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4582 DIÁRIO DAS SESSÕES N.° 225

Também aqui se afirma a importante posição das importações alemãs no contexto global: em 1970 totalizaram 26 605 t, enquanto as importações para os restantes cinco países do Noroeste da Europa ficaram por 22 por cento do total alemão.
Deverá, contudo, notar-se que o índice de crescimento das importações alemãs de folhagem é muito menor que o das flores cortadas. Em qualquer hipótese, 26 000 t de folhagem já é tonelagem apreciável para preencher a capacidade, de muitos veículos de transporte, aéreos que sejam.
O principal tipo de folhagem importada é o feto-de-espargos, sendo a Dinamarca o principal exportador.
A força dos Dinamarqueses vem da qualidade e produção uniforme de um produto em que decidiram especializar-se, conjugadas com uma eficaz organização e planeamento de mercado a cargo da GASA cooperativas de produtores baseadas em Odense.
Mas para que possa ter-se ideia da maleabilidade e poder de adaptação que se tornam necessários hoje em dia no comércio internacional se dirá:

Um importante produtor dinamarquês, Paul Thringholm, proprietário de 6ha de fetos na ilha Funen, associou-se a Bonde Nielsen, proprietário há vários anos de uma cultura de flores no Quénia (até ver).
A produção de fetos-de-espargos, em campo aberto, na sua quinta de 10 000 ha, no Quénia, provou já vir a constituir um êxito. Mesmo descontando os custos de frete aéreo, este feto poderá surgir no mercado a preços mais baixos que o dinamarquês. Thringholm prevê que está nova concorrência faça com que a produção dinamarquesa de fetos-de-espargos deixe de ser rendável num prazo de três anos, razão pela qual ele próprio resolveu concentrar-se nas plantas de vaso.

Assim vão os agricultores dinamarqueses. E o relatório acrescenta:

Se é rendável a utilização do frete aéreo do Quénia para o mercado alemão, será igualmente possível a Portugal exportar vantajosamente o produto.

Sem comentários.
As importações desses países incluem ainda outros tipos de folhagem, como o azevinho, o visco e certos fetos, embora em pequenas quantidades. Não consideramos qualquer deles susceptível de interessar aos exportadores portugueses, aparte as mimosas, cujo procura se dilata.
Mas quantas outras espécies, analisadas não sob a óptica das procuras actuais dos mercados externos, mas sob o ângulo das ofertas potenciais de espécies indígenas menos conhecidas e divulgadas, não poderão existir com interesse para o comércio exportador? Estará feita essoutra prospecção? A que organismo competirá? Quem se lhe consagra?
Sr. Presidente: Mais alto é ainda o campo das potencialidades das plantas ornamentais: bolbos, hastes e produtos semelhantes não são de excluir.
Dada a complexidade reconhecida e afirmada deste grupo de produtos, os prospectores concentraram a atenção nos que pareceram oferecer algumas perspectivas para o comércio exportador de Portugal.
A Alemanha continua a facultar o maior mercado consumidor destes bens. A Holanda constitui a principal fonte de abastecimento europeu. Retenhamos estes números:

Exportações holandesas de bolbos e caules em 1970

[Ver tabela na imagem]

Pétalas são divisas no comércio externo da Holanda, a tulipa ascendeu a lugar cimeiro nas exportações e símbolo do seu turismo.
Poderá à primeira vista recear-se que a posição dominante ocupada pelos Holandeses, através dá sua produção especializada, impossibilite a concorrência neste campo. A procura de Portugal por estrangeiros para a instalação de empresas florícolas o desmente. Os campos de Óbidos e outros de flores se vão enchendo.
Um produtor holandês, por exemplo (Tan Goemans), experimentou em 1971 cultivar gladíolos numa quinta próximo de Lagos, no Algarve. Obteve êxito. E quantos mais não poderíamos relatar? Mas iremos confinar a estrangeiros a exploração fundamental destes filões de ouro e divisas que são o sol, o calor, as demais potencialidades do País?
Igualmente tem aumentado o comércio internacional de hastes de cravo e crisântemo, com raiz, vindas de regiões atlântico-mediterrânicas como ás Canárias e Malta, para uso das culturas em estufa no Norte da Europa.
Em Portugal, Gunnar Granstrom, produtor de nacionalidade sueca, desenvolveu a cultura sob plástico de cravos, e de pés de cravo e crisântemo, exportados na sua maioria para a Suécia, Dinamarca e Reino Unido. Granstrom chegou mesmo a negociar com a Varig uma tarifa aérea especial.
Importadores alemães e ingleses afirmaram existir entre nós, e entre outras, possibilidades para a produção de bolbos de lírio híbridos de Graaf, uma vez que as condições parecem ser ideais e que o mercado para este produto se está a expandir rapidamente. Iremos desaproveitá-lo?
E fechemos com as orquídeas.
Existe uma procura considerável, apesar do seu alto preço. As importações inglesas da Austrália são apreciáveis, de Singapura, índia, Paquistão ou Japão, da Martinica, Guadalupe e índias Ocidentais chegam também. O preço compensa o transporte. O diferencial dos transportes não justifica considerar o alargamento das áreas consagradas à sua cultura na Madeira, por exemplo?