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Sessão de 31 de Março de 192õ

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bom a obrigação da arborização das estradas.

Ora eu, que sou um amigo das árvores, tenho muitas dúvidas sobre as vantagens deste projecto, como já disso, e antes de mais nada permita-me o ilustre autor do projecto, que é um engenheiro agrónomo, que eu vá meter foice em seara alheia. O que não é para admirar porque se trata 'ifurn-assunto de agronomia.

S. Ex.a inclui no projecto a plantação de arvores frutíferas e isto revela uni critério já muito generalizado no nosso país o eu reputo-o na minha ignorância absolutamente errado.

Toda a gente fala na plantação das árvores frutíferas adoptando o .critério do que o nosso país e um país pomícola, e eu entendo que não é.

O nosso país tem duas ou três regiões onde se podem dar bem árvores frutíferas, e são Alcobaça, Fundão, Campo de Besteiros. Setúbal e algumas regiões privilegiadas do Douro.

De resto, um país em que temos primaveras, como este ano, ou excessivamente socas e frias ou excessivamente chuvosas e sempre ventosas, dificultando assim a polinização, num país em que não há regularidade de temperatura, £ como ó que nós podemos pensar em ter boas frutas?

Acho bem que nós procuremos obter bons exemplares que melhorem a nossa exportação, mas o que não acho bem ó que nós adoptemos o critério essencialmente pomícola, começando a cultivar árvores de fruto em toda a parte.

O que é preciso é um critério scientí-fico e bom senso, principalmente bom senso, para adaptar as culturas às regiões, e não queiramos generalizar, porque a generalização é sempre um critério errado.

Há a notar mais que as árvores frutíferas estão definhadas por inimigos e doenças parasitárias; as criptogâmicas têm imensos insectos que as prejudicam e vê-se que até o próprio lavrador, quando as árvores estão atacadas pela doença, diz que lhes deu a aragem, e não passa disto o seu conhecimento das cousas agrícolas.

«: O que é que nós podemos esperar, acontecendo como com os lavradores, de as Câmaras serem compelidas ao cum-

primento dos seus deveres, zelando pelas árvores e sobretudo pelas árvores frutííeras ?

Nem tem competência, nem sequer rés-.ponsabilidade, nem lhe vale a pena porque por fim, ainda que essas árvores vingassem, o resultado era nulo, visto que as crianças o até os adultos — e ou tenho mais medo da acção destes do que daqueles — lhes destroem os frutos antes mes-mo da maturação:

Uma das cousas com que não concordo no projecto é com esta indicação das espécies de árvores mencionadas no artigo 1.°

Acho do mais e de menos esta disposição: De mais, porque estão aqui árvores que não têm na maior parte das regiões um aproveitamento útil; o de menos, porque faltam aqui árvores que seriam absolutamente indispensáveis, o eu para não falar noutras apresento por exemplo o eucalipto, que se conta por milhões no país, e pena é que não estejam muitos outros hectares de terreno cobertos dessa belíssima árvore.

O Sr. Sá Viana (em aparte): — Se V. Ex.a tivesse um bocado do terra cultivada à beira da estrada e lhe plantassem, eucaliptos ao longo desta, talvez não gostasse ...

O Orador (continuando):—Há muitos pontos onde se pode plantar o eucalipto sem causar dano.

Do resto, trata-se duma árvore que se desenvolve com facilidade e constitui uma madeira que se presta a toda a espécie de aplicações, tanto de carpintaria grossa como para obras de marcenaria. Posso afirmar isto porque há 18 anos que faço experiências.

Se qualquer dos ilustres Senadores tiver o menor interesse em saber como fiz esta descoberta, eu terei o maior prazer de, em conversa particular, lhe fazer a descrição.