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15 DE FEVEREIRO DE 1973 4585

e se encolhem os outros professores, em especial os de Português, História e Moral, no mesmo receio, esquecendo que lhes compete fortalecer nos jovens os sentimentos de amor à Pátria e prepará-los para o cumprimento do seu valor de portugueses, que têm atrás de si uma História que não podem renegar, pese isto embora aos coveiros do passado, tão em moda. E não se trata de forçar consciências ou de limitar liberdades, mas apenas e simplesmente de educar portugueses como portugueses.
Aliás, todos os movimentos juvenis interessados na formação integral dos jovens são orientados no sentido de fazer dessa formação uma aptidão para os embates da, vida, da qual a guerra, infelizmente, não está excluída, desde os princípios bíblicos do mundo, nem se vê que possa ser excluída, apesar das pressões da mais variada ordem que sobre os homens se exerça. Será uma fatalidade, mas Deus assim fez os homens. Lembro, àqueles que o conhecem, o Escutismo, movimento acarinhado pela Igreja, criado por um antigo soldado inglês, arguto pedagogo, e com o qual se procura desenvolver ou inculcar nos jovens as aptidões e os hábitos que possam fazer deles cidadãos impolutos, homens resistentes à fadiga, atentos à Natureza que os rodeia, capazes de se defenderem dela ou de a ela se adaptarem, prontos para o serviço de Deus, da Pátria e da Família, prontos para o sacrifício até da própria vida, tal como os moços da antiga Mocidade Portuguesa, hoje ainda existente no ultramar, que tinham no seu cinto a letra inicial de serviço e de sacrifício e que os pilares de café, os tradicionais piadistas, os críticos risonhos diziam indicar o nome de um homem que foi para a minha geração o símbolo do serviço à Pátria e do sacrifício total. E o "S" desapareceu com os cintos e com estes a farda, que era na juventude não o ferrete de uma ignomínia, mas o sinal de uma adesão.
Cedeu-se, como se aquela fosse, vergonhosamente, a última farda do mundo e como se os homens no mundo andassem todos nus, em atitude contestatária de quanto seja sinal de distinção ou de compromisso. A sociedade humana tem milenárias regras de jogo e não é um qualquer que as pode destruir pelo simples agitar de um ridículo ou de uma filosofia política. Nunca no deserto as caravanas deixaram de passar, por lhes ladrar um ou dois cães!
Os assessores do comissário nacional-adjunto para o ultramar são todos homens formados pela Mocidade Portuguesa, conscientes da responsabilidade que se lhes pede, firmemente convencidos de que é no combate que os cidadãos se enobrecem e os povos se perpetuam e de que "a juventude dos nossos dias bem merece - como afirmaram - que todos quantos tiveram a oportunidade de beneficiar da obra formativa da Mocidade Portuguesa retribuam um pouco do muito que receberam". A sua posse foi, pois, um acto de profundo significado político, que não pode deixar de ser aqui assinalado, assim como não pode deixar de merecer referência especial que os seus propósitos se orientem para os caminhos do ultramar. É como um símbolo de continuidade histórica, um facho que passa de mão. Que à sua luz se rasguem as clareiras e que nelas se ergam as torres Que hão-de ser o garante da perenidade de Portugal!

O Sr. Presidente: - Tem a palavra para explicações o Sr. Deputado Trigo Pereira.

O Sr. Trigo Pereira: - Sr. Presidente: agradeço a V. Exa. o ter-me concedido a palavra para explicações ao Sr. Deputado Roboredo e Silva.
Penso que as palavras proferidas pelo Sr. Deputado que estava no uso da palavra explicam perfeitamente aquelas que eu houvera dito em relação à farda que envergámos, isto é, de entre as críticas feitas à organização sobressaem aquelas que se devem ao uso da farda que foi símbolo da organização que ambos servimos.
Uma vez que servimos, uma vez que fizemos parte dos seus quadros e envergámos essa farda, jamais podíamos renegar esse facto e mais, relembrar talvez com saudade os tempos em que a vestíamos e através da qual se criam em todas as organizações que a envergam, um espírito de unidade, um espírito de sacrifício e um espírito de servir que no nosso caso, bem podemos dizer, servíamos os interesses deste país.
Por assim ser, as palavras que proferi têm de ser tomadas no contexto da minha intervenção e não como uma palavra isolada, que eu penso que o Sr. Almirante deve ter simplesmente ouvido no aspecto crítico e não no aspecto de definição da forma como era criticado o uso dessa mesma farda.
Os meus agradecimentos.

O Sr. Roboredo e Silva: - Muito obrigado, Sr. Deputado, pelas suas explicações. Na realidade, eu apanhei só a expressão propriamente dita e foi essa que me chocou e me fez perder, talvez, a sequência do que fora dito.
De resto eu não tinha dúvida nenhuma de que V. Exa. era absolutamente incapaz de pretender, da mais ligeira, da mais discreta maneira sequer, beliscar as forças armadas. Mas, como militar - V. Exa. compreende -, quando ouço falar numa farda com menos respeito ou com menos correcção, necessariamente reajo com o sangue de um verdadeiro português, que me prezo indiscutivelmente de ser.
Muito obrigado.

O Sr. Homem de Mello: - Sr. Presidente: Ao intervir na discussão do aviso prévio sobre "a problemática da informação", da autoria do nosso ilustre colega Magalhães Mota, afirmei, em determinado passo, que "o continente possui doze jornais diários, três no Porto e nove em Lisboa".
Embora não tivesse o menor propósito de ignorar os restantes jornais diários - que se publicam noutras localidades -, a verdade é que ficaram por referir. Lamentavelmente. De alguns me chegaram ecos de profunda mágoa, de outros protestos, aliás nem sempre correctamente formulados.
Porque considero ter cometido um lapso que, a não sei rectificado, poderia levar a conclusões que nunca tive em mente - ao referir os doze jornais diários pensara, apenas, nos de âmbito nacional e não regional - e porque a circunstância de ser director de um diário que se publica em Lisboa poderia prestar-se a apreciações tendenciosas, não encontrei outro caminho que não fosse solicitar de V. Exa. a permissão para proferir estas simples palavras, reparadoras do pecado de omissão não intencionalmente cometido.
Assim como os indivíduos não se medem aos palmos também os jornais não se medem pela localiza-