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Sessão de 6 de Agosto de 19%4

vá para poder censurar o Governo por ele ter ordenado essas prevenções.

Eu compreendia que o ilustre Senador tornasse a situação inversa, que S. Ex.a acusasse o Governo de não ter tomado as providências devidas quando corriam boatos de alteração da ordem pública. Mas vir dizer que é um bluff o facto de ter havido a prudência de tomar algumas medidas preventivas é que me parece estranho, havendo, segundo creio, mais motivo para elogios do que para censuras. E fácil dizer tais cousas quando se está fora das cadeiras do Poder, mas quem está cá dentro é que pode reconhecer a a oportunidade com que procede.

E certo que para os mal intencionados as palavras do Sr. Ribeiro de Melo representariam um desejo de alteração da ordem pública,. Não me cumpre tomar a defesa de S. Ex.% que o não precisa, pela sua grande inteligência e pelo seu coração, mas direi que o ilustre Senador é um sentimental.

Disse o ilustre Senador: «A atmosfera não era propícia para uma revolução, porque o país aceita tudo».

Quem ponderasse estas palavras havia de naturalmente ter a impressão de que S. Ex.a desejaria que uma alteração da ordem pública se fizesse.

Ora não foi esta certamente a intenção de'S. Ex.a

Pode dizer-se que o Governo, de que sou o mais humilde dos membros, não tem nem o apoio dum partido, nem'o da opinião pública, o que não é exacto. Eu suponho que se fez, e sei que se fez, o que habitualmente ó costume fazer quando se constitui um Governo.

Foi chamado o Directório do Partido Republicano Português, que desempenhou honesta, sincera e inteligentemente o seu papel, não porventura na escolha do presidente," embora este mereça todas as atenções, mas em tudo o mais que se seguiu.

Que se entenda que escolheu bem ou se entenda que escolheu mal, a verdade é esta: é que o meu partido é um partido disciplinado, um partido que está dentro da República e desde o momento que o órgão pregoeiro do partido tomou uma deliberação, todos, bem disciplinados, aceitam essa deliberação.

Mas a verdade é que o Sr. Ribeiro de Melo ó extremamente disciplinado, com

uma inteligência cultíssima, e estou certo que não há-de despresar estes preceitos, que são os preceitos fundamentais por que se regem os partidos, e pelo qual se rege o interesse da própria República, empregando aqui a República no sentido de Estado Português.

Postas estas considerações, transmitirei ao Sr. Ministro das -Finanças as considerações que S. Ex.a fez a respeito do contrato com a Companhia dos Tabacos.

Esse contrato, como V. Ex.a disse^ e muito bem, é da responsabilidade do Governo, e devo dizer e declarar a esta casa do Parlamento, e ao País, que quero e aceito a responsabilidade que sobre mim caiba sobre tal contrato, e se a Câmara quiser que sobre mim caia toda essa responsabilidade aceito-a, porque se os meus ombros são fracos, a minha consciência é forte.

Tenho dito.

O orador não reviu.

O Sr. Ministro das Colónias (Bulhão Pato): — Sr. Presidente: pedi a palavra para responder às considerações feitas pelo ilustre Senador Sr. Ribeiro de Melo, acerca da nomeação do Alto Comissário para Angola.

Devo dizer a V. Ex.a, e certamente S. Ex.a não o ignora, que a nomeação dos Altos Comissários não ó só da responsabilidade do Governo, nem do Ministro.

O Ministro faz uma indicação, e a Câmara vota como quere e entende.

É um acto da responsabilidade geral do Governo, em que o Ministro das Colónias tem uma parte principal, mas que não pode, no emtanto, resolver só por si.

Mas o Governo há-de escolher quem dignamente souber desempenhar tal cargo.

Não serei tam exigente como S. Ex.a, querendo para esse cargo alguém com todas as qualidades, porque seria preciso escolher um anjo.

O eleito há-de ter qualquer defeito, como todos nós temos.*

Entretanto, o Governo escolherá pessoa absolutamente idónea; esteja V. Ex.a certo de que é um assunto que o Governo não descuida nem pode, de forma alguma, descuidar.

Tenho dito.