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7 | II Série GOPOE - Número: 008 | 18 de Novembro de 2008

Assim, vamos aproveitar a presidência da Comunidade Ibero-americana precisamente para dar um novo impulso ao nosso relacionamento com todo esse vastíssimo espaço, tão importante para Portugal do ponto de vista geoestratégico como é o mundo latino-americano.
Em Lisboa, vamos ter a Cimeira Ibero-Americana, em Novembro ou Dezembro, a qual já será organizada pelo novo governo saído das eleições legislativas mas preparada pelo actual Governo. Teremos de ajustar-nos ao calendário desta importante Cimeira que, em princípio, se realizará no Estoril, no mês de Novembro de 2009. Até lá, temos um importante trabalho de preparação dos programas centrado no domínio da inovação tecnológica e do conhecimento, sector em que poderemos apresentar algumas iniciativas e alguns projectos interessantes que dêem uma imagem diferente do País, de como a nossa economia se transforma e se adapta à competição global, e projectar mais acentuadamente os nossos interesses nesse espaço.
Aguardamos a entrada em funções de uma nova Administração nos EUA para avaliar a dinâmica que imprimiremos à Comunidade das Democracias, pois, como sabem, esta iniciativa, lançada no final da década de 90, é muito ligada à Administração americana.
Em Julho próximo, organizaremos em Lisboa uma importante cimeira ministerial que definirá novas balizas para a evolução desta iniciativa que, como sabem, tem uma carga ideológica muito grande. Este tema esteve presente na campanha eleitoral americana, os dois candidatos fizeram-lhe referência como sendo uma iniciativa de bandeira para a política externa americana e a candidatura McCain, sobretudo, deu particular atenção à formulação de uma liga para as democracias como uma instituição de referência na reforma do sistema internacional.
Vamos, pois, esperar pela entrada em funções da nova Administração americana para, dialogando com eles, tentarmos ajustar o desenvolvimento desta importante iniciativa e acredito que a Cimeira, que se realizará em Lisboa, em Julho de 2009, poderá marcar um horizonte de mudança relativamente a esta iniciativa da Comunidade das Democracias.
No seguimento deste conjunto de iniciativas, vamos dar atenção à preparação da cimeira com a NATO, a ter lugar em 2010, já com uma nova Administração americana em pleno funcionamento.
Ao longo do próximo ano, vamos ainda preparar, por meio de um esforço e de uma concertação intensa dos serviços externos do Estado português, a candidatura ao Conselho de Segurança para o período 2011/2012 – aliás, trata-se de uma candidatura muito exigente em que temos fortes competidores: o Canadá e a Alemanha – que foi lançada ainda em 2000 ou 2001.
É uma candidatura que tem, do nosso ponto de vista, todas as condições para se afirmar como uma candidatura de sucesso. Mas para isso é preciso trabalhar bastante desde já. É certo que todo o trabalho de projecção do País que temos vindo a fazer, seja no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia, seja no âmbito das presidências da CPLP, da Ibero-Americana ou da Comunidade das Democracias, nos ajudam a projectar a imagem do País como um País capaz de desempenhar um papel no sistema internacional compatível com o destino de pertencer temporariamente ao Conselho de Segurança, com um mandato de dois anos.
Mas, como disse, temos dois competidores difíceis, com muitos recursos – políticos, diplomáticos, financeiros – e precisamos de intensificar a acção diplomática ao longo do próximo ano para que possamos chegar à candidatura em 2010 em condições de podermos ser bem sucedidos.
Do ponto de vista das políticas, responderei, depois, às vossas questões. Vou ser muito sintético, dando particular atenção, do ponto de vista da política europeia, ao acompanhamento da forma como a Europa se vai posicionar para responder à crise económica e financeira, que já atingiu fortemente o espaço europeu.
Estamos em recessão no espaço do euro e, nessa perspectiva, os trabalhos ao longo dos próximos Conselhos, seja o de Assuntos Gerais, seja o Conselho Europeu, vão centrar-se muito na resposta da União Europeia à crise financeira e económica.
Vamos dar atenção a todo o processo de desenvolvimento do Tratado de Lisboa e, no domínio das relações externas, e sobretudo da reconfiguração da política europeia de segurança e defesa, temos de estar