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Diário das Sessões do Senado

Quando o Parlamento votou a lei dos altos comissários fui nomeado pura dirigir esí;a província o Sr. Nortou de Maços, quo, nessa ocasião, era considerado como um óptimo administrador, e as suas qualidades ailniiuistrutivas eram um verdadeiro axioma.

Viu-se, porém, depois que S. Ex.a não tinha essas qualidades que se lhe queria atribuir; antes pelo contrário, o Sr. Norton de Matos foi um péssima administrador.

Não sou daquelas pessoas que atribuem qualidades menos honestas ao Sr. Nortcii de Matos. Apenas acuso S. Ex.a da sua falta de previdência no erguer do seu plano, e na eficiência dos seus recursos.

Aí é quo loi todo o mal do Sr. Norton de Matos.

Mas, emfi.ni, o mal está feito; o que é preciso é que para o futuro, quando se nomear alguém para governar Angola, essa pessoa tenha a competência necessária, a fim de que essa nossa riquíssima província não volte a sofrer os efeitos do seu péssimo administrador.

O mal está feito, repito, e agora o dever da Metrópole é reme dia Io na medida dos seus recursos.

Dou portanto o meu voto na generalidade a esta proposta de lei.

O Sr. Mendes dos Reis:— Sr. Presidente: ouvi ontem na 1." Secção discutir largamente e com a maior proficiência esta proposta de lei, e até com o desenvolvimento que se lhe não pode dar em sessão plena.

O que ontem se disse na Secção lova--ine a dar o meu voto a esta proposta de lei na generalidade e, mais ainda, :vco-nheço que a urgência' desta proposta é tam grande, que deste lado da Câmara não partirá a iniciativa de quaisquer emendas.

Em todo o caso, se aparecerem algumas, reservamo-nos o direito de também mandarmos emendas para a Mesa.

Tenho dito.

O orador não reviu.

O Sr. Carlos Costa:—Sr. Presidente í reconheço também a necessidade inadiií-vel de socorrer a nossa província de Angola.

Ma?,, se reconheço a necessidade de so-

correr essa província, não posso reconhecer de fornia alguma a necessidade, de o fazei1 a algumas empresas, ou ao Banco Emissor das Colónias.

De longa data vem a crise dessa província.

Se nós consultarmos os relatórios dos vários governadores, que têm passado por ali, verificamos que a situação criada à província do Angola não é de hoje mas de há muito tempo. -

Tenho presente o relntório de uni governador, escrito há dezoito anos, onde encontro descrita n situação daquela província, c as várias causas em que se filiam as crises por que tem passado.

Antigamente atribuía;se à centralização administrativa o atrofiam em o ou mesmo ruína; hcjo dá-se o caso opôs o: a descentralização é con pleta, e 10 'avia Angola oncontrci-se em situação d.ik-il.

Entre os factores que entraram na situação precária que atravessa a província, há o procedimento do seu Banco Emissor aã questão dos descontos e transferência de fundos.

Está, porém.nomeada uma comissão para apreciar o procedimento do Banco Ultramarino; aguardemos que essa comissão venha trazer a público, ou ao Sr. Ministro das Colónias o resultado dos seus trabalhos, para depois sabermos se é culpado ou n.lo. O que desejo afirmar é que, dando o meu voto à proposta quo está em discussão, confio em que por parte da entidade quo for para Angola haverá muito cuidado, a fira de .não ir beneficiar apenas o Banco, pois eu sei que parte da campanha, que aparece, ó feita mais ou menos encobertamente para defesa desse Banco, o não de outros interesses.

(: Tem a província de Angola lutado com grandes dificuldades de dinheiro?

Tem, mas não em todas as épocas.

Declarou um Sr. Deputado que, de 1917 a 1920, Angola despendeu 11:000 contos (ouro) sem nenhum proveito, j c quem sabo se muitos dos responsáveis desse, facto não serão daqueles que hoje mais barulho fazem!