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SESSÃO DE 18 DE MARÇO DE 1885 813

uma larga carreira publica e innegavelmente gloriosa, no
fim da sua vida havia de ter medo?
Medo de que? (Apoiados.)
Só os medrosos é que julgam metter ou fazer medo.
Uma alma intrepida e um coração, impavido, não são capazes de suspeitar nos outros aquillo que em si não sentem.
Pois o sr. conde do Casal Ribeiro será o primeiro a não julgar-se offendido, vendo que em volta d'elle se queima incenso de tal forma envenenado, que só mira a transtornar o seu tino de homem politico de superior valia, em proveito de interesses que nem são do paiz nem de exa.?
Eu fallei em obstruccionismo na camara dos pares.
Disse-o e não o nego.
Não fallei, porém, em nomes, nem accusei pessoas ou partidos.
Para, que é, pois, virem fallar-me no sr. Fontes ?
Eu não affirmo nem nego que elle tambem o fizesse.
O que affirmo, é que ha quatro ou cinco annos a esta parte, a camara dos pares, sempre que qualquer medida, se lhe affigura ser de molde para alimentar curiosidade publica, ou para, promover a queda do governo, não tem deixado de empregar todos os meios para o conseguir.
É isto o que se tem feito na camara dos pares; é isto o: que se fez em relação é Salamancada, e era isto o que se queria fazer com relação é reforma do exercito, que ali estava já annunciada como sendo uma medida monstruosa, segundo ouvimos todos ha pouco a um deputado progressista.
E eu, se fosse membro d'aquella casa, havia de ter muito escrupulo, em chamar medida monstruosa a uma medida e já tinha o voto favoravel da camara dos deputados. (Apoiados.)
Não póde dizer-se no parlamento que é medida monstruosa uma medida já approvada pelos eleitos da votação popular.
O que ninguém contestará é que n'aquella camara se preparava contra o projecto da reforma do exercito uma posição intransigente.
Essa opposição vencia a o governo porque tinha maioria outra casa do parlamento, como se demonstrou mais de ia vez, mas havia de ser é custa de muito tempo, porque os governos regeneradores não usam, nem costumam abafar as discussões, desejando pelo contrario que sobre suas medidas fallem os oradores mais distinctos dos diversos partidos, illustrando e formando assim a opinião do paiz. (Apoiados.)
Mas voltando ao facto que tão desagradavelmente me impressionado, o das pretendidas ironias por mim dirigidas ao eminente estadista e grande orador, o sr. Conde do Casal Ribeiro, quero agora perguntar ao meu accusador que direito lhe poderia assistir para assim me increpar, elle que durante todo é seu discurso não poupou com motejos o, sr. presidente do conselho, chegando a aconselhar-lhe que se retirasse a tempo, seguindo o exemplo das trizes velhas e decadentes? (Muitos apoiados.)
Pois não será tão respeitavel o sr. Fontes, como o conde do Casal Ribeiro, devendo ainda notar-se que aquelle exerce actualmente um dos poderes do estado é (Apoiados.)
Pois não é constante dizerem os illustres deputados d'aquelle lado da camara que têem a maior consideração pelas suas qualidades ?
Como se combina isto com os motejos a que durante ia hora o sr. Lobo d'Avila não poupou o sr. Presidente conselho é (Apoiados.)
Recommendou-me modestia s. exa., e que tivesse mais consideração pelos membros desta camara, que se sentam d'aquelle lado.
Repillo a censura. Não se dirigia nem a este nem áquelle lado a palavra que empreguei.
Todos nós fallâmos muito. Mas o que ninguém será capaz de dizer, é que da maioria se levantou alguem para fallar, n-ao tendo de responder a increpações que se nos faziam ou no governo. (Apoiados)
E n'este momento deixo de parte a ironia de s.exa., quando disse que o sr. Barros Gomes, não julgando opportuno responder-me, se tenha contentado em dar-me uns apontamentos, mandando-me estudal-os.
Como o facto é pessoal, elevantal-o não póde interessar senão a mim proprio, eu não estou aqui para tratar dos meus interesses, mas para tratar dos interesses do paiz, appello simplesmente para o sr. Barros Gomes, para que elle diga, se me havia ou não prevenido do que tencionava fazer, acrescentando que da minha delicadeza esperava que eu acceitasse aquelles apontamentos, e da minha probidade confiava, que eu faria nos meus calculos as rectificações que lhe pareciam necessarias.(Apoiados do sr. Barros Gomes.)
Isto é um procedimento de amigos e de homens leaes e honestos (Muito apoiados.)
Por isso, creia o illustre deputado que se lhe mallogrou o intento, e que a sua ironia nem penetrou nem se honrou muito lançando-m'a.
Peço a v. exa. que me reserve a palavra para a sessão seguinte, visto ter já passado a hora.
Vozes:- Muito bem.
(O orador foi muito comprimentado.)
O sr. Presidente:- A ordem do dia para ámanhã são trabalhos em commissão e para sexta feira a continuação da que está dada.

Está levantada a sessão.

Eram seis horas e um quarto da tarde.

Representação apresentada pele sr. visconde de Reguengos e mandada publicar n'esta sessão

E N.º 13

Senhores deputados da nação portugueza.- Os abaixo assignados, proprietarios e lavradores do concelho de Elvas, vivem quasi exclusivamente da cultura da terra, por insignificantissimo o seu commercio e não possuirem industrias que n'outras localidades prosperam, adherem á representação, que ha dias vos foi dirigida pelos lavradores de Santarem, e, como elles, vos pedem que, tomando na devida consideração os mais caros e legitimos interesses do paiz, attendaes os clamores que se erguem para concedida é industria cerealifera a protecção, de que
tanto carece, por não poder competir com a concorrencia, lhe fazem os trigos e farinhas procedentes do estrangeiros especialmente da America.
Primando aquella representação pela clareza e verdade, que n'ella se deduzem quantos fundamentos ha para justificarem, é de certo desnecessario que os abaixo assignados, pedindo o que já vos foi pedido com as mais as rasões, venham repetir o que já está dito para ser irada a crise que vexa a principal de todas as nossas industrias.
Havendo, pois, como reproduzido tudo, quanto vos foi ponderado por aquelles peticionarios, ousam, ainda assim, lembrar-vos que o concelho de Elvas, como os mais do Alemtejo, por ter uma população relativamente pequena, lucta com a falta de braços, que noutras partes abundam ao menos escassos; que essa falta dá logar a que preço dos salarios seja mais elevado nesta parte do reino do que em nenhuma outra; que a lavoura, aqui exercida em grandes herdades, impõe a quantos as cultivam a necessidade de sustentar numerosos serviçaes, o que representa um importantissimo despendio; e emfim que, sendo a producção dos trigos o principal recurso d'esta locali-