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19 DE MARÇO DE 1963 2113

mercadoria para o continente, esta chega lá a preço que nenhuma concorrência pode fazer aos produtos congéneres da metrópole.
Dir-se-á, e com acerto, que existem determinados serviços, como aqueles presentemente a cargo das comissões distritais de assistência, que terão de sobreviver u custa de receitas diversas das actuais, provenientes das taxas alfandegárias permitidas fundamentalmente pelo Decreto-Lei n.º 36 820, de 7 de Abril de 1948.
Trata-se, sem dúvida, de uma questão que deverá ser naturalmente resolvida de maneira favorável. Entretanto, o que importa, e desde já, é apoiar e louvar as medidas tomadas, fazendo votos para que no mais breve espaço de tempo possível as barreiras alfandegárias entre territórios nacionais sejam suprimidas. Claro está que nessa altura as iniciativas, os empreendimentos, o comércio, a indústria, terão de contar mais consigo, exigindo de si próprios tudo o que puderem dar em matéria de eficiência e prontidão de transacções, de melhoria na elaboração e apresentação dos produtos. Mas essa é uma lei vital, imutável e aceitável. O que é preciso é que nos convençamos de que chegou a hora de cada qual trabalhar sem desfalecimentos e de confiar sem reservas.
Estamos travando a batalha do tempo. Todavia esta batalha não se ganhará vencendo só o dia de hoje. Temos de vencer o presente com a disposição de vencer o futuro.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - A nossa vitória não pôde, não deve esgotar-se sob a pressão de um momento. Há que reflectir para progredir; que progredir para sobreviver; que sobreviver para reafirmar a realidade portuguesa. Para tanto, e primeiro do que tudo, há que ser genuinamente português. Não há Portugal sem verdadeiros portugueses.
Ao terminar a sua conferência de imprensa do dia 8 deste mês, o Ministro de Estado da Presidência apontou o Chefe do Governo como sendo a mais bela e a mais perfeita identificação de um português com Portugal e acrescentou que esse exemplo de identificação está ao alcance de todos.
Tomemos o facto à conta de paradigma e pratiquemos, a pleno e com perseverança, a dignidade patriótica de o seguirmos em tudo e por tudo.
Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Rocha Cardoso: - Sr. Presidente e Srs. Deputados: é do mar algarvio e dos seus portos que desejo tratar hoje, numa singela intervenção de antes da ordem do dia.
Todos sabem que o mar é, para o algarvio, não só o seu principal encanto, a verdadeira menina dos seus olhos, como sói dizer-se, mas a sua maior riqueza. É ao mar que o algarvio arranca, numa luta titânica, o seu verdadeiro pão de cada dia. Foi nele que as suas sucessivas gerações sempre encontraram a seiva principal para alimentar o seu coração de trabalho, de luta, de grandeza para a Pátria. Nele forjaram os algarvios, desde sempre, as armas do seu heroísmo, do seu amor pela nacionalidade, a esperança do seu melhor e maior futuro. O mar do Algarve foi, não só para nós, algarvios, mas para todos nós, portugueses, a primeira, a única estrada por onde Portugal caminhou para a sua maior glória, os Descobrimentos, que foram também glória do Mundo. Das costas do Algarve, dessa Sagres maravilhosa, donde o Infante tirou o nome que o havia de imortalizar como um dos gigantes mundiais; dali, onde durante séculos foi o fim da terra, fez ele partir os portugueses para darem ao Mundo novos mundos.
Novos, por então ninguém os conhecer, novos por desconhecerem a civilização portuguesa, cheia de amor cristão, de amizade ao próximo, levando-lhes os princípios de Deus, que lhes daria a sua graça no céu e na terra, arrancando-os da barbárie, tirando-os das trevas em que viviam, para os trazer para o límpido mundo da civilização cristã e portuguesa.
E foram estas as razões que levaram os portugueses a desvendar os mistérios dos mares tenebrosos, e não a ânsia da riqueza, na finalidade de viver melhor ou construir uma vida mais fácil.
Com as nossas lutas em todos os mares do Mundo, só encontrámos mais trabalhos, mais dores, mais sacrifícios, mais perdas de vidas portuguesas. Por todos esses mares que encontrámos, para além dos mares do nosso Algarve, derramámos o nosso sangue, tão-só por amor ao sangue que Cristo derramara no Calvário para salvar a Humanidade. Por isso mesmo é que sentimos hoje, como nenhum povo, as ingratidões daqueles que, sem a nobreza dos nossos sentimentos cristãos, sempre viveram mais para a fortuna do que para a dor do próximo.
Não admira assim que eles vociferem por esses circos sapatescos da O. N. U., na incompreensão de as fronteiras portuguesas se espalharem para além do mar algarvio, sempre percorridos por nós com a cruz de Cristo, símbolo de paz eterna, e percorridos por eles a ferro e fogo, roubando aos outros para construírem uma vida de egoísmos, em fácil bem-estar económico. Por isso mesmo Portugal é hoje quase o único povo do Mundo que se bate por um princípio de tão alta civilização, que os seus inimigos nunca a tendo alcançado jamais a poderão compreender.
Eis porque nós, algarvios, nesta hora presente de luta pela integridade das fronteiras da Pátria, com maior orgulho ainda olhamos o nosso mar, as nossas costas, as areias das nossas praias; e erguemos a Deus as nossas preces e derramamos, para além delas, o sangue português, para manter sempre, lá longe, da linha do horizonte do mar algarvio, a cruz, símbolo maior do amor dos homens que compreendem a vida de todos, como filhos de um só Deus, não distinguindo cores de brancos, pretos, vermelhos ou amarelos.
Mal irá ao Mundo se não nos quiser compreender, e mal fará em arrastar para o ódio, para a dor, para a guerra, aqueles povos onde os portugueses desejaram levar, saindo dos mares algarvios, o amor, a alegria de viver, a compreensão cristã da amizade entre todos os homens, sem distinção de raças, de castas, ou das cores da pele de cada um. Mas certos estamos todos nós, portugueses, de continuarmos navegando na caravela da verdade cristã, que o mesmo é dizer na mais alta verdade do Mundo: e, por isso, pode este estar seguro de que por ela lutaremos hoje, como lutámos ontem, que continuaremos desvendando as trevas do ódio e da mentira, como já desvendámos, derramando o nosso sangue, as trevas dos mares tenebrosos, e que, crentes na verdade de Deus, ambicionamos voltar outra vez a um mundo novo, cópia fiel do mundo velho de Portugal.
Nunca foi esquecido pelos portugueses o mar do Algarve; cantado pelos .seus maiores poetas, historiado e valorizado pelos seus melhores escritores, sempre os homens de governo lhe dispensaram a melhor atenção.
De salientar é, porém, o interesse que ao histórico mar algarvio e aos seus portos vem dispensando o Governo Nacional de Sal azar. Basta relembrar o que se fez, de