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15 DE SETEMBRO DE 1981 3965

tiva privada e a concorrência; abafais o sector público da economia e o papel do Estado no conjunto dos agentes económicos, deixando assim sem protecção muitos que precisavam dela; privilegiais na distribuição do crédito o sector privado, sem nele provocardes indícios de animação; desviais o crédito externo dos seus objectivos programados para aplicações de emergência; descuidais a emigração e o turismo; amputais empresas públicas de actividades complementares rentáveis; praticais nas empresas públicas uma política tarifária - intencionalmente negativista; massacrais o consumidor através da liberalização desordenada dos preços e da quase inexistência de fiscalização económica; nada acrescentais às iniciativas socialistas em matéria de incentivos e apoios à exportação; destruis o Serviço Nacional de Saúde, sem alternativa que agudiza tensões sociais e conduz à fuga do próprio Ministro; deixais arder o País por entre suspeitas de interesses pirófaros e promessas de acção já para o Inverno, quando a chuva dispensar os bombeiros; gastais a querelar o tempo necessário à governação; adiais sem recuperação as modificações estruturais necessárias à nossa admissão sem dor nas comunidades europeias; cansais o vosso voluntarismo a combater a Constituição da República, a engendrar leis de separação dos sectores, eleitorais, agrárias e de regulamentação do trabalho, que façam andar ao contrário os ponteiros do relógio e esquecer Abril.
Isto sem prejuízo de encherdes a boca com a defesa do que combateis, na vã tentativa de nos convencerdes dos perigos que correríamos sem vós!

Vozes do PS: - Muito bem!

O Orador: - Estareis, ao menos, sinceramente condoídos com a situação da juventude sem escola ou sem primeiro emprego, das famílias sem casa, dos trabalhadores sem trabalho, dos consumidores sem poder de compra, dos produtores sem procura, dos investidores sem crédito, do interior do País sem padrinho, dos cidadãos sem esperança? Se sim, que vos leva então a proteger o capital e a malquerer o trabalho, a sacrificar os humildes por amor dos grandes, a travar o progresso em holocausto à tradição, enfim a tentar recuperar tempos e caminhos que foram causa de tantas decepções e amarguras?

Aplausos do PS e da UEDS.

Temos de vos cumprimentar pela vossa coragem. A coragem de voltardes: a prometer o que já havíeis prometido, esperando que acreditemos em que cumprireis o que já deixaste de cumprir.

Vozes do PS: - Muito bem!

O Orador: - E não menos a coragem de esperar de nós a inocência de vos acreditar, de novo ou pela primeira vez, coesos, bem intencionados e capazes.
Não conteis com a nossa ingenuidade. Sempre que se justificar, não silenciaremos as nossas críticas nem adoçaremos a nossa oposição democrática e a nossa luta.
Agora que temos a certeza de que a verdade é para vós o que a música é para os surdos, encarregar-nos-emos de não consentir que a verdade se recubra da ferrugem da contemporização e do silêncio.

O Sr. Eduardo Pereira (PS): -Muito bem!

O Orador: - Pouco há a dizer do vosso programa. Ainda que com nova e mais cuidada roupagem verbal, é substancialmente o do VII Governo. A mesma fonte, a mesma água.
De novo mandastes a Constituição às malvas. Pede medidas, enunciais objectivos. Uma vez mais sem o trivial esclarecimento de como pensa o Governo atingi-los. Que mais belo programa do que o enunciado de tudo quanto é desejável, assim ao jeito do discurso com que nos brindou o Sr. Primeiro-Ministro.
O Governo promete estudar, definir, promover, legislar, impulsionar, etc. Mas não diz por que meio nem com que instrumentos.
Belas são as prioridades: a habitação, a exportação, a produção agrícola, a regionalização. Enjeitados foram desta vez a libertação da sociedade civil, a contenção da inflação no meridiano dos 16 %, o aumento do emprego. Os jovens à espera de primeiro emprego não vão gostar. Enjeitada foi também, como prioridade, a prioridade das prioridades. Refiro-me à integração europeia.
Antes, a tónica era a mudança. Agora é o reformismo. Se quem prometeu mudar não mudou (ou só mudou para pior), quem promete reformas reforma para melhor? Eis a questão!

Vozes do PS: - Muito bem!

O Orador: - Mas que adianta repisar que «há altíssimas questões» e que este governo vai atacá-las prioritariamente sem nos dizer como?
Que cautela impele o Governo a assim ocultar o que revela?
Fosse como fosse, este programa seria sempre a soma do que é e da parte incumprida e atraiçoada do que foi. Não somos adeptos da fórmula «por tudo o que é contra e contra tudo o que é por».
Mas este programa, vindo de quem vem, é um convite ao desespero.
Hesitei entre fazer-vos poucas perguntas e pergunta nenhuma. Que dúvidas podemos nós ter a vosso respeito? Que intenções podeis vós ter que nós não conheçamos?

O Sr. Eduardo Pereira (PS): - Muito bem!

O Orador: - A formulação de perguntas postula alguma credulidade, induz a admitir a existência de alguma esperança. Ora, ilusões e esperanças são luxos que já não temos.
Apesar de, tudo, acabei por fazer mais perguntas do que tinha pensado fazer 6, cumprindo a formalidade de lê-las até onde tiver tempo para fazê-lo, depositando as restantes nas vossas mãos para que respondais se quiserdes ter essa bondade, perguntarei então:

1.º Será que, ao menos agora, o País tem direito de conhecer as razões e a profundidade da crise que dividiu internamente e entre si os partidos» da AD para poder ajuizar da consistência da sua pretensa superação?

2.º Quais as razões da aparente sobrevalorização do Ministério da Defesa, traduzida no