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Diário das Sessões do Senado

Mas um dia havemos de começar.

±LÍ o momento de começar vida nova, e não podemos fazê Io com processos velhos condenados pela sciência.

Entendo o período de 55 anos exagerado.

Já disse aqui, a propósito do empréstimo de Moçambique e dos caminhos de ferro, que o material de caminho de ferro deve ser amortizado em 25 anos.

E, contudo, aparecem dois períodos de amortização.

Assuntos destes resolve-os a martemá-tica, S. Ex.a encontra-os resolvidos em tabelas, mas estas são consequência dos estudos matemáticos.

Em lugar de 99 anos bastavam 60 anos.

Continuo a pensar que ó exagerada a garantia de juro que se dá.

Actualmente temos um gravíssimo problema entre mãos, para o qual chamo a atenção da Câmara.

A Câmara também julgou oportuno aprovar um projecto autorizando a província de Angola a contrair um empréstimo até 60:000.000$, com garantia nas receitas da província.

Se amanhã Angola se voltar para a metrópole a dizer-lhe que lhe acuda, ela tem razão.

O Sr. Joaquim "Crisóstomo (interrompendo):— Foi a bonita administração do Sr. Norton de Matos . . .

O Orador: — Eu não me estou referindo a pessoas., Pausa,

O 'Orador: — Sr. Presidente: se se trata aqui só da região, está bem.

,;Mas então para que é que o Parlamento há-de estar a tratar dum assento destes?

E porqne há também aqui a questão do crédito público e nós, Senadores, não podemos descolar-nos do aspecto nacional que tem a questão.

Não é indiferente o prazo de 99 anos para amanha se poder resgatar o caminho de ferro em face das circunstâncias criadas.

Referiu-se o Sr. Alves Monteiro muito

à região, à sua riqueza e às suas belezas; S. Ex.a cantou um verdadeiro hino á região.

Eu presto as minhas homenagens à região, mas. não podemos em questão de tal ordem ir só pelo sentimento.

Fazer uma concessão por 99 anos, não é cousa que nos possa deixar indiferentes.

Assim, o meu protesto não vai contra a região, mus contra aquilo que possa afectar o crédito nacional.

Tenho dito.

O orador não reviu.

O Sr. Afonso de Lemos: — Sr. Presidente : quero primeiro que tudo felicitar o Sr. Herculano Galhardo e associar-me a S. Exa. nos seus protestos contra a redução dos juros da dívida pública . . .

O Sr. Herculano Galhardo (interrompendo}:— Eu não protestei . . .

O Orador:—Pensei que sim.

Bem. Então serei só eu que declaro, em meu nome e dos meus correligionários, que levanto o meu protesto solene contra a redução dos juros da divida pública.

Julguei que o Sr. Herculano Galhardo tivesse dito . . ,

O Sr. Herculano Galhardo (interrompendo}:— Disse, disse que, numa tal situação, mal se compreendia que fôssemos aumentar os encargos ouro da nação.

Se V. Ex.a se não opõe à orientação do Governo, então também não tem que se revoltar contra os 7 por cento ouro que aqui está estabelecido e que o Governo reduzirá a 2 ou 3 por cento quando quiser em harmonia com os precedentes que já adoptou.

Portanto, Sr. Presidente, continuo sozinho a protestar contra a orientação do Governo quando reduziu os juros da dívida externa, porque entendo que o Estado deve ser honesto nas suas obrigações.

Aproveito a ocasião para aplaudir e felicitar a iniciativa individual em matéria de fomento.