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Diário das Sessões do Senado

De forma que o operário que se invalida numa oficina, que sofre um acidente qualquer, está condenado eternamente a andar de porta em porta a pedir esmola, e n£o pode ir para uma escola de reeducaç£o continuar a ser útil ao seu país.

Problema grande é este, Sr. Presidente do Ministério, que se pode casar com o da valorização física pelo lado estético.

Eu procurei que o operariado tivesse arte dentro da sua oficina.

Lancei a idea do teatro dentro da oficina para que o operário não tivesse a preocupação constante do seu trabalho e assim pudesse, não só distrair o espírito, mas iustruir-se.

Até hoje ainda ninguém pensou em legislar sobre o trabalho da mulher nas oficinas,. principalmente para a proteger durante,-o estado de gravidez e após o parto. É necessário pensar a sério não só neste problema, como também no niodo como devem funcionar as escolas por esse país fora onde em muitas não há o mais leve princípio de higiene.

Igualmente se torna necessário que o Governo encare de frente o probloma de educação física, problema este que concorre eficazmente para a terminação das lutas entre operários e patrões, como aconteceu em Setúbal, que, logo pouco depois de aparecerem os campos de desporto desapareceu quási completam ente a agitação que lavrava naquela cidade.

Estes problemas não são da extrema direita ou esquerda: são de todos aqueles que desejam pertencer a nma nacionalidade forte, disciplinada e consciente.

Estou convencido de que S. Ex.a o Sr. Presidente do Ministério, que vem (leseinpoeirado de preconceitos e desejoso de fazer nome, irá lutar por estas ideas.

•Se o fizer, S. Ex.a terá praticado uma grande obra a favor do, r e vigora mento da raça portuguesa e do nosso ressurgimento económico.

. ^ Não será fácil depois subsidiar todos esses asilos, creches e institutos que tratam das crianças ?

A imprensa é um motor enorme para as grandes iniciativas. Eu já, por meio dela, consegui fazer muitas das cousas que tenho apregoado, porque não soa só homem de palavras, sou também homem de acção.

Não temos uma legislação de acidenta-dos^ de trabalho como devia ser.

É preciso criar uma tabela de invalidez, porque a que temo& é copiada do modelo francês e não está actualizada em consequência de não termos copiado também as transformações.

Essa cópia não serve, porque as condições de vida do operário lá fora são diferentes das de aqui.

Morre-so nas oficinas tanto como nos campos de batalha e, todavia, não temos na legislação a suficiente garantia para os indivíduos que trabalham mis oficinas.

Somos dotados do altruísmo, ternura e amor, temos rasgos de audácia para defender os oprimidos, mas,'sem abandonar esse sentimentalismo, sejamos também originais, façamos uma tabela de invalidez genuinamente nossa.

Ainda não produziu o que devia ter produzido, principalmente, não se radicou no espírito público ainda a idea daqueles que são sinistrados como por exemplo os sinistrados da guerra. A guerra, Sr. Presidente, pode ser considerada uma grande oficina, e no regresso d'os operários ainda não se atendeu à idea de que a trabalhos iguais correspondem salários iguais.

Estes é que são os grandes problemas de ordem moral que farão com que venham novas auroras ao mundo, épocas em que todos tenham o mesmo direito, sendo os indivíduos apenas diferentes pelas suas exteriorizações materiais.

Nós havemos de ter nessas transformações nacionais belas auroras de luz em que todos, como mesnio direito, nos possamos auxiliar uns aos outros sem ódios nem malquerenças.

Emquanto ao problema de instrução, o que se passa com todos estes problemas que eu citei que dizem respeito aos inválidos, é um problema que se refere aos válidos.