprovou ainda o Instrumento de Proteção da Transmissão (IPT) da área do

euro, instrumento antifragmentação e que visa preservar o funcionamento do mecanismo de transmissão da

política monetária, atenuando eventuais subidas de prémios de risco que não sejam justificadas por

fundamentais da economia.

Neste contexto, as taxas de juro de curto e longo prazos dos EUA e da área do euro apresentaram uma

tendência ascendente ao longo do ano, sinalizando uma alteração da política monetária, invertendo o ciclo de

taxas de juro negativas dos últimos anos.

A conjuntura internacional negativa, marcada pela guerra na Ucrânia e por disrupções nas cadeias de