O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

«fieasão de 10 de Março^de 1925

13

"Estado e os municípios têm a obrigação -de mandar para lá um médico nessas condições.

O Sr. Machado Serpa (em aparte):— Eu tinha pena que V. Ex.a não tivesse li-•do ao menos a representação da câmara municipal

O Orador: — Eu compreendo a paixão revelada nas palavras quentes do ilustre Senador Sr. Machado de Serpa, mas nós neste lugar se porventura nos vamos orientar unicamente pelo sentimento, estamos perdidos.

JEu dovo declarar que, no nosso país tem sido o sentimento que mais dificuldades tem acarretado aos cofres públicos e à República.

E eu tenho a consciência tranquila de nunca t"r concorrido para que os cofres do Estado, sejam injustamente prejudicados.

Nós, republicanos, que na oposição proclamámos os princípios da mais alta mo • r alidade, não temos o direito de patrocinar pretensões que nada têm de justas, nem de legais.

Sr. Presidente: eu não desejo de.forma alguma levar a questão para o campo pessoal, julgando-me com o direito de exprimir aqui o meu voto.

Ainda não me referi a quem quer que fosse.

Há treze anos que tomei assento nesta Câmara e tenho o prazer de afirmar que ainda não faltei à obrigação de proceder com a máxima correcção, não usando palavras que possam ser consideradas como depreciativas do carácter de quem quer que seja.

Isto vem a propósito do Sr. Machado de Serpa dizer que Catão também teve as suas fraquezas e que portanto eu, não sendo Catão, muito mais fraquezas teria.

De facto assim será.

Mas eu tenho tomado, por vezes, uma atitude nesta Câmara, que nem sempre agrada aos meus próprios correligionários.

É feitio meu.

Cada um é como é; e eu tenho o hábito de dizer as cousas pela maneira mais franca e leal, empregando a linguagem que entendo que devo empregar, que é a da verdade.

V. Ex.as sabem que estou falando apenas como simples Senador.

Mas, com franqueza, eu julgo que não temos o direito de dispor dos cofres, públicos como se se. tratasse do nosso bolso ; e, porque assim penso, é que em regra tenho votado, nesta Câmara, contra pensões que ,não representem um justo prémio fundado em preceitos de justiça.

Há quem suponha que o país nos não ouve.

Ouve-nos e vê bem quais são as nossas atitudes e os nossos gestos. .

[Quantas vezes temos sido acusados de liberalidades em matéria de administração pública!

;Quantas vezes temos sido acusados de menos -correctos, de menos cuidadosos, na distribuição das receitas públicas!

E então os adversários, que por vezes injustamente lançam mão de uma ou outra fraqueza, fazem confundir o regime com os actos de a ou b, fazendo recair sobre ele as medidas que, porventura, se tomem, embora com carácter particular, em prejuízo dos próprios interesses do Estado.

Ainda há pouco nós vimos quanto descrédito se pretendeu lançar sobre a Republica, sobre o fecho da abóbada da República, sobre o seu supremo magistrado.

E como?

Fazendo-se muitas afirmações que bastante prejuízo podem causar.ao regime, e sobretudo, atribuindo a este lado da Câmara, responsabilidades que, se porventura as tem, podem ser bem divididas por todos os que nos dirigiram palavras menos consentâneas cotn o dever de um partido da República.

Não voto portanto este projecto, e não o voto porque não tenho o direito de dispor dos cofres do Estado, a favor do quem quer qne seja, embora tratando-se de quem-tenha prestado altos serviços ao povo da região onde exercia o seu mester.

Tenho dito.

O orador não reviu.

O 'Sr. Costa Júnior : — Sr. Presidente : poucas palavras direi, porque a questão está já bem exposta.

Vou apenas ler aqui uma parto do relatório do Sr. Machado' Serpa, que diz o seguinte :