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Sessão de 11 e 12 de Dezembro de 1924

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constitucional, e assim tapou a boca aos que diziam o contrário.

Mas há mais. S. Ex.a mostrou assim que as tais divisões tam faladas que dizem existir no nosso partido não existem, e se aparecem são de pequena importância, e mal de nós se não houvesse diferença de pensar.

Tendo este lado da Câmara uma numerosa representação, o Sr. Catanho de Meneses sustentou tudo isto que eu acabo de apontar, e não houve ninguém deste lado da Câmara que protestasse, e se alguns membros falaram foi ainda para ampliar a declaração ministerial, foi porque, interessando-se mais ou menos por certos problemas, quiseram desenvolver a parte apontada na declaração a propósito desses problemas, de harmonia com o seu pensar.

Isto mostra que ainda há neste lado da Câmara -a disciplina.

Mas como eu nunca tive o propósito de entrar no debate político e apenas fui chamado a dar umas explicações, por causa de referências que ao meu modesto nome foram feitas pelo meu querido amigo e ilustre Senador, Sr. D. Tomás de Vilhena, e pelo não menos meu querido amigo, Sr. Pedro Chaves, QU vou dar es: sãs explicações : i

O Sr. D. Tomás de Vilhena, revelando a estima e amizade que nos une, atri-buíu-me qualidades que eu não tenho, e por isso estranhou que eu não estivesse sentado numa dás cadeiras do poder.

Desculpe-me S. Ex.a O eu não estar ali é um segredo meu e do Sr. Presidente do Ministério, que eu não revelarei.

O Sr. D. Tomás de Vilhena: —Já não digo mais nada.

O Orador: — Seria o mesmo que eu preguntar a S. Ex.a, que tantos predicados tem evidenciado, porque é que não íoi Ministro no tempo da monarquia.

S. Ex.a foi, como eu, governador civil em dois distritos, mas nunca chegou a ser Ministro.

O Sr. D. Tomás de Vilhena:—É que

eu nesse tempo ainda estava muito novo, ainda estava pouco adiantado na minha carreira política. Agora é que começam a aparecer os meninos prodígios.

O Orador: — E o máximo que eu posso dizer a S. Ex.a, e sinto muito não poder satisfazer a sua curiosidade, mas, repito, é um segredo meu é do Sr. Presidente do Ministério.

O que eu posso afirmar é que a mim e ao Sr. José Domingues dos Santos nos ligam laços de amizade e a maior comunhão de ideas.

Agora com respeito ao Sr. Pedro Chaves.

S. Ex.a sabe bem a amizade que nos liga e a consideração que eu não podia deixar de ter, e que todos os republicanos têm, por Ovar.

Ninguém pode esquecer a atitude dessa terra, bem republicana e bem patriótica, perante o sidonismo e perante a monarquia do Porto, e que foi uma das que mais concorreram para a restauração da Kepública.

Mas as condições dessa terra e as do Porto eram diferentes. *

Se nós no Pôrío tivéssemos, como Ovar, desde o início da revolta monárquica, já não digo um regimento, mas um batalhão apenas, que viesse para a rua combater a monarquia, talvez que ela se não implantasse no Porto. Mas o Porto estava em condições muito diferentes: é que durante um ano se tinha elaborado um plano tenebroso que tinha por j&m executar todos os republicanos.

De maneira que, quando se proclamou a monarquia, não houve uma única voz, a não ser dentro das prisões, que protestasse.

Xão posso deixar de lembrar que foi o actual Presidente do Ministério uma das primeiras pessoas que no Pôrío tratou logo, desde o início do sidonismo, de formar um comité . . .

O Sr. Rego Chaves: — Eu há pouco recordei isso.

O Orador: — De combate à ditadura e que lhe custou, por causa de uma traição, bastantes amargos não de boca mas de corpo.