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Diário das Sessões do Senado

mente, porque em parte ó inexequível, uma má vontade que aumenta as diíicul-dades de arborização.

Os. estabelecimentos do Estado já fornecem gratuitamente as árvores às corporações administrativas com que estas pretendem fazer arborização.

,Isto por meio duaia requisição feita ao Sr. Ministro ds Agricultura que creio que nunca nega esse favor.

Mas o" que resulta é que muitas vezes as espécies que são fornecidas não se adaptam nem ao terreno nem ao clima.

A verdade também dolorosa é esta, Sr. Presidente: nós não temos os estudos necessários para num dado momento um estabelecimento do Estado poder saber quais são as árvores que convêm a determinado fim ou a determinada região.

Eu vou dar um exemplo. Numa das minhas requisições de árvores parji arborizar a minha terra, eu pedi amoreiras, qno foram fornecidas com abundância, pedi plátanos que eram das que ali mais íàcil-mento se davam, pedi rubíneas,

E que das próprias instâncias oficiais — e quero crer que sem propósito, mas com falta de organização apropriada — mandaram-me, entro alguns plátanos que se davam muito bem," áceres, gladisquias e outras arvores que do forma alguma se podiam dar.

Ora isto, Sr. Presidente, causa não só prejuízos mas principalmente um aborrecimento enorme a quem só propõe fazer uma cousa com vontade.

Parece-me, por conseguinte, que a melhor maneira de conseguir o objectivo desta proposta de lei é continuar a fazer a propaganda da árvore, mas não esta propaganda que se faz só de ano a ano e que se passam anos sem se fazer, mas - uma propaganda como se faz em toda a parte, que é por meio de folhetos que se distribuem gratuitamente pelas escolas e, sobretudo, pelos corpos e corporações administrativas, porque estas não são em geral constituídas por técnicos, nem pelas pessoas mais ilustradas da localidade; e assim, embora muitas delas sejam constituídas por pessoas cheias de boa vontade, não têm quem as guie e, quando porventura se dirigem às instâncias oficiais, ou não as atendem com boa vontade ou

mandam-lhes gladisquias em vez de rubíneas.

Em tempos recebi, com surpresa minha, um voto de louvor da Associação Protectora da Árvore por ter introduzido nas posturas municipais do meu concelho uma disposição estabelecendo uma pesada multa para quem mutilasse qualquer árvore.

i Vejam V. Ex.aa que até já se louvara^ pessoas por tomarem iniciativas desta natureza ! »

Um país que se encontra nestas condições, o que precisa não 6 do leis qno se destinem a arborizá-lo, porque essas se não estiverem no espírito da sociedade, se não são compreendidas por quem tem de as executar, nunca produzem resultado.

A primeira cousa que há a fazer ó, por consequência, demonstrar a conveniência e a vantagem da arborização e estabelecer mesmo prémios aos alunos que melhor protejam a árvore.

Mas isto não se tem feito em mais parto nenhuma.

Do maneira que, ir plantar árvores, ir gastar árvores, ir fazer despesas enormes resultando absolutamente improdutivas, pode ser muito útil como iniciativa e como exemplo mas praticamente não dá nada.

Esto projecto impõe obrigatoriamente a plantação ao longo das estradas, taludes das linhas férreas, etc., do árvores.

Sr. Presidente: em quanto importa isto?

Suponha V. Ex.a, por exemplo, o que é vulgar, ter um município 00 quilómetros de estrada, uma companhia que tenha centenas e centenas de quilómetros de via férrea, como por exemplo a linha que vai daqui ao Porto, que tem 360 quilómetros e em que há raríssimos pontos arborizados pela companhia, £ quantas centenas de contos representa a plantação?

Depois, Sr. Presidente, e desculpará o ilustre autor do projecto e S. Ex.a está numa região do sul de Portugal, S. Ex.a fala em castanheiros, azinheiros, sobreiros, amoreiras, alfarrobeiras e quaisquer espécies frutíferas consoante as condições de clima e de solo.

Mas veja V.*Ex.a o seguinte: