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Cessão de 23, 24 e 25 de Abril de 1925

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•davam pelas ruas, à paisana, confundidos com o povo anónimo.

É isto que entristece e magoa o meu sentimento republicano.

Mas,,Sr. Presidente, ser-se justo nada •custa. E apenas uma questão de memória •e de oportunidade.

O Sr. Sá Cardoso, oficial que tomou parte no 5 de Outubro, foi das poucas pessoas que apareceram a oferecer os seus serviços ao Governo.

O Sr. Presidente do Ministério está hoje revestido de um tal prestígio, satisfaz tanto à nossa consciência alarmada, à nossa consciência que tem protestado sempre contra determinados actos dos Ministros dos Governos da República, que, dada a sua grande inteligência e a sua grande fé no regime, podo fazer com que as ideas republicanas se cumpram em toda a beleza e em toda a pureza que nós ambicionámos e sonhámos quando fizemos a República em 5 de Outubro.

Se o não fizer, não há-do sor porque o meu voto o tivesse contrariado.

Traga V. Ex.a à Câmara aquela proposta que satisfaça a consciência do povo republicano, demitindo pura e simplesmente todos os oficiais que foram encontrados nos campos do Parque Eduardo VII, e creia que satisfará assim a pura consciência republicana do povo que se encontra vitorioso agora, não de" facto, mas de direito.

V. Ex.a me dirá um dia, na sua simplicidade, depois de afastado da grande vida política, entregue só à sua vida particular, porque as nossas relaçõos permitem -esse desabafo: Ribeiro de Melo antes de V., erguendo a sua voz na Câmara, o ter dito. já eu o tinha sentido.

Pola pasta da Guerra sabia-se há muito tempo que se preparava uma revolta.

Foram dadas ordens de prevenção a determinadas unidades.

Por exemplo: no regimento da Cova da Moura, e eu sei isto porque às 10 horas da noite entrava na casa de um parente meu que é tenente-coronel do exército e pertence a esse regimento, estando já uniformizado para seguir para a sua unidade, havia ordem fie prevenção, ao passo que essa ordem não existia noutras unidades, onde nem sequer tinha chegado o menor aviso, o menor sinal do prevenção.

Unidades houve, Sr. Presidente, que, iniciado o movimento, só depois se lhes preguntou em que situação estavam, porque nem sequer houve o cuidado de lhes dizer que estivessem alerta porque tinha rebentado um movimento em que estavam as forças otais e tais, que era preciso manterem-se dentro daquele rigor da disciplina a que todo o rniíitar é obrigado.

Durante os dias em que se combateu, houve unidades que, dispondo de 150 armas e tendo, portanto, 150 cidadãos comandados por republicanos, e digo isso a V. Ex.as porque um deles ó meu cunhado e não faço afirmações desta natureza a não ser com um conhecimento íntimo e exacto das ideas dessas pessoas, não receberam ordem de prevenção porque um fantasma superior a todos os ditames da consciência republicana se levantou no Governo e superior comando para que essa ord^m não fosse' dada.

E, Sr. Presidente, parece que esse fantasma lá no alto vai pairando com as suas asas sobre uma grande unidade militar com funções policiais, h sombra da qual adormece a consciência republicana.

A ver vamos se dentro de alguns dias ou meses" outro estertor ministeiial não chega à presidência de V. Ex.a

Mas, Sr. Presidente, era tam grande a certeza da vitória que o Sr. Raul Este-ves, um homem do ordem, de palavra, e o Sr. Filomeno da Câmara, a perfeita figura representativa de todas as violências do sidonismo, e o Sr. general Sinel de Cordes, que apenas deve as suas promoções à complacência dos Governos republicanos, tinham no triunfo da sua causa, que afirmavam estar toda a guarnição de Lisboa ao seu lado.

Esta afirmação feita nos jornais, pela qual devem responder o entrevistado ou o entrevistador, pois que ou o repórter do jornal não disse exactamente as palavras com a opinião exposta pelo Sr. Raul Es-teves ou o repórter disse rigorosamente a verdade ouvida da boca dos Srs. Raul Esteves e Filomeno da Câmara, e essas palavras estão aqui escritas, bem claras, verdades como punhos, no jornal Diário de Lisboa que foi censurado por ordem do Governo.