O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

Sessão de 12 de Fevereiro de 1924 11

O Sr. Cunha Leal: — Sr. Presidente: em primeiro lugar, tenho de me referir a um incidente ocorrido entre os Srs. Cancela do Abreu, Ministro das Colónias e Norton de Matos, antes de iniciar as minhas considerações a propósito do artigo novo proposto pelo Sr. Almeida Ribeiro.

Mas como se trata de afirmações muito claras e toda a gente está falando, ouso pedir a V. Exa., Sr. Presidente, a atenção da Câmara para o que vou dizer.

O Sr. Presidente: — Peço a atenção da Câmara.

O Orador: — O Sr. Cancela de Abreu afirmou, e com justa razão, que eu tinha dito que elogios — não à obra dos altos comissários, não àquilo que poderia ser a vida de Angola, não àquilo que poderia ser a ressurreição do uma província — tinham sido pagos com os dinheiros de Angola. O Sr. Cancela de Abreu não fez mais que afirmar uma verdade, verdade insofismável, que eu me proponho demonstrar aqui no dia e na hora em que o Sr. Ministro das Colónias assim o desejar.

O Sr. Ministro das Colónias afirmou que reputaria censurável se tal se fizesse e que não acreditava que isso assim fôsse.

S. Exa. acreditou simplesmente que à vida de Angola e à obra porventura do Alto Comissário se tivessem feito elogios, mas que se não tivesse pago aquilo que eu posso considerar como o elogio puro e simples do Alto Comissário o desejo de o manter lá e a propaganda a favor dele.

O Sr. Ministro das Colónias, contraditou o Sr. Cancela de Abreu porque não conhecia os factos.

Foram pagos artigos exclusivamente para louvar a alta personalidade do Sr. Alto Comissário de Angola exclusivamente para isso. Supôs o Sr. Ministro das Colónias que eu tinha feito apenas aproximação de datas de recibos relativos a outros artigos publicados o que foram pagos. Não. Os recibos que eu li aqui mencionavam os artigos que se pagaram, artigos êsses que estão em meu poder e são exclusivamente de puro elogio ao Sr. Alto Comissário de Angola.

E, assim, eu quero dizer ao Sr. Ministro das Colónias que S. Exa., por êrro de informação - e S. Exa. sabe bem todo o

respeito que eu tenho pela sua individualidade moral que se não confunde com estas pequenas tricas está enganado a respeito dó conceito que faz sôbre o pagamento dos tais artigos. Quero dizer a S. Exa. que o Sr. Cancela de Abreu tinha razão e S. Exa. é que a não tinha. E quero mais dizer ao Sr. Ministro das Colónias que tendo o Sr. general Norton de Matos informado que outros artigos houve que tinham sido pagos e que possuía documentos a êsse respeito lamentando o Sr. general Norton de Matos que todas as pessoas que intervieram neste assunto, não se encontrassem, por uma obra diabólica ou do acaso, na Saia da Câmara dos Deputados, quero eu dizer a S. Exa. que até o fim desta semana procurarei orientar a minha vida no sentido de não faltar um único dia mais à sessão, esporando da parto do Sr. Ministro das Colónias, como da parte do Sr. general Norton de Matos, nosso ilustre colega na Câmara dos Deputados, o favor de se entenderem sôbre o dia em que eu devo aqui trazer as provas do que afirmei, e para que o Sr. general Norton de Matos, que deve entender-se muito bem com o Alto Comissário de Angola, nesse dia traga aqui também todas as provas daquilo que porventura afirmou.

Já estamos a demorar demasiadamente um assunto que interessa à própria vida e honra da República. E, portanto, bom que os dois senhores se entendam para que esta contenda tenha um dia a sua conclusão lógica e natural, para que os factos sejam aqui apresentados com toda a clareza, expondo cada um os seus argumentos, as suas provas, e para que se não diga que nós, por obra do acaso ou propositadamente, nos não encontramos nunca aqui reunidos.

O Sr. Norton de Matos: — V. Exa. dá-me licença que o interrompa?

O Orador: — Às suas ordens...

O Sr. Norton de Matos: — Eu desejava dizer a V. Exa. e à Câmara que estou absolutamente pronto para entrar em qualquer discussão, mas dentro do Regimento da Câmara, sôbre os actos do Alto Comissário de Angola o sôbre o regime dos Altos Comissariados em Angola. E quanto