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3626 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 144

peculo com possibilidades teóricas, pois a Lei da Pesca que esta Assembleia aprovou há anos consignou logo numa das bases as águas interiores da Estrela como zona de reserva da pesca desportiva.
E agora que aquela lei já foi regulamentadas definidas portanto as condições de fiscalização e combate à pesca criminosa, já pode promover-se um intenso repovoamento piscícola, como base para a criação na serra da Estrela de uma autêntica zona de pesca à truta, que é, como já dissemos, aquela em que mais se compraz o pescador desportivo e tem o seu melhor período de actividade na Primavera.
Demonstra-se assim que a rainha das nossas montanhas contém em si condições para um turismo que pode estender-se, sem abruptas descontinuidades, do Inverno ao. Verão.
Este facto é d» suma importância numa política de investimentos, nomeadamente no tocante ao equipamento hoteleiro e outras infra-estruturas, pois a possibilidade de exploração durante um longo período dá desde logo garantias de uma sadia rentabilidade.
Neste aspecto essencial, de um empenhamento turístico, a serra da Estrela está até em condições de superioridade sobre as praias do litoral atlântico ocidental e as termas, condenadas a um período de exploração de escassos dois meses.
Porque já por duas vezes tive ocasião de demonstrar nesta Assembleia que a serra da Estrela reúne todas as condições para aí se promover uma região turística do montanha nas suas múltiplas facetas, incluindo a instalação de uma estância de desportos de Inverno, dispenso-me agora de o fazer, para não me repetir, embora a natureza do debate o justificasse, e sobretudo porque já se entrou na fase prática de realizações.
E demonstrei também que as possibilidades turísticas da Estrela, se abrem tanto ao turismo interno como externo.
Mas é daquelas realizações que pretendo agora ocupar-me.
Há mais de 30 anos que se faz esqui na serra da Estrela, mas em nulas condições do instalação -à parte um antiquado telesqui na pista dos Piornos- e sobretudo em circunstâncias precaríssimas quanto à continuidade de utilização da neve. Com efeito, só havia, e maus, acessos praticáveis até aos 1500 m, e nesta altitude as condições de queda e permanência da neve no solo são demasiado irregulares para se poder pensar num negócio turístico em moldes sérios.
E, no entanto, quem ali chegasse podia contemplar, como eu próprio o fiz no passado domingo, em dia de sol luminoso, mas possuído do amargo desconsolo da inacessibilidade a alguns poucos quilómetros de distância e acima dos 1700 m, o planalto central dos Hermínios e todas as suas vertentes cobertos de abundantíssima neve.
E este espectáculo, que a Natureza generosamente nos proporcionou a partir do fim de Outubro do ano passado, vai prolongar-se até Maio ou Junho deste, ano. E repete-se todos os anos.
Quer dizer: dispõe-se no maciço central dá Estrela de uma matéria-prima de primeira grandeza - a neve, que hoje alimenta a mais poderosa de todas as indústrias turísticas.
Para a utilizar teria de começar-se, como é óbvio, por assegurar o acesso ao planalto por um meio de transporte utilizável em qualquer tempo.
É evidente que para a montanha, nas altitudes que vimos considerando, coberta de neve durante alguns meses, o meio a escolher só poderia ser o de um transportador aéreo. Haveria ainda que decidir do tipo do transportador e da localização dos seus pontos extremos.
Pelas razões que exporei a seguir, a escolha recaiu no transportador aéreo de cabinas suspensas -o teleférico-, com estações terminais de vale e de monte, localizadas, respectivamente, nos Piornos e na Torre.
Escolheram os Piornos para a estação inferior, pelo conhecimento que se tinha de que o ritmo dos trabalhos de construção da estrada de penetração do maciço hermínio, a estrada nacional n.º 339, que passa junto à estação, decorreria em simultaneidade, com a instalação do teleférico
As condições do traçado e pavimento desta estrada são de molde a possibilitar um serviço de remoção da neve, fácil e nada dispendioso, até aos 1550 m. altitude a que se situa a estação inferior do teleférico.
Este facto é de extrema importância para o funcionamento do teleférico. pois é condição obrigatória que o acesso à estação do valo por via rodoviária esteja sempre permeável, mesmo após as quedas de neve na região.
Portanto, para início do transportador aéreo parte-se do ponto onde é seguro poder chegar-se por transporte rodoviário durante todo o Inverno.
Concorreu também para a escolha as condições topográficas do local - um pequeno planalto quase horizontal a norte dos Piornos com superfície bastante para os edificações de apoio à estação e amplo parque de estacionamento de viaturas.
A localização da estação de monte, a 1980 m de altitude, foi determinada por razões de ordem técnica e topográfica o sujeição a uma área da Torro já afecta à jurisdição militar.
Temos visto críticas àquela localização por não atingir uma altitude um pouco superior, com o argumento válido de que o actual cliente da neve não gosta de subir pelos seus próprios meios.
Responder-se-á que a estação do monte está localizada de tal modo que o esquiador pode atingir em descida a estação inferior do telesqui do Covão da Torre.
Por sua vez, a estação superior daquele telesqui está estudada, de forma que o esquiador possa Alcançar em descida a estação superior do telesférico, bem como a estação inferior do telesqui dos Co voes de Loriga - um segundo telesqui, A instalar na zona desportiva do maciço central, a que se seguirá a instalação do télésiege do Covão do Boi.
Ficará assim assegurada, numa primeira fase escalonada, a instalação de uma rede de engenhos ligeiros de subida, que o teleférico vai alimentar, e de que reciprocamente são o complemento indispensável para uma exploração rentável, já que a sua existência forcará grandemente a utilização do teleférico.
Sublinha-se ainda que a disposição das estações terminais desta rede do transportadores aéreos ou de arrasto está estudada de maneira que o esquiador para subir terá sempre ao seu dispor um meio mecânico de transporte.
O percurso inclinado do telesférico, com 2969 m de extensão e um desnível de 378 m, desenvolve-se sobre uma região de alta montanha, de forma irregular, com fossos e depressões profundamente situados.
É por isso que desde o princípio se excluiu a instalação neste traçado de um transportador de uma ou duas cadeiras e, especialmente, pelas razões seguintes:

a) Os transportadores de cadeiras são limitados no seu comprimento de maneira que o percurso inclinado existente, de 2969 m, teria de ser dividido em duas secções, o que desde o início conduziria a inconvenientes e mais despesas;