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6 | II Série GOPOE - Número: 008 | 18 de Novembro de 2008

aos recursos de que o País dispõe, da nossa presença na União Europeia, mais ainda quando vemos o conjunto dos recursos.
Do nosso ponto de vista, esta crise até evidencia bem as dificuldades com que nos confrontamos quando temos toda a nossa representação orientada para o espaço da União Europeia, quando 75% a 80% do nosso comércio se orienta para o espaço da União Europeia. Só que o mundo está a mudar muito rapidamente, há outras regiões que emergem, com poder geopolítico, poder comercial, poder financeiro, e temos de ajustar a representação dos nossos interesses a essa nova realidade emergente.
Esse esforço de readaptação passa também por uma reflexão sobre a rede diplomática e consular que temos. É absolutamente indispensável que tenhamos isso em consideração, já a pensar também no próximo movimento diplomático.
Prioridades da acção política. Para além da reforma em curso nos sectores que identifiquei, a que daremos a maior das prioridades, temos de prestar particular atenção a um conjunto de iniciativas de acção política que estão em curso e que se prendem com compromissos que o Estado português assumiu.
Como sabem, projectámos uma acção externa ao longo destes anos, procurando fazer suceder sempre a grande visibilidade que Portugal tinha na União Europeia com outras iniciativas.
Por isso, ao longo do próximo ano, presidiremos à CPLP até 2010, bem como presidiremos à Comunidade Ibero-Americana e à Comunidade das Democracias. Assim, teremos em curso três exercícios de presidência que dão visibilidade e projecção ao País, particularmente em algumas áreas e regiões específicas e, assim, ao longo do próximo ano, daremos particular atenção ao desenvolvimento nestes sectores.
No que diz respeito à CPLP, o programa é conhecido. A presidência de Portugal iniciou-se em Julho, com a cimeira realizada em Lisboa, a qual, como sabem, se centrou, sobretudo, na projecção da língua portuguesa, assumida pelos Deputados membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa como a bandeira da acção da Comunidade ao longo dos próximos dois anos.
Na vigência da nossa presidência, terá lugar uma importante reunião ministerial a realizar em Cabo Verde, pelo que não onerará muito o orçamento do Estado português. A presidência seguinte, a de Angola, organizará a próxima Cimeira de Chefes de Estado, em Luanda, em 2010, provavelmente em Julho.
Como foi sublinhado, durante o próximo ano, daremos particular atenção ao apoio por acção do Estado português nos diferentes sectores — seja no sector dos Negócios Estrangeiros seja, em particular, no da Educação e no da Cultura —, ao esforço para promover o Português como uma língua com vocação universal, com estatuto para se afirmar como uma língua das principais organizações internacionais, designadamente da ONU. É óbvio que, no quadro da presidência da CPLP, sendo esse um objectivo assumido por todos, Portugal tem de ter um papel liderante no processo, a par de outros Estados como o Brasil que, ultimamente, muito se tem empenhado na projecção do Português como língua de vocação universal.
Sublinho uma vez mais que, no exercício da presidência da CPLP, daremos particular atenção à acção política de promoção do estatuto da língua portuguesa.
No domínio da Comunidade Ibero-americana, vamos aproveitar a presidência ao longo do próximo ano para dar uma particular dinâmica às nossas relações com a América Latina, um espaço com enorme potencial de crescimento dos nossos interesses em todos os domínios — cultural e linguístico sem dúvida, pela catalisação que o Brasil representa nesse domínio, mas também do ponto de vista da projecção dos nossos interesses económicos.
Actualmente, temos já, no Brasil, plataformas importantes de representação dos nossos interesses económicos e empresariais e começamos a estruturar uma representação significativa na Venezuela, onde há uma comunidade de meio milhão de portugueses.
Não obstante, no espaço da América Latina, há outros países que estão em expansão do ponto de vista económico, que estão num acelerado processo de integração que vai acentuar-se ainda mais nos próximos anos por força da realidade internacional financeira e económica.