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necessárias e urgentes. Não se pode perder mais tempo. O peso do Estado é excessivo, já o disse uma vez e repito-o agora.

O Sr. Lacerda de Queiró (PSD): - Muito bem!

O Orador: - Mas para as mudanças poderem passar de simples votos piedosos e efectivar-se realmente, têm de ser feitas por forma consensual e gradativamente, estribadas numa ampla base de apoio social e político.

Vozes do PS: - Muito bem!

O Orador: - Daí a importância - diria, insubstituível - da actual coligação.

Aplausos do PS e do PSD.

O PCP, que a combateu ferozmente, desde o primeiro dia, nunca se enganou quanto a esse ponto. Façamos-lhe, ao menos, essa homenagem elementar.

O Sr. Jorge Lemos (PCP): - Muito obrigado!

O Orador: - Falo em termos de fórmula política - e dos apoios sociais necessários para realizar com êxito determinadas políticas - e não da acção do actual Governo em concreto. Esse é outro plano de apreciação, a que, aliás, também não me furto. Não pretendo por sistema, desculpabilizar o governo por aquilo que deixou de fazer - e devia ter feito - ou mesmo por insuficiências, atrasos ou erros, que sou o primeiro a reconhecer. Tem sido o governo possível, em condições possíveis, exposto às incompreensões, às críticas e aos ataques de interesses divergentes mas cruzados, que hão-de considerar-se, aliás, como normais num sistema democrático, aberto e pluralista.
Num país em que poucos assumem responsabilidades e facilmente descarregam para cima do vizinho culpas que muitas vezes também lhes pertencem, proeuro ser objectivo e não enjeitar as minhas próprias responsabilidades.
Não foi a posição que tomou aqui o deputado Lucas Pires. Sinceramente, não creio que o ataque descabelado que o deputado Lucas Pires fez ao Governo, na sua intervenção inicial, com críticas tantas vezes não fundamentadas, outras injustas e mesmo contraditórias entre si, não creio que esse ataque contribua para aumentar a credibilidade junto dos portugueses conscientes e, porventura mesmo, a sua credibilidade junto do seu próprio partido.

O Sr. Narana Coissoró (CDS): - Não apoiado!

O Orador: - Não é assim que se cria, Sr. Deputado Lucas Pires, essa alternativa democrática e responsável.
Um Governo baseado numa coligação de partidos até então rivais, não é, nem poderia ser, um governo fácil. Em toda a parte da Europa, onde existem, assim é.
Todos o sabíamos, de resto, desde a primeira hora. Exprime necessariamente contradições, tensões e mesmo interesses divergentes que importa conciliar, a cada momento, mediante os compromissos possíveis e as cedências mútuas indispensáveis. Mas era o governo necessário, para o tempo difícil que Portugal atravessa, e que não representa também, uma excepção nem na Europa nem no mundo.

1 SÉRIE - NÚMERO 30

Havia outra hipótese melhor, dados os resultados eleitorais, em Julho de 1983, quando o Governo se formou? Dezoito meses passados, surgiu no panorama político português alguma alternativa mais válida?
São perguntas irrespondíveis para a oposição.
Sei perfeitamente que um governo não deve ser valorizado tão-só porque evita um vazio político perigoso ou porque se não apresenta outro melhor, mas sim, positivamente, por aquilo que fez e pelo que se propõe fazer. Há seis meses procedemos, durante a discussão da moção de confiança, ao exame exaustivo do que se fez e porque se fez. Contava então o Governo apenas um ano de actividade. Tempo curto, para avaliar da capacidade de acção de qualquer Governo, mormente quando se propõe ter para actuar quatro anos, ou seja, o tempo da legislatura. Passaram mais seis meses. Aqui estamos de novo a proceder a idêntico exame, em termos globais e sectoriais.
Façamo-lo serenamente, com a consciência de que Portugal atravessa um momento difícil e que muito se exige do patriotismo de todos, com o desejo sincero de equacionar os problemas reais, para os resolver e ultrapassar, e não numa postura de negativismo sistemático.
É do domínio público que nos últimos meses surgiram dificuldades e crescentes tensões entre os partidos da coligação. Mais nos partidos, com alguns reflexos nos grupos parlamentares, do que propriamente no seio do Governo, onde o relacionamento tem sido sempre excelente. Mas essas tensões, reconheço-o, afectaram o ritmo da acção do Governo e porventura a sua eficácia. Entretanto, mais uma vez, por imperativo patriótico, foi possível ultrapassar as dificuldades. Assinou-se um novo texto que concretiza e desenvolve o acordo político e parlamentar de há dezoito meses, que está na base do actual Governo, e que representa agora um verdadeiro contrato político com medidas calendarizadas para os próximos meses. O País cansado de lutas políticas inconsequentes e das guerrilhas partidárias, suspirou de alívio.

Risos do PCP e do CDS.

O Orador: - Exige, acima de tudo, estabilidade, segurança e deseja ser governado. Está o Grupo Parlamentar dó CDS seguro de que o seu próprio eleitorado o acompanha...

Vozes do CDS: - Seguríssimo!

O Orador: -... quando insiste em criar clivagens aos partidos da maioria, e dificuldades acrescidas ao Governo, sem ter nada de concreto, em troca, para oferecer ao País?

Vozes do CDS: - Preocupe-se com o seu eleitorado!

O Orador: - O deputado Lucas Pires, com o seu habitual e simpático irrequietismo, trouxe ao Plenário da Assembleia, na sua intervenção, um punhado de fórmulas contundentes contra o Governo. Deu espadeiradas a torto e a direito e a maior parte delas na água. É um exercício que não é difícil de fazer e que se esperava. Seria bem mais útil, contudo, que se debruçasse, com outro sentido crítico e construtivo, sobre o que tem sido feito - em vez de fazer tábua rasa de tudo e de pura e simplesmente desconhecer os resultados positivos da acção do Governo - e que apreciasse,