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decorreram nos perímetros florestais do Entre Douro e Minho entre 1976 e 1981. No entanto,

há referências ao uso de fogo, que podemos designar como proto-técnico, desde meados do

século XVIII. Destaca-se o Regimento do Guarda Mor do Pinhal de Leiria mandado publicar

pelo rei D. José I em de 25 de julho 1751, descrevendo os métodos e as funções dos diversos

envolvidos nas queimas para a defesa do pinhal. Outra referência surge em 1836 por Friedrich

Ludwig Wilhelm Varnhagen (1783–1842), o primeiro Administrador Geral das Matas em

Portugal, que no “Manual de instruções práticas sobre a sementeira, cultura e corte dos

pinheiros e da conservação da madeira dos mesmos” descreve o seguinte:

“Tenho com tudo feito a observação que depois que hum pinhal chega a vinte

annos de idade, e tem sido tratado no desbaste como indiquei, ha hum meio

seguro de livrá-lo de ser incendiado no verão, largando-se fogo em dias

seccos de inverno à caruma, que se acha espalhada no chão entre os

pinheiros, pois o fogo queimará a caruma sem prejudicar as raízes dos pinheiros;

e repetindo-se esta operação todos os invernos no pinhal, depois de ter vinte

annos, nunca se correrá o risco de perde-lo por incêndios no estio, quando o fogo

ataca as raízes dos pinheiros e os faz secar. Já se sabe que para se poder fazer

esta operação sem risco, mesmo no inverno, o pinhal não deve ter mato alto de

permeio. Os pinhaes assim acostumados a chamuscar-se-lhe todos os anos o

solo, crescem muito mais, e o benefício que se lhe faz em todo o sentido he

grande. A caruma mais basta e o mato, não obstante esta operação, se

aproveitará antes de se lhe largar o fogo, e ficará sempre tanta, que seja precisa

para entreter o fogo. Esta queima deve fazer-se com vento próprio, largando-se o

fogo do lado oposto ao vento, não devendo este ser muito rijo.”

Igualmente, Tude Martins de Sousa, antigo Regente Florestal na Serra do Gerês, no seu livro

“Mata do Gerês – subsídios para uma monografia florestal”, publicado em 1926, refere-se ao

uso do fogo na prevenção e a necessidade de aprofundar o estudo da técnica:

“Cortes do mato e fogo corrente. — São indubitavelmente meios silvícolas, mas

de que só se lança mão em última e extrema razão. O fogo corrente só destrói o

carvalho branco e deixa os outros, porquanto — faire propre le dessous c'est

tuer la fôret.

Há, pois, que pensar em outros meios menos extremos, menos dispendiosos e

quiçá de maior utilidade, exigindo, contudo, muito estudo.

Estabelecer a rêde de caminhos e linhas de fogo tem todas as vantagens”

Em 1981 o Eng. José Moreira da Silva apresenta ao Instituto Universitário de Trás-os-Montes e

Alto Douro (IUTAD) um plano de fogo controlado em pinhal-bravo para ser monitorizado quanto

aos seus efeitos nas propriedades do solo, na vegetação e nas árvores, bem como para

estudar as técnicas de ignição e condução da queima (Moreira da Silva, 1997). Desde então,

os trabalhos dos Serviços Florestais no uso do fogo técnico foram acompanhados por

investigação científica, o que levou à necessária adequação e adaptação das técnicas de fogo

controlado (Rego, 1986; Botelho et al., 1998a; Moreira et al., 2003).

Em janeiro de 1982 implementa-se o programa de gestão de combustíveis com fogo

8 DE JANEIRO DE 2020______________________________________________________________________________________________________

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