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Sessão de 16 e 17 de Julho de 1925 41

sôbre a cabeça preciosa dessas extraordinárias pessoas, pode vencer a resistência das paredes ósseas da caixa craniana, comprimindo e impedindo, por consequência, o fluxo daquela quantidade de sangue normal dos centros nervosos.

Talvez por esta razão de carácter fisiológico - que não quero apontar como única - essas pessoas, quando se dignam falar para o público dos mortais como nós, que não temos a enfeitarem-nos a casaca as palmas académicas, produzem as cousas mais extraordinariamente interessantes, mais curiosamente divertidas que possam imaginar-se. Veja V. Exa. que a moção do Sr. Pedro Pita, ilustríssimo imortal, que por uma acumulação extraordinária de sciência, por méritos próprios, ascendeu à imortalidade em plena mortalidade, principia pela elegantíssima construção portuguesa que dela consta.

A imortalidade dá sempre disto, que é extraordinariamente divertido para nós outros, que somos suficientemente iconoclastas para não querermos ser imortais.

Sr. Presidente: fui sempre uma pessoa com o vezo de aplicar aos outros, por uma regra de justiça, aqueles sistemas, aqueles métodos, aqueles processos que êles costumam usar. Ora, o ilustre e imortal Sr. Pedro Pita, em circunstâncias análogas àquelas em que me encontro, embora não tendo sob os seus olhos êste interessante documento em que... o poder não pode, usou e abusou desta arma demoníaca de articular sons sem nexo, sem ligação, para impor um determinado critério, se critério se pode chamar às birras dum imortal. Porque onde elas se fazem é onde elas se pagam, e então chegou a hora de um imortal sofrer a aplicação do sistema, do processo, de que tanto usa e abusa.

Sr. Presidente: êste documento, pela sua singeleza, permite-nos analisar alguns aspectos importantes e curiosos da política portuguesa.

O primeiro período, em que se reconhece que "O Poder não pode ser", é um título para ir para a Academia, e teria certamente lá levado o nosso amigo Banana.

Sr. Presidente: na verdade, em parte alguma do mundo se reconhece que o Podei* é exclusiva pertença de um partido, especialmente no nosso, que é contrário

a monopólios. Não se tornava, portanto, necessário esta manifestação de coerência da actividade republicana do nosso país, porque, como já disse, em nenhuma parte do mundo essa teoria é adoptada. Mesmo na Bélgica, onde o Partido Católico esteve no Poder vinte a trinta anos, essa doutrina foi aceita.

Nas sociedades modernas, por muito cultas que elas sejam, o facto de um Govêrno só conservar largo tempo no Poder não representa isso um monopólio, mas traduz uma escala entre a maioria e a sociedade, pois que se encontra colaborando com toda a nação, e desde que a opinião pública é a expressão consciente dos desejos e das aspirações da maioria dos cidadãos de um País, essa conservação no Poder não representa um monopólio.

Nestas condições, a permanência constante e exclusiva do um partido no Poder não pode realizar-se, por mais que a imortalidade do Sr. Pedro Pita a tenha querido impor à nossa mortal inteligência.

Sr. Presidente: apesar de esta expressão ser uma das verdades axiomáticas que celebrizou para sempre Mr. de La Palisse, escrita pelo Sr. Pedro Pita, na sua moção, não corresponde à realidade dos factos em Portugal.

O Partido Republicano Português, que é aquele a quem se dirigem estas expressões, não tem exercido em Portugal o monopólio do Poder. Pelo contrário. E permita-me V. Exa., Sr. Presidente, que eu faça um pouco de reminiscência para ver a evolução que tem sofrido o Partido Republicano Português.

Até 1910 o Partido Republicano Português não exerceu o Poder. Gomo é sabido. o Partido Republicano Português surgiu no começo da segunda metade do século passado, pela actividade intelectual de um reduzido número de pessoas que não concordavam nem com os costumes políticos, nem com a morfologia e estado social do tempo em que viviam. Algumas dessas pessoas, apesar das suas extraordinárias mentalidades. não lograram a ventura que logrou, jóven ainda, o Sr. Pedro Pita, pondo nus abas da sua casaca as palmas douradas da imortalidade.

Essas pessoas fizeram a propaganda do ideal republicano nos jornais, sobretudo nos pequenos jornais, com uma enorme