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Sessão de 23, 24 e 25 de Abril de 1920

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Não posso esquecer também a maneira acertada, condigna o altiva como o Go-vôrno se conduziu. Não querendo armar os civis dou uma prova grande do seu patriotismo e de que tinha confiança plena, inteira e absoluta no exército.

E bom dizer que o povo de Lisboa, este bom, generoso o pacífico povo da capital, continua a ser o mesmo que ofereceu o seu peito nas lutas rudes de õ de Outubro, de 14 de Maio, de Monsanto, de Santarém, e mais, defendendo as instituições o a Pátria o vertendo o seu sangue em prol desses ideais sempre que as cir-cunstânhias o exigem. Honra llio seja.

Falei no exército, e a Câmara me desculpará que desse eu destaque o nome do comandante da l.a divisão, o Sr. Adriano de Sá, pela maneira brilhante e enérgica como se portou, a qual bem justificou o acto do Governo entrogando-lhe o comando das forças militares da capital. O nome desse ilustro general bem pode ficar com letras do ouro nos anais militares e na história da nossa República.

O Sr. Presidente do Ministério aludiu ao facto de, por divergências havidas no seio do gabinete, ter o Sr. general Vieira da Rocha pedido a demissão de Ministro da Guerra.

Nesta altura do relato do Sr. Presidente do Ministério, um Sr. Senador radical, que não sei se está presente, disse que o Sr. general Vieira da Rocha era um mau comandante e, por consequência, um incompetente.

Devo dizer que tenho pelo Sr. Ribeiro do Melo, como por todos os membros desta Câmara, a maior consideração e até, talvez pela minha idade, vejo com c^rto carinho o entusiasmo com que S. Ex.a defende as ideas do que está convencido; mas perdoe-me S. Ex.a que lhe diga sinceramente que senti um arrepio quando S. Ex.a disso que o Sr. general Vieira da Rocha era um incompetente.

Contra todos estes qualificativos eu protesto, e decerto este lado da Câmara, que conhece o passado desse ilustre general.

E preciso não conhecer o passado glorioso desse ilustre general para que possa ser apodado com qualquer epíteto.

Eu lembro que esse general foi o brilhante comandante da coluna de ataquo a Monsanto; não ó para esquecer que do

seu peito cada medalha que pende corresponde a uma campanha gloriosa da nossa Pátria. Foi ele o ajudante de campo de Mousinho do Albuquerque, foi ele quem no ataque a Naulila expôs o seu peito às balas à frente dos seus soldados-num assalto à baioneta.

óUm homem que assim praticou tais 'actos pode acaso ser apodado de cobarde? •

O Sr. Ribeiro de Melo (aparte}'. — No-que disse não me referia aos gloriosos serviços desse general. Apenas estava a censurar o procedimento de S. Ex.a como Ministro da Guerra.

O Orador:—As palavras do Sr. Senador ainda mais mo vieram auxiliar na minha argumentação.

E mester lembrar que foi um general por escolha. E isso não se faz a qualquer. É preciso que nele concorram qualidades eminentes para que a escolha nele pudesse recair.

^Poder-se há dizer que o Sr. general Vieira da Rocha mostrou menos couipe--tência, menos tacto militar?

Nilo.

S. Ex.a viu que do lado .do Governa havia bastantes forças para esmagar a revolta, que a haver luta se derramaria sangue, e assim entendeu por 'um dever de humanidade fazer ver aos contrários que seria unia aventura escusada para eles, que nada ganhariam com ela e qua apenas provocariam o derramamento de sangue.

Havia nisto cobardia?

Não. Antes havia muita humanidade.

No que disse eu quis patentear a minha, consideração por esse alto vulto que meu colega foi num Ministério, o achava-me humilhado se nesta ocasião não proferisse algumas palavras em sua defesa, 0

Vou terminar, porque a hora vai adiantada, mas ouso lembrar ao Sr. Presidente do Ministério que conformo as suas-declarações no relato ministerial om que é de parecer que neste momento o Governo fique armado da faculdade de olhar a situações equívocas que o regime não-pode manter, S. Ex.a não recue e traga essas medidas ao Parlamento.