O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

 

também aqui os números são elucidativos. Em 1999, tínhamos 220 escolas do 1.º Ciclo com Internet instalada, neste momento temos cerca de 8094. Estamos, neste momento, a alargar essa actuação aos níveis seguintes, isto é, do 5.º ao 12.º ano de escolaridade, tentando criar uma rede que transcenda as escolas e que una, em rede, escolas, bibliotecas, museus, centros de formação de vários tipos, etc.
Gostaria de colocar uma questão, não sem primeiro referir que, em termos orçamentais, é, na nossa opinião, impressionante o crescimento dos meios postos à disposição da ciência, tecnologia e da sociedade de informação. Assim, em 1995, falando ainda em escudos, a dotação orçamental foi de 23,5 milhões de contos, situando-se, neste momento, em números redondos, em 78 milhões de contos. Isto significa um crescimento de 18% relativamente ao ano anterior, em que o valor foi de 66,5 milhões de contos. Portanto, sistematicamente e de modo sustentado, continua a haver uma implementação e um incremento dos meios disponíveis no âmbito do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Há que referir que, deste enorme esforço que se traduz no Orçamento para este ano, a componente nacional teve um acréscimo de cerca de 50%.
Para terminar e antes de colocar a questão que pretendo, gostaria de dizer que esse crescimento se aplica sobretudo ao investimento, dado que na componente Funcionamento houve até um ligeiro decréscimo nas verbas que se pretende disponibilizar para essa finalidade.
A questão que quero colocar ao Sr. Ministro tem que ver exactamente com a Internet nas escolas e no sistema mais vasto a que me referi há pouco. Gostaria que me fizesse o ponto da situação relativamente ao que se passa entre o 5.º e o 12.º ano de escolaridade, sendo que se pressupõe que, até ao fim do ano, quase 100% das escolas do 1.º Ciclo estejam ligadas, em rede, através da Internet.
Gostaria que fizesse um ponto da situação e que dissesse também não quando é que o processo mais geral estará terminado, porque se trata de um processo aberto, que nunca estará terminado, mas quando é que atingirá a sua velocidade de cruzeiro.

O Sr. Presidente (Fernando Serrasqueiro): - Tem a palavra o Sr. Deputado David Justino.

O Sr. David Justino (PSD): - Sr. Presidente, devo dizer que estou numa posição relativamente difícil, porque, ao contrário do Orçamento do Estado, que penso que é deplorável, confesso que considero que o orçamento da Ciência e Tecnologia até é um bom orçamento.
Em segundo lugar, a situação também é difícil porque, mais do que uma vez, já tive oportunidade de enunciar alguns pontos em relação aos quais poderá haver desacordo, ou pelo menos trata-se de concepções relativamente diferentes. Ora, o orçamento que estamos a discutir decorre de uma determinada política, a qual não vou discutir agora, já que aquilo que temos de discutir é precisamente o orçamento, mas reconheço que, relativamente àquilo que se passou no ano anterior - talvez seja pelo facto de, ao contrário de outros ministérios, o Ministério da Ciência e Tecnologia manter o mesmo responsável ao longo de seis anos, enquanto que, por exemplo, o Ministério da Educação já vai em quatro ministros e por isso é um bocado difícil, já que cada vez que vem um novo Ministro temos, obviamente, que repetir o discurso -, não posso repetir o discurso, porque o Ministro é o mesmo e, portanto, se o faço, fico sem argumentos.
Por último, penso que as perguntas e os pedidos de esclarecimento que fiz logo na discussão do Orçamento na generalidade foram respondidos, independentemente das conclusões que se possam tirar. Por isso, devo dizer que esgotei a imaginação para lhe colocar perguntas e não vou inventar perguntas só pelo facto de ter que ocupar tempo.
Obrigada pela sua atenção e fico-me por aqui.

O Sr. Rosado Fernandes (CDS-PP): - Está a ver, Sr. Ministro Mariano Gago, nem tudo é tão mau assim, mesmo num pelouro tão complicado como é o da Ciência e Tecnologia!
Completando a conversa que tive consigo no início, eu, que faço humanidades e agricultura, gostaria muito que a investigação agrícola fosse também coordenada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Não tenho dúvida nenhuma de que quanto mais cabeças há a mandar em sectores que, no fundo, têm grande interligação, pior é o resultado.
Penso que as pescas estão dependentes de si. Li no PIDDAC a referência a um programa relativo à "ciência e tecnologia do mar"...

O Sr. Ministro da Ciência de Tecnologia (Mariano Gago): - Não, não estão!

O Orador: - Então, é só "ciência e tecnologia do mar".
Tenho notado que há uma grande descoordenação entre os cientistas e julgo até que, nalguns casos, os cientistas fazem a investigação de que mais gostam, o que naturalmente é a pior definição da ciência no sentido de esta criar desenvolvimento para um país.
Volto àquela minha proposta, que levantou alguns protestos por parte de alguns zoilos, quanto à Academia das Ciências, considerada uma entidade mumificada, e que de certa maneira o é, no sentido de ver se na verba consagrada à Academia se podia, ou não, melhorar os recursos para custear a permanência de um grupo de lexicólogos, que poderiam ser escolhidos por uma comissão formada pelos sábios aqui da nossa terra, no sentido de se conseguir ter um dicionário que abrangesse o português desde a Idade Média até aos nossos dias.
Como se sabe, os dois volumes publicados pela Verbo só abrangem o português desde Garrett até aos nossos dias e ficamos um pouco com "fome" no sentido de termos um dicionário que abrangesse não só a língua portuguesa desde os cancioneiros até aos nossos dias mas que, inclusive, fosse todos os anos completado com os neologismos que entram para a língua e com os termos técnicos que têm que ser adaptados para a língua.
Temos deixado isso ao livre arbítrio dos diversos sectores tecnológicos e daí os economistas nos terem impingido a palavra "implementar", daí o dizer-se "não realizei que tu eras burro" em vez de "não me dei conta que tu eras burro". Os franceses também caíram nessa…
A Academia das Ciências tem o problema de ter ciências e letras ao mesmo tempo, ao passo que a Academia espanhola ou a francesa só têm letras, o que cria uma maior facilidade.