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Diário das Sessões do Senado

e proclama-se ((Imperador da Lusitânia», Josephus Primus de Lusitânia Deie Gra-tia Imperator.

Risos.

E não pode haver outra maneira.

Só o tempo que ó preciso para se fazer a distribuição da propriedade pelo País, o tempo que temos de esperar pelos relatórios especiais de cada uma das colónias, todo o tempo que é necessário para a reparação das estradas, construção áe mais 100 quilómetros de caminhos de ferro, etc., .tudo o que é preciso para pegar neste País e transformá-lo no paraíso _de Mahomet, dando 25 anos, mesmo nos tempos modernos em que o trabalho pode ser uma progressão geométrica de velocidade, 25 anos não é muito.

E depois de completa esta obra, se eu ainda vivesse — porque já tenho 60 e não espero ainda viver mais 25 anos — não sei se hesitaria em ir pôr uma folhinha de louro no César.

Risos.

Sr. Presidente: apesar de tudo isto, devo dizer a V. Ex.a, não sei porquê, são destes palpites que eu tenho, afinal de contas, tenho muita simpatia pelo Sr. José Domingues dos Santos.

Quando ele foi Ministro da Justiça tivemos aqui, por várias vezes, embates menos naus; e ele, afilava o nariz, principalmente quando se discutiu no Senado a questão do inquilinato!

Mas isto não quere dizer que não haja entre nós as melhores relações.

Mas, Sr. Presidente, apesar de tudo isto, parece-me que o Governo não terá uma grande duração.

E não a terá por muitos motivos.

O primeiro motivo ó este: na verdade o Governo não tem o apoio dedicado, corajoso, vigoroso, que precisa ter um Governo que se propõe realizar uma obra destas.

Não pode contar com o apoio da maioria, e isso revela-se naquela moção apresentada na Câmara dos Sr s. Deputados.

Moções de confiança, Sr. Presidente do Ministério, precisam vir em termos precisos, claros, afirmativos: a Câmara confiando no Governo, fazendo justiça aos séns altos merecimentos, etc.

Agora, dizer que o Governo foi eleito segundo o espírito constitucional, é o

mesmo que deitar gelo sobre o Governo; tem-se uma impressão de gelo.

Ora aqui tem V. Ex.a claramente a situação em que o Governo se encontra, i S. Ex.a ainda anda a querer enveredar por um caminho, mas palpita-me que o não consegue!

S. Ex.a ou vai para a ditadura, mas há muita gente que não quere; não somos nós, sâ'o os do seu partido que não querem, tenha S. Ex.a a certeza disso; ou, não sendo' ditador, tem de voltar outra vez para a propaganda.

E claro que tanto mais airosamente sairá desta dificuldade quanto o seu tato lhe indicar a melhor saída.

Esta é a melhor espectativa que S. Ex.a pode ter.

Mas.. Sr. Presidente, o facto é que da história não se colhem aquelas lições práticas tam necessárias para cada um poder governar a sua vida..

Se, na Kepública, se tivesse já visto o que custou à monarquia o espírito de divisão, que nos seus últimos tempos minou os partidos, tenho a certeza de que a República não tinha os seus partidos tam divididos como estão na hora presente.

Além das divisões maiores, a dos agrupamentos mais definidos, há incontestavelmente dentro desses agrupamentos parcelas bem divididas, porque infelizmente entrou aqui o micróbio, que derruba todos os partidos, que .é o personalismo.

Desde o momento em que os ideais se confundem, desde o momento que eles não imperam na alma do cidadão, e que o homem começa a olhar seriamente p ara • a sua situação pessoal, .a agregação é absolutamente impossível.

E o mais interessante é o seguinte: é que os altos poderes do Estado, em lugar de quererem evitar esta divisão, parece-me que se comprazem em a facilitar.

Foi chamado o Partido Nacionalista ao Poder, sob a presidência do Sr. Genestal Machado. Pois, logo dentro do Partido Nacionalista surgiu uma dissidência.