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industrial, conclui-se que a projeção da área ardida aumenta sistematicamente com a temperatura e atinge

aumentos percentuais entre 40% e 100%, relativamente ao presente (Turco et al., 2018a). A referida

influência da mudança climática na relação clima-incêndios reduz os indicadores de intensidade dos

incêndios para cerca de metade, mas tal não é suficiente para reduzir de forma significativa a área ardida

(Turco et al., 2018a). Este é mais um argumento em favor de reduzir as emissões globais de gases com

efeito de estufa de modo a não ultrapassar os limites de 1,5º C e 2º C do Acordo de Paris. A implementação

de medidas de adaptação à escala da paisagem, que consistem essencialmente em diversificar a floresta

para aumentar a resiliência, reduzir a carga de combustível (em particular por meio do uso do fogo

controlado) e dificultar a propagação dos incêndios, permitem reduzir a área ardida. Cálculos com o cenário

socioeconómico e climático A2 projetam um aumento de 150-220% da área ardida no período de 2000 a

2090 que se reduz para 74% com medidas de adaptação adequadas (Khabarov et al., 2016).

– Área ardida anualmente em hectares nos países da UE. A área dos países do Sul da Europa/Mediterrâneo(Espanha, França, Grécia, Itália e Portugal) está representada a vermelho e a área dos restantes países (Bulgária, Croácia, Eslováquia, Finlândia, Alemanha, Letónia, Lituânia, Roménia, Suécia, Suíça e Turquia) a azul. Figura adaptada de De Rigo et al. (De Rigo, 2017)

No caso de Portugal, Parente et al. (2018) analisaram a correlação entre ondas de calor e incêndios

florestais extremos (Fischer & Schär, 2010) concluindo que 83% do número total de incêndios florestais

extremos no período de 1981 a 2010 tiveram lugar durante, e numa área afetada por, uma onda de calor. A

análise dos períodos no ano e das regiões mais afetadas por ondas de calor extremas e a sua projeção

futura, por meio de vários cenários climáticos, pode ser utilizada para aumentar a capacidade de adaptação

da floresta aos impactos das alterações climáticas.

Turco et al. (2019) desenvolveram um modelo clima-incêndios florestais e rurais que, aplicado ao caso de

Portugal no período de 1980 a 2017, permite concluir que as temperaturas elevadas e a seca nos meses de

junho a agosto influenciaram fortemente a área ardida, tal como outros autores tinham já concluído para

outros países e regiões. Porém, apesar de no referido período a temperatura e a secura do solo terem

aumentado, a área ardida manteve-se aproximadamente estacionária. A área ardida é influenciada pela

quantidade de biomassa disponível e depende principalmente de dois fatores controlados pelo clima: a

combustibilidade da biomassa (dependente da sua secura, determinada pelo tempo recente e pela seca) e

a probabilidade do incêndio se expandir devido às condições meteorológicas. Em Portugal, admitindo um

clima estável, o peso da influência das condições pirometeorológicas na área ardida é aproximadamente

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