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4584 DIÁRIO DAS SESSÕES N.° 225

suas fronteiras ultramarinas para se manter íntegro no seu território e fiel à sua vocação histórica. Não fomos nós que inventámos o aforismo de que a paz st alcança preparando-se os homens para a guerra. Foram os Romanos - si vis pacem para bellum -, há muitos séculos, com a sua sabedoria de povo criador de impérios.

O Sr. Trigo Pereira: - V. Exa. dá-me licença?

O Orador: - Faça favor.

O Sr. Trigo Pereira: - Toda a nossa temática de formação da juventude tem sido sistematicamente atacada em quatro pontos. O primeiro ponto será a constituição de quadros. O segundo ponto seria a formação de elites. O terceiro ponto seria a posição igualitária dos jovens agrupados mediante uma coisa que é "horrível", uma farda.

O Sr. Roboredo e Silva: - Eu peço desculpa...

O Sr. Trigo Pereira: - Um momento.
O quarto ponto seria a força anímica e dinâmica para a preparação de um homem capaz de defender pelas armas a integridade do território.
Eu pergunto sinceramente se qualquer destas situações não leva à formação integral de um homem. Pergunto se em qualquer situação de formação de quadros é ou não é evidente que, através da preparação básica das pessoas, nós temos de, até geneticamente, considerar que alguns se distinguem. Sendo assim, aqueles que geneticamente se distinguem hão-de, quer queiramos quer não, formar élites.
Ora bem: na educação de massas, não podemos conceber que não haja quem comande uma massa global. E nessa altura temos de ter alguém que comande. Nós desejamos sempre que os que comandam tenham formação e capacidade para realizarem as suas tarefas. Nessa altura serão realmente élites.
Quanto ao problema da farda, não tem interesse especial ser considerado neste momento para a formação da juventude. Mas também não há dúvida nenhuma que, num país que suporta uma guerra que para nós é defensiva, mas que para os que nos atacam é efectivamente ofensiva, devemos realmente preparar a juventude com uma força moral para assim o entender e com uma força física necessária para continuar, como até hoje, defendendo a integridade do território, a paz, a harmonia e o bem-estar das populações que cumpre ao Governo e à Nação defender.

Vozes: - Muito bem!

O Sr. Trigo Pereira: - Nós, dentro da Mocidade, quer V. Exa., quer outros pares desta Assembleia, fomos educados nestes princípios.
E havemos de convir que, formados, instruídos nos verdadeiros valores da Pátria e daquilo que fomos capazes de defender, é com certa pena que vemos dissociar, actualmente, de uma parte, a formação física e os desportos, como se a juventude fosse única e exclusivamente educada, numa preparação física, numa ocupação de desporto, sem ligarmos especial cuidado à sua formação intelectual e, como disse, de portugalidade, permitindo-se assim que a massa global de juventude deste País seja posta à disposição - talvez seja este o termo - de uma influência doutrinária que nem sempre corresponde aos interesses da Pátria.
Eu, para terminar, lembraria a VV. Exas. uma nota feita, há bem poucos dias, no Diário de Lisboa - salvo erro - em que fazia a caracterização dos chefes do partido socialista presentes à reunião da Internacional Socialista de Paris. Salvo erro e omissão, nenhum dos actuais chefes, de cada um dos partidos representados, deixou de ter saído de formações de juventude desse mesmo partido. E eu pergunto se será caso ou não de o Governo e os responsáveis do País, ao lerem esta nota, pensarem, efectivamente, na necessidade que temos de dar à juventude um conceito e uma estrutura nitidamente nacional?
A não ser que queiramos que cada uma das forças políticas, hoje em despique e em luta, disponha da juventude deste País para a formar e para a levar a aceitar, sem qualquer relutância, as ideias que professou. Nesse caso eu sou absolutamente contra este ponto de vista, como tive ocasião de o pôr.

O Sr. Roboredo e Silva: - Apenas duas palavras para lamentar que, sem de nenhuma maneira discordar, antes pelo contrário, com as afirmações que fez o nosso colega Dr. Trigo Pereira, mas para lamentar que ele tenha empregado uma frase que me feriu profundamente: dizer que uma farda é horrível.
Talvez tenha sido um momento infeliz, talvez fosse má interpretação da minha parte, mas á frase foi pronunciada. Eu sou militar e, sendo militar, tenho por consequência pela farda o respeito que todos os portugueses têm de ter, porque a farda é, sobretudo, essencialmente, o uniforme das nossas, forças armadas. Eu não tenho dúvida nenhuma que o Sr. Deputado Trigo Pereira tem por elas a maior consideração e respeito.
As nossas forças armadas têm de merecer sempre a nossa consideração e o nosso respeito e temos de evitar frases ou palavras dúbias, que possam ser mal interpretadas.
Era apenas esta intervenção que pretendia fazer, porque na verdade tal como a frase foi dita, ou como eu a compreendi, teria de a considerar vexatória para as forças armadas.

O Sr. Trigo Pereira: - V. Exa. dá-me licença?

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado Trigo Pereira, talvez prefira usar da palavra paira explicações no fim da intervenção do Sr. Deputado Peres Claro e eu conceder-lha-ei paira isso com muito gosto.

O Orador: - Agradeço ao Sr. Deputado Trigo Pereira a intervenção que quis fazer às palavras que eu estava a proferir e as que vou dizer a seguir são, afinal, de apoio, agora meu, àquelas que ele disse.
A acusação feita à Mocidade Portuguesa de ser militarista, por dar aos jovens educação pré-militar, surtiu o efeito desejado e ainda hoje, apesar de os nossos jovens terem perante si a prestação de serviço em teatro de guerra, se encolhem os professores de Educação Física e quem os orienta, no receio de serem alvos dessa acusação, esquecendo que lhes compete dar à juventude uma aptidão física orientada para o género de guerra que ela terá de enfrentar,