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1756 I SÉRIE-NÚMERO 45

Nascido no Porto, foi cônsul de Portugal na Noruega de 1926 a 1930.
Desde jornalista a crítico de cinema este poeta que, «por necessárias razões de liberdade», sempre gostou de ouvir a sua voz a cantar suas vivências, sofreu a asfixia do momento que não permitia que fossem desde logo publicados os seus versos, para o prazer de um público que nele revia a sensibilidade poética do seu sentir.
É, no entanto, uma poesia que marca, de uma forma bem vincada, a sua época, nas preocupações, na vibração da esperança, no diagnóstico social, nas assimetrias reinantes no seu País.
Era um homem profundamente humano e humanizante que vivia agonizado na sua autêntica bondade, que procurava distribuir, com inteligência, nas manifestações do dia-a-dia, ajudando e sofrendo com os dramas e as dificuldades alheias.
Quanto não sofria José Gomes Ferreira ao contemplar os bairros da lata, ao aperceber-se das dificuldades dos pobres, dos desempregados, da indignidade humana, etc.
Apesar de octogenário era, porém, um dos mais novos, pois todo ele era esperança, todo ele era luta, todo ele era vida.
A vida que já não tem, mas que ficou bem expressa nas suas obras como: Poesia, Lírios do Monte; Longe; Eléctrico; Ficção; O Mundo dos Outros; O Mundo Desabitado; Os Segredos de Lisboa; Aventuras Maravilhosas de João sem Medo; A Memória das Palavras; e tantas, tantas outras.
Mas, Srs. Deputados, para quê mais palavras?
As obras ficam para prazer de todos nós! ...
Recordá-los e homenageá-los, será lê-los! ...
Como preito do nosso sentimento, as condolências do Partido Social-Democrata, aos seus amigos e familiares. Por tudo isto, votámos favoravelmente estes votos de pesar.
(Neste momento assumiu a presidência o Sr. Presidente Fernando Amaral.)

O Sr. Presidente: - Para uma declaração de voto, tem a palavra o Sr. Deputado Meneses Falcão.

O Sr. Meneses Falcão (CDS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Votámos favoravelmente esta manifestação de pesar pela perda de José Gomes Ferreira e Nuno Bragança, pois sentimos que estamos em presença de valores nacionais. Para nós, todos os valores nacionais, seja qual for o quadrante político em que se situem, são, em primeiro lugar e acima de tudo, valores nacionais.
A perda destes dois baluartes das letras deixam o País mais pobre e, consequentemente, declaramo-nos tristes. Tristes pela perda desses valores, tristes porque já não somos extraordinariamente ricos para podermos ignorar aquilo que nos vai fazendo falta - lamentamos sempre a perda daqueles que se dedicam às Ciências, às Artes, às Letras ou a qualquer outra actividade de reconhecido mérito. É a situação - daí o nosso pesar, associando-nos à manifestação desta Câmara.

O Sr. Presidente: - Para uma declaração de voto, tem a palavra o Sr. Deputado Vilhena de Carvalho.

O Sr. Vilhena de Carvalho (ASDI): - A morte de um grande poeta, José Gomes Ferreira, e de um malogrado e grande prosador, Nuno Bragança, não podiam deixar de concitar a atenção e o pesar desta Assembleia, dado o relevo com que um e outro louvaram e enobreceram as Letras e a Cultura do País.
Na breve e simples manifestação de pesar que o nosso voto resume, não poderá concentrar-se, por demais sintética, a homenagem que lhes é devida.
Nuno Bragança partiu desta vida quando tanto dele havia ainda a esperar.
Com 56 anos apenas, deixa-nos, porém, A Noite e o Riso, Directa, Square Tolstoi e Estação, livros que documentam uma procura constante da sintonia do homem com o seu tempo e a sua cidade, seja esta a real, a mítica, ou a cidade de Deus.
Obrigado, Nuno Bragança.
José Gomes Ferreira, que um dia disse: «Recuso-me a ter mais de vinte anos.» Soube e pôde ser jovem, lutador e poeta até aos 84 anos.
Desde aquele momento «desbussolado» dos seus Lírios do Monte e dos seus passeios de Eléctrico pelas ruas do mundo, há em toda a sua poesia um coração que é todo afecto pelas coisas e pelo homem seu semelhante.
Companheiro de várias gerações de poetas, com todos foi solidário e de todos diferente.
A sua voz é inconfundível, por demais autêntica.
Na hora em que pranteamos a morte do criador de tão vasta e sublime obra poética, só mais uma palavra de afecto, homenagem e gratidão; obrigado, José Gomes Ferreira.

O Sr. Presidente: - Para uma declaração de voto, tem a palavra o Sr. Deputado, Raul Castro.

O Sr. Raul Castro (MDP/CDE): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Com a morte de Nuno Bragança o País perde não só um dos escritores mais significativos do nosso tempo mas um escritor que constitui também um exemplo de democrata e de fidelidade ao seu povo, um intelectual consequente que sempre tomou o caminho da solidariedade para com o seu povo e o da defesa da democracia no nosso país.
Por isso, o MDP/CDE se associou ao voto apresentado. E não queremos deixar também de aqui assinalar o desaparecimento do professor José Gomes Bento, que representa também um alto exemplo não só de pedagogo mas de lutador antifascista, julgado e condenado na sua juventude no Tribunal Plenário do Porto - isso viria a marcar toda a sua vida de lutador pela democracia. O seu exemplo de lutador e de resistente contra o fascismo e o seu alto exemplo de pedagogo merecem também que a sua morte aqui seja evocada.

O Sr. Presidente: - Para uma declaração de voto, tem a palavra o Sr. Deputado Carlos Lage.

O Sr. Carlos Lage (PS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: O meu colega, Sr. Deputado Vieira de Moura, fez uma declaração sobre o escritor José Gomes Ferreira. Cabe-me a mim, agora, dizer duas palavras sobre Nuno Bragança. Não queria, porém, deixar de assinalar que se há momentos em que esta Assembleia justifica plenamente alguns minutos de referência à Cultura, à Arte e à Escrita em Portugal, este é um deles - dois grandes escritores, dois dos maiores escritores portugueses contemporâneos faleceram recentemente e a