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986 I SÉRIE - NÚMERO 29

O Sr. Nandim de Carvalho (PSD): - Sr. Presidente, eu expliquei-me mal, certamente.
O meu pedido foi, invocando o mesmo argumento do Deputado João Lima, que me fosse concedida a palavra para poder protestar ou esclarecer, ou seja o que for, a Sr.ª Deputada Alda Nogueira.

O Sr. Presidente: - O Sr. Deputado fez uma intervenção em resposta à Sr.ª Deputada Alda Nogueira que mereceu da parte do Sr. Deputado João Lima o reparo que ele fez e ao qual o Sr. Deputado respondeu. Não encontro agora figura regimental ao abrigo da qual lhe possa conceder a palavra, Sr. Deputado.

Q Sr. Sousa Marques (PCP): - Pode dar-se-lhe a palavra anónima.

O Sr. Nandim de Carvalho (PSD): -Se o Sr. Presidente não me concede o direito de defesa, apenas poderei...

O Sr. Presidente: - Se o Sr. Deputado se sente atingido na sua dignidade, nesse caso não posso deixar de fazer cumprir o Regimento.
Peço-lhe apenas que aguarde uns instantes para que a Mesa tome uma decisão.

O Sr. Nandim de Carvalho (PSD): - È claro, Sr. Presidente!

O Sr. Sousa Marques (PCP): - É quase um deputado anónimo...

O Sr. Nandim de Carvalho (PSD): - É anónimo, é! Por que é que vocês estão tão preocupados?...

O Sr. Sousa Marques (PCP): - E ainda por cima sorri...

O Sr. Fernandes da Fonseca (PS): - É preciso calma, mas também é preciso o documento.

O Sr. Nandim de Carvalho (PSD): - Se é anónimo não se preocupem... Se vissem o documento não diziam isso, nem metade.

O Sr. Presidente:- Sr. Deputado Nandim de Carvalho, desculpe-me, mas afinal não posso dar-lhe a palavra,, pois a Mesa entende que o Sr. Deputado esgotou a possibilidade de intervenção em relação a este assunto.

O Sr. Nandim de Carvalho (PSD): - Eu agradeço, Sr. Presidente, mas não me rendo aos argumentos da Sr.ª Deputada Alda Nogueira.

O Sr. Presidente: - Lamento, mas não posso conceder-lhe a palavra. É a orientação que a Mesa tem seguido e é essa que mantém.
Há mais um pedido de palavra do Sr. Deputado Adriano Rodrigues. Pode dizer-me para que efeito é, Sr. Deputado?

O Sr. Adriano Rodrigues (CDS): -Para um pedido de esclarecimento à Sr.ª Deputada Alda Nogueira.

O Sr. Presidente: - Os esclarecimentos pedem-se na altura em que a intervenção se faz, Sr. Deputado.

O Sr. Adriano Rodrigues (CDS): - Não podia, Sr. Presidente, porque o que me suscitou o pedido de esclarecimento foi a resposta dada ao contraprotesto e, portanto, só nessa altura é que eu podia pedir o esclarecimento.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado, os esclarecimentos seguem-se às intervenções, como V. Ex.ª sabe. Relativamente à figura regimental do contraprotesto não se admitem .pedidos de esclarecimento. Por isso não lhe posso dar a palavra, Sr. Deputado.

O Sr. Adriano Rodrigues (CDS): - Então, Sr. Presidente, peço a palavra para protestar.

O Sr. Veiga de Oliveira (PCP): - Não pode!

O Sr. Presidente: - Estamos na mesma, Sr. Deputado. O protesto contra o contraprotesto é figura que o Regimento não admite.

O Sr. Adriano Rodrigues (CDS): - Pronto, então calo-me.

Risos.

O Sr. Presidente: - Para uma declaração política, tem a palavra o Sr. Deputado Mário Tomé.

O Sr. Mário Tomé (UDP): - Sr, Presidente, Srs. Deputados: As fontes de matéria-prima de qualquer pais são um dos pontos fundamentais em que se apoia a sua independência nacional.
Daí que um governo que represente efectivamente os interesses do povo não aliene, sob qualquer forma, essa mesmas fontes.
Os recursos mineiros do nosso país, mau-grado o desconhecimento escandaloso que deles possuem os organismos, oficiais, devem ultrapassar largamente as reservas calculadas e conhecidas.
No entanto, grande parte dessas riquezas já estão nas mãos de multinacionais ou em vias disso, acontecendo que jazidas ainda inexploradas, como as das pintes no concelho de Castro Verde, estão já a sei alienadas a empresas estrangeiras.
O futuro não é brilhante e agravam-se as condições, que não tem permitido a preservação mínima da independência nacional, como sucede, aliás, em todos os outros campos dá actividade económica e política do nosso país.
O Governo, ao contrário de preservar ciosamente as enormes riquezas mineiras, promover a sua prospecção, exploração e utilização planeadas de acordo com os interesses nacionais, preocupa-se antes em abrir mão delas para as multinacionais, as sagradas salvadoras.
A Beralt Tin, Penanoga, BRGM, Pechtaay, Diamang (SPE), Billington, são nomes que os mineiros aprenderam a odiar, não só pela exploração e repressão a que por elas são sujeitos, mas também pela consciência de que elas, na verdade, colonizam as riquezas nacionais e constituem dos principais factores impeditivos do desenvolvimento da nossa